Tecendo a vida umas coisitas - 299


PITADAS DE SAL – 29


MARINHAS: ESTADO ATUAL


Caríssima/o:

Como se vê pelas imagens, o estado atual das nossas marinhas não é muito animador; retrato do abandono e da desolação. De fato, muito se tem dito e escrito; não vale a pena acrescentar seja o que for, não altera a situação e deixa-nos sempre um amargo de boca tanto ou mais difícil de tragar que uma boa pitada de sal fresco.
Contudo, permitam que transcreva ideias em frases soltas que nos ajudarão a navegar por estas águas (não cito o autor no propósito de alertar a nossa resistência crítica):
«A jurisdição sobre a Ria tem estado dispersa por inúmeras entidades e foi concentrada, recentemente, na administração da bacia hidrográfica, ainda em instalação.»
«Os canais e esteiros da Ria estão sem manutenção desde que essa competência foi retirada à administração portuária, e os problemas têm-se agudizado devido ao assoreamento, ao abandono das explorações de sal que travavam o avanço das águas e à intrusão salina em terrenos agrícolas.»

«Qualquer dia não há Ria nenhuma… já não é possível ir de barco de Aveiro a Vagos e para navegar até Ovar é preciso esperar pelas marés.»
«Desde 1975 que tem sido reclamada a intervenção dos poderes públicos para impedir o assoreamento da Ria de Aveiro, criando uma entidade gestora, sem resultados práticos.»
«A paisagem desoladora, as marinhas de sal abandonadas e os perigos constantes para a navegação: efeitos das obras que foram realizadas para a ampliação do Porto de Aveiro, que, ao provocar maior amplitude de marés para permitir a entrada de barcos de maior dimensão, veio destruir as motas (muros de proteção) das salinas.»
«Há muito tempo que o organismo de gestão da Ria devia estar a funcionar e devia ter estudado esses efeitos, mas foi adiado sistematicamente.
«As obras portuárias recentes, trouxeram mais marés, mais água a entrar, o fim do moliço e a penetração da cunha salina nos terrenos do Baixo Vouga, mas não foi a causa do abandono das marinhas de sal.»
«Houve o fenómeno da emigração e a mão-de-obra difícil, de trabalho quase escravo, desapareceu. Os marnotos foram para França e já não há feira dos moços, e sem eles não há marinhas.»
As vossas opiniões ficariam a matar nesta contenda embora continuemos a bater como as correntes e as ondas contra os muros já arrunhados…
                                                                                     Manuel

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