quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONSERVAÇÃO DOS OVOS-MOLES É AFINAL UM OVO DE COLOMBO

Um artigo da jornalista Maria José Santana


Aquele que foi o primeiro produto de doçaria a ser certificado em Portugal está agora em condições de dar mais um passo importante no sentido da comercialização internacional.

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Aveiro (UA) acaba de confirmar que os ovos-moles podem ser congelados, sem perderem as suas qualidades. Quando ultracongelado a 40 graus negativos, o doce conventual aveirense "mantém o sabor inicial e não é nocivo para a saúde durante cerca de quatro meses", atestou a investigação da UA.
Na prática, a conclusão a que chegou a equipa coordenada por Manuel António Coimbra, do Departamento de Química daquela universidade, permite alargar o mercado de comercialização dos ovos-moles. Actualmente, os 15 dias de validade do produto limitam, e muito, a sua exportação. Depois de ultrapassado o processo de validação da congelação, os ovos-moles poderão, então, chegar ao mercado internacional.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A CAMINHO DA PRAIA DE MIRA






Era nosso Prior o Padre Bastos, que desde que cá chegou se dedicou à juventude, tendo resolvido que haviamos de fazer uma visita à praia de Mira. Era longe e a ideia de um passeio de bicicleta ficou fora do programa.
Não sei como conseguiu que o Mestre Manuel Maria Mónica lhe cedesse uma camioneta grande que transportava os pinheiros para os navios, para transportar a malta, o que era proibido. Combinou-se que a camioneta iria pela estrada florestal, até à que vai de Mira à Praia.
Se nesse percurso fosse vista polícia, toda a malta devia deitar-se no chão da camioneta.
Tudo correu bem e antes de chegarmos ao local desembarcámos e iamos a fazer o resto do percurso a pé, quando me surgiu a imagem que registei e que te envio, a que dei o nome de "A caminho da Praia de Mira"
Ângelo Ribau
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OS TRAVESES E AS NAVALHAS





Mais uma vista pelo arquivo para matar saudades e surgiu-me esta foto.
Lembras-te, com certeza, dos "Traveses" um autêntico viveiro de lingueirões de canudo ou navalhas, como nós lhes chamávamos, e que íamos apanhar com uma vareta de guarda-chuva, revirada numa ponta a imitar um anzul! Ao fundo vê-se São Jacinto e os Estaleiros. Já não existem, nem traveses, nem estaleiros. A Base Aérea também desapareceu, tranformando-se em Regimento de Infantaria
nº 10, de Aveiro. Tudo é como as ondas do mar; Vão e vêm...

Ângelo Ribau


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Para a história do Porto de Aveiro

Exposição em Aveiro a partir de 10 de março

Ponte-cais da Torreira, 1936

Em 10 de março, pelas 16 horas, vai ser inaugurada uma exposição que interessa a todos os apaixonados pela história do Porto de Aveiro e da sua Barra, que o mesmo é dizer da nossa terra e região, tão marcadas pela abertura da barra em 3 de Abril de 1808. 
Ver notícia alargada aqui

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Para a História do Porto de Aveiro

Um polícia da Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro (J.A.R.B.A.), António Tomás de seu nome, encontrou uns barqueiros a conversar. Ao tempo era proibido conversar no trabalho, salvo por motivos de serviço. Os barqueiros tagarelas não aceitaram as ordens do guarda e este participou superiormente. Corria 30 de Outubro de 1929. 
No mesmo dia, Homem Christo, Engenheiro-Director da JARBA, despachava inapelável sentença: Que sejam os dois barqueiros despedidos imediatamente, não podendo mais tornar a ser admitidos para nenhum serviço.






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Efeméride Gafanhoa: Conferência Vicentina

16 de Fevereiro de 1953 

Nossa  Senhora da Nazaré

Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Nazaré 

A Conferência Vicentina Nossa Senhora da Nazaré, da Sociedade de São Vicente de Paulo, foi criada pelo Prior Abílio Saraiva. Em 1952 dinamizou um grupo de senhoras para a ação social e caritativa, dentre as quais se destacaram Maria da Luz Rocha, Rosa bela Vieira, Luzia Dias de Oliveira, Isaura Castro e Idalina Caleiro. 
Reuniam-se semanalmente numa dependência da igreja matriz para analisarem situações ligadas a questões de saúde, nomeadamente, doenças pulmonares, por serem muito frequentes nessa altura. A partir daí, procuravam dar às pessoas de fracos recursos as respostas adequadas. Levavam os doentes a médicos especialistas e acompanhavam-nos a tratamentos recomendados. A Rosa Bela distinguiu-se pela disponibilidade na aplicação de injeções, qual enfermeira dedicada e competente. Nessa tarefa diária e no contacto com as pessoas apercebia-se melhor das suas carências, apoiando-as no que fosse possível, mesmo para além das doenças que motivavam as visitas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

GUARITA E ESTRADA DA SACOR




Bela imagem da antiga Guarita, agora reproduzida e instalada no Jardim Oudinot. Visível a estrada conhecida, na nossa juventude, por estrada da SACOR, pois passava pelos depósitos de combustíveis daquela empresa industrial. Na nossa infância, por ali se apanhava, nos juncais da ria, o recebolo para alimentação dos suínos. 




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Aviação Naval de S. Jacinto


Hangar de S. Jacinto - 1918 (da Rede Global)

Na segunda metade da I Grande Guerra, os hidroaviões para defesa da costa portuguesa começaram a espelhar-se e a amarar na laguna aveirense, por acordo estabelecido com o Governo francês. Não havia capacidade económica e outra para Portugal assumir a defesa da sua própria zona costeira. Os técnicos e outro pessoal francês instalaram-se então em S. Jacinto com uma pequena esquadrilha. 
Terminada a guerra, os franceses abandonaram as precárias instalações que haviam ocupado em S. Jacinto, ficando aquele centro entregue à Aviação Marítima. 
Entretanto, aquela povoação impôs-se como centro de aviação, com muitos acontecimentos e projetos de permeio, até que, em 20 de Maio de 1925, é criada a Aviação Naval “Almirante Gago Coutinho”, para funcionar em S. Jacinto. Porém, a sua instalação só aconteceu em 1934. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A apanha do estrume

Uma estória do Ângelo Ribau 



O tempo estava na verdade melhor no dia seguinte, e, manhã cedo, lá fomos nós, o pai de gadanha e engaço ao ombro e o Toino com as duas varas, em direcção à bateira. 
O dia não era de chuva, mas a manhã estava fria. Notou-se logo ao meter os pés na lama para alcançar a bateira. Soltada esta do moirão aí vamos nós para o Esteiro do Oudinot. Salto para a margem com a cirga na mão, estico-a, ponho-a ao ombro, e vá de puxar a bateira. São dois quilómetros de extensão, contra a maré. Chegado ao fim é recolhida a cirga, entro para a bateira, pegamos nas varas e vá de atravessar a cale, sempre com muita atenção, não vá aparecer algum navio, que nos atrapalhe a manobra. Chegados ao fundão, vá de “paijar” com as varas como se fossem remos, dado que a cale era muito funda e as varas não atingiam o fundo. 
Passámos sem problemas e da outra banda voltámos a empurrar a bateira com as varas, até que chegámos à marinha; amarrámos a bateira e toca de começar a trabalhar. O pai do Toino a gadanhar o estrume e o Toino, sempre com o olho à viva (não fosse aparecer outra cobra), ia-o juntando e enfeixando na corda. Quando o molho estava com a quantidade suficiente era amarrado. O Pai puxava a corda de um lado e o Toino do outro, apertavam-no, davam um nó, o pai ajudava a pô-lo na cabeça do Toino, e aí vai ele correndo com o molho de estrume à cabeça, sempre a pensar nalguma cobra… 
Este serviço repetia-se vezes sem conta, até que a bateira estivesse carregada. 
Depois era o regresso pelo Esteiro do Oudinot, o carro dos bois à espera, o descarregar da bateira… 
Este serviço era executado dias sem conta, sempre que o tempo o permitisse, até que houvesse estrume suficiente, para as camas do gado durante o inverno, que aí vinha. 
O tempo ia piorando. O vento e as chuvas anunciavam o tempo que aí vinha, a chegada do inverno. Já havia dias de chuva, que permitiam ao Toino ler uns bons pedaços do livro que andava a ler, até ser “acordado” do sonho que a leitura lhe provocava, por ordens do pai que, dada a ordem, continuava na sua leitura: 
- Oh Toino, vai dar uma gabela de palha aos bois. 
Ou… 
- Dá uma gabela de erva à vaca. 

O Toino deixava a leitura e ia confirmar a ordem junto do pai, não que não tivesse ouvido bem, mas para confirmar qual o livro que o pai estava a ler. Punha o olho de lado, e lá ia cumprir a ordem. 
De regresso, ainda se atreveu: 
- Olha lá, oh pai, quantas vezes já leste esse livro? (era o Mártir do Gólgota) … 
- Não sei, mas gosto muito dele. Tem aqui uma personagem que me faz pensar: e continuou: era o cantor da Galileia, e ia fazer serenatas a Madalena, a pecadora. Chamava-se Boanerges. Se um dia tiver um neto gostava que lhe dessem esse nome… 
E lá continuavam, cada um com a sua leitura, até que da casa do forno se ouviu a vós da mãe: 
- Eh pessoal. Vamos à janta que o comer está na mesa… 



Forte da Barra: caldeira em dia de nevoeiro



Caldeira do Forte (foto do Ângelo Ribau)




Caldeira em manhã de nevoeiro. Aqui estacionavam as barcaças da JAPA, junto de  um estaleiro que procedia à sua reparação

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

“Casa Museu” de Manuel Serafim - séc.XX ao vivo!

Manuel Serafim mostra a sua casa-museu


Aceitando o convite do aluno e professor Manuel Serafim,  a turma de Comunicação e Fotografia, composta por 16 alunos, foi visitar a “Casa Museu”, antiga casa de habitação dos pais do maestro da Tuna da Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo.

Quarto 


Deslumbramento é a palavra mais adequada ao que pudemos ver e sentir. Para Manuel Serafim, tudo isto começou há pouco mais de um ano, após a sua reforma como mecânico da Sociedade  de Pesca Miradouro (Friopesca).
Grafonola e outras peças de coleção

Com muitas peças que entretanto ia juntando e outras que existiam em casa de seus pais, entretanto desocupada (o pai era carpinteiro naval e a mãe dedicava-se à lavoura),  foi reconstruindo a habitação como se fosse um museu de determinada época e hoje, para quem, como nós, viveu estes tempos, foi um lembrar de recordações, desde os discos de vinil, o gira-disco, a grafonola, os rádios de válvulas com as antenas em fio de cobre, antigos instrumentos musicais, o fogão a lenha com a panela de três pés, não esquecendo os candeeiros a petróleo, os santos e os crucifixos nos quartos e até os livros de bolso da Europa-América!.


A música sempre presente

Astrolábios, estátuas de pedra feitas pelo próprio, coleção de azulejos antigos, peças de ferro e madeira trabalhadas à mão, potes para apanha do polvo revestidos de fosseis marinhos, utensílios de antigos navios da pesca, instrumentos de lavoura, medidas utilizadas para cereais, mós de moer cereais, arcas, relógios, instrumentos musicais, louça da VA, quartos de dormir e cozinha mobilados como se estivéssemos no inicio do Séc. XX, oficina com diversas máquinas de trabalhar metais e um estúdio musical onde todas as semanas se juntam amantes da música, a saborearem o que mais gostam de fazer, cantar e tocar! Tudo isto é iluminado com luz solar através de um painel solar!!!!!!!
Na despedida, Manuel Serafim dirige-se ao professor Carlos Duarte e diz: “Já me esquecia, tenho por aí diverso material e um ampliador onde em tempos revelava e ampliava fotografia; se quiser, qualquer dia posso lá ir falar disso, quer?”
Para ilustrar e “abrir o apetite” a quem queira visitar, na R. Gil Vicente, esta “Casa Museu”, seguem algumas fotos.

Carlos Duarte

POSTAL ILUSTRADO — RIA DOUTROS TEMPOS

O postal que reproduzo acima é mesmo um postal ilustrado, não com as cores naturais, mas com tonalidades que eram um luxo para a época....