segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Paróquia de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha completa 99 anos

Igreja antiga
"A paróquia de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha completa hoje 99 anos de vida. Daqui a um ano, se Deus quiser e o povo estiver unido, celebraremos o primeiro centenário. É curioso como um século de existência parece tão curto. Digo isto, porque tive o privilégio de conviver com gafanhões que, antes de 1910, lutaram para que a então povoação da Gafanha se tornasse independente e seguisse a sua vida, deixando, por isso, a casa materna."
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Arrastão "Maria Teixeira Vilarinho"

O Ângelo Ribau esclareceu-me, há dias, sobre um lapso que surgiu na apresentação, no porão do Navio-Museu Santo André, do arrastão Maria Teixeira Vilarinho, na qual se dizia que o navio tinha sido mandado construir pela firma José Maria Vilarinho, Sucrs, L.da. Afinal, essa firma nunca existiu… Aqui fica a explicação do meu amigo, pessoa sempre atenta ao que se diz e como se diz. Obrigado. FM Da firma antiga das famílias Ribau e Vilarinho até aos nossos dias. - Ribaus & Vilarinhos Ldª Eram sócios os "Ribaus", o Sr. Virgílio, o Sr. José Maria, o Sr Benjamim, e possivelmente outros ribaus que desconheço. Os Srs. João e José Maria Vilarinho, como sabes, eram irmãos. Mais tarde esta firma desmembrou-se, tendo dado lugar a três outras: 1- Sociedade Gafanhense Ldª, de que ficaram sócios os "Ribaus" 2- João Maria Vilarinho, mais tarde João Maria Vilarinho Ldª, depois, por falecimento do sócio João, passou a João Maria Vilarinho Suc. Ldª, mais tarde ainda, a Empresa de Pesca João Maria Vilarinho Suc. S.A. 3- José Maria Vilarinho, mais tarde José Maria Vilarinho Ldª, e finalmente José Maria Vilarinho Pescas, S.A. Quanto ao Maria Teixeira Vilarinho, foi mandado construir em Viana do Castelo, pela firma José Maria Vilarinho Ldª. Era a construção nº 69 daqueles Estaleiros, e teve o nº de registo V-4-N. Um abraço Ângelo

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gafanha da Nazaré, velha senhora rejuvenescida

Ponte da Cambeia
"Ao chegar à bonita idade de 75 anos, vividos numa constante luta pelo progresso e contra adversidades sem conta, a Gafanha da Nazaré, velha senhora rejuvenescida, há poucos anos, por novo baptismo que lhe deu o apelido de vila, está em festa. E com razão!... Novos trajes, adornos mais consentâneos com a época, comodidades caseiras semelhantes às que possuem outras senhoras, tudo lhe falta, mas acreditamos que tudo lhe será ofertado em próximos aniversários. Os seus filhos, porém, dão-lhe hoje o que é possível e com a mesma alegria da criança que, ao passar pelo campo florido da Primavera, colhe uma flor silvestre, pura e simples, não alterada, ainda, pela genética, e corre a entregá-la, feliz, à mãe aniversariante, com o beijo de parabéns." Fernando Martins Nota: Citado num livro, li hoje este texto, excerto de um outro que escrevi em 1985, nas Bodas de Diamante da freguesia da Gafanha da Nazaré. Não sei se já o publiquei nos meus blogues. Pelo sim pelo não, aqui fica ele.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ruas da Gafanha da Nazaré: Rua Dr. Josué Ribau

Dr. Josué Ribau
No meio de tantas ruas baptizadas com nomes de pessoas que pouco ou nada nos dizem, de vez em quando lá encontramos uma ou outra com nome de gente nossa. Neste capítulo, embora seja difícil seleccionar os que merecem tal honra, pensamos que se devia ter em conta que houve gafanhões dignos de ocuparem placas toponímicas. Como o Dr. Josué Ribau, que hoje e aqui evocamos. A rua com o seu nome liga a Av. José Estêvão à Rua Sacadura Cabral. Quem segue pela Avenida em direcção ao Forte da Barra, depois da igreja matriz, surge à direita, depois dos semáforos, uma segunda rua, a dedicada ao nosso homenageado deste mês. Trata-se de uma rua estreita, algo sinuosa, por ter nascido sobre um caminho de terra batida, sem traçado prévio. Josué da Cruz Ribau nasceu no dia 1 de Abril de 1916. Hoje, se fosse vivo, teria 93 anos de idade. Era filho de Manuel Ribau Novo e de Maria da Cruz, esta de Seixo de Mira, sendo irmão de Madalena e do padre Diamantino. Faleceu em 27 de Maio de 1944. Fez a instrução primária na Gafanha da Nazaré e estudou no Liceu de Aveiro. Foi bom aluno, como reza a tradição e salienta a família, ingressando depois na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Matemática. O Certificado da mesma Universidade diz, textualmente, que se licenciou em “Ciências Matemáticas", em 26 de Julho de 1940, com o “exame de Geometria Superior", tendo-lhe sido votada, em conselho da Faculdade, "a informação final de bom com catorze valores”. Foi, tanto quanto se sabe, professor no Liceu de Aveiro e ainda hoje é recordado pela sua simplicidade e inteligência. Por convivermos com os seus sobrinhos, dele ouvimos muitas vezes falar com muita dedicação e estima. Amigos seus, que também conheci, partilhavam dos mesmos sentimentos de admiração e louvor. Foi, tanto quanto percebi, na minha juventude, uma pessoa muito querida por todos os que o conheceram ou com ele privaram mais de perto. Conhecemos, pessoalmente, a biblioteca de sua casa, da qual lemos alguns livros que o Dr. Josué decerto apreciou. Essa biblioteca tinha a marca de seu pai, homem marcante na sua geração. Dessa biblioteca, recordamos autores que então nos entusiasmaram: Júlio Verne, Silva Gaio, Camilo, Eça, Júlio Dinis e até Santo Agostinho, entre outros. Certas obras continham anotações do Dr. Josué e de seu irmão, o Padre Diamantino. Este irmão do Dr. Josué morreu novo, com doença pulmonar. Diz-se que não procurou cura, por acreditar ser essa a vontade de Deus, conforme nos confidenciou um seu sobrinho. Sobre as suas leituras, contaram-nos que era muito escrupuloso, procurando ter em conta os preceitos da Igreja católica, no que diz respeito a livros então proibidos. Escreveu, por isso, ao Bispo de Coimbra, pedindo autorização para ler uma obra do Índex (relação dos livros não aconselhados pela Santa Sé). O Bispo ter-lhe-á recomendado que talvez fosse melhor envolver-se em leituras relacionadas com os estudos. O Dr. Josué era um doente epiléptico. Conhecedor da sua doença, ao sentir as crises, pedia sempre que o ajudassem nessas alturas. Nem por isso, contudo, deixou de ser um rapaz do seu tempo, convivendo com amigos e amigas. Talvez pela doença, não chegou a casar. Fernando Martins

domingo, 23 de agosto de 2009

Piqueniques: bons momentos vividos em família

Boas recordações que não quero perder
Sem muito sol e com aragem a propor abrigo, não faltaram hoje no parque que habitualmente atravesso famílias em piqueniques. O aconchego do arvoredo e as mantas estendidas convidaram quem estava, e muitos eram, a saborear os farnéis que de longe vislumbrei. E pela forma como eram degustados, sem pressas e sem complexos, posso garantir que estavam apetitosos. Depois, seguiu-se a soneca dos mais pesados e a bola dos mais miúdos. Tanto bastou para eu recuar uns bons 40 anos, quando, com a família, bem unida e concordante, fazia o mesmo, quer na mata da Torreira e S. Jacinto, quer entre a Costa Nova e a Vagueira. Não era pela poupança, embora não fosse despiciendo pôr de lado essa vertente. Bons tempos. Preparado o farnel, à medida das idades e dos apetites, preparada a trouxa do indispensável, que as comodidades exigiam, tudo arrumado no carro, sem espaço para mais nada, lá seguíamos na procura do lugar ideal, onde não incomodássemos nem fôssemos incomodados, que de vizinhos desconhecidos nunca se sabe o que pode surgir. Com o cheirinho do mar e da ria, de mistura com o aroma dos pinheiros e arbustos, o que se comia, salgados, doces e frutas, sabia a banquete de festa, que nos obrigava, não raramente, a marcar novo piquenique, ainda no Verão, sem frio nem chuva que incomodassem. E anos e anos foram passando, com a família a registar na memória momentos que perduram. Depois da barriguinha composta, os mais velhos, com avós e tias que sabiam estórias vividas e repetidas vezes sem conta, nunca negaram a soneca. Os mais novos, esses não dispensavam a bola, mesmo quando mal podiam com ela. Nunca faltaram ocasiões cheias de sonhos e de felicidade sentida e esperada, para o futuro que aí vinha apressado. "Agora, os mais novos ainda brincam com olhos atentos ao que faziam e como faziam; daqui a uns anitos como será?", era questão que me deixava calado... Os anos passaram e os interesses multiplicaram-se. A vida trouxe novos hábitos e a idade reclamou comodidades, até aí sem peso para se imporem. As formigas e os mosquitos provocaram alergias, as mantas não eram acolchoadas e o chão nada tinha de mesa que se visse, para além dos tachos, pratos e talheres. Os piqueniques tiveram o seu fim quase por completo. Mas a saudade desses tempos, repletos de alegria, ainda me assalta, como boa recordação que não quero perder. Fernando Martins

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O GAFANHÃO HUMANIZOU A DUNA

Quem surriba chão de areia...
“Quem surriba chão de areia não encontra onde enterrar raízes de esperança e quem irriga duna virgem sabe que mija numa peneira! Quem lança a semente em ventre que é maninho não pode ter esperanças de fecundação. E, por isso, o Gafanhão, antes de cultivar a lomba, teve de corrigir-lhe a esterilidade servindo-se da Ria que lhe passa à ilharga, procurando nela a nata que amamentou a semente que deixou cair, amorosamente, naquele chão danado. E humanizou a duna.” Frederico de Moura Citado em “Gafanha da Nazaré – Escola e comunidade em mudança”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quando eu era menino…

O regueirão
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Um velhinho bondoso da minha meninice
Quando eu era menino, há uns 60 anos, bem medidos, costumava visitar a ria. Ia muitas vezes sozinho para me deliciar, extasiado, com águas correntes, barcos moliceiros e tainhas a saltar. Olhava para as Portas d’água e apreciava a ponte da Cambeia. Do outro lado, o Jardim Oudinot com a sua barraca de madeira, com mesa e bancos, onde alguns, no Verão, saboreavam merendas, antes de dormir a sesta num qualquer recanto a jeito. Com frequência olhava o regueirão, também conhecido por Canal de Mira, e apetecia-me caminhar pela margem, à cata nem sei de quê. Mas um dia vi, ao longe, um pescador que me atraiu, pela sua postura. Ali estava, sereno, muito atento, fixado nas linhas que tinha na ria. Na ponta, chumbeiras e anzóis, ligados a estropos. Para o menino que eu era, o pescador era um velhinho bondoso, muito calmo, de poucas falas e de sorriso a emoldurar-lhe o rosto de barba semanal. Quando me olhava, sorridente, eu sentia-me muito próximo dele. Era um amigo. Chamava-se Manuel Bola e tinha muitos filhos. Aproximei-me, um pouco tímido (nunca fui muito metediço), e nem recordo se o saudei. Sei, isso sim, que o olhei e sorri, em resposta ao seu sorriso. Ali fiquei à espera do peixe que tardava. Depois ele disse; - Vens aprender a pescar? - Nunca pesquei… É difícil? - Não… Mas é preciso paciência… Muita paciência. Aparece quando quiseres. Ficou calado, atento às linhas que havia lançado à água. Eu continuei a observá-lo e a imaginar-me em situação semelhante. De regresso a casa, jurei para mim mesmo que havia de ser um pescador da borda d’água, como aquele velhinho bondoso. - Mãe, quero ir pescar para o regueirão. - E tu sabes? - Aprendo. Comprei linhas, anzóis e chumbeiras; apanhei alguns berbigões para isco. E lá fui. Instalei-me perto do meu amigo, sem atrapalhar nas suas manobras. Berbigões nos anzóis, atirei sem jeito as linhas para a água. Eram duas. De vez em quando, fazia como ele. As minhas linhas só traziam moliço. As do velhinho traziam alguns robalinhos, tainhas e outros peixes que eu desconhecia. Admirado, comecei a ficar desanimado. Depois ele ensinou-me a iscar e disse-me que era preciso pegar nas linhas para perceber quando é que o peixe pica. Aí, sublinhava ele, era preciso dar um puxãozinho, para apanhar o peixe. Nem assim consegui pescar. Repeti a experiência. Nada. E deixei de aparecer. Um certo dia, porém, tive saudades do velhinho sereno e bondoso. E lá fui. Ele olhou-me e sorriu. Depois perguntou: - Então desististe? - Como não pescava nada… - Eu disse-te que era preciso paciência… Muita paciência! - Pois… - respondi eu. Mas nunca mais fui à pesca. Fernando Martins

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Gafanha: região rica?

Em 1934, Rocha Madail afirma: Ainda que muitas pessoas se contam neste distrito que viram a Gafanha árida e despida de vegetação, como a maior parte dos areais do litoral, este trabalho foi tão proveitoso que é a Gafanha talvez um dos lugares deste distrito em que haja mais ouro amoedado, sem contar que liberalmente fornece sustentação e trabalho a mais de oito mil pessoas sendo, por assim dizer, o celeiro e a horta dos concelhos de Aveiro, Ílhavo, e ainda da maior parte de Vagos. In Gafanha da Nazaré – Escola e comunidade numa sociedade em mudança

sábado, 1 de agosto de 2009

Crianças austríacas na Gafanha da Nazaré

Eu não me recordo dos nomes, mas havia um menino em casa da mãe do padre Alexandre Vilarinho, que brincava connosco na nossa escola, e uma outra criança, já não sei se menina ou menino, que estava em casa de Dona Conceição e do Capitão João Maria Vilarinho.
É pouca informação, mas já é alguma coisa para começar a investigar.
Armando Cravo Nota: Grão a grão enche a galinha o papo. Há outras pistas, mas ainda não tive tempo para contactar as pessoas. De qualquer modo, a achega do Armando foi muito boa. Das crianças que refere, não consigo recordar nada.

POSTAL ILUSTRADO — RIA DOUTROS TEMPOS

O postal que reproduzo acima é mesmo um postal ilustrado, não com as cores naturais, mas com tonalidades que eram um luxo para a época....