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GAFANHAS — O espaço que hoje habitamos

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O espaço que hoje habitamos, com mar e ria a limitá-lo na sua grande parte, não é de sempre. Observando mapas e lendo registos fica-nos a certeza de que o mar foi dono das atuais Gafanhas. A restinga de areia que se formou ao longo de 25 séculos, protegendo-nos dos avanços e ataques do oceano, foi criando condições capazes de atrair pessoas habituadas a enfrentar dificuldades, muitos séculos depois. Orlando de Oliveira avança com a certeza de que a laguna vem do tempo da fundação da nacionalidade. «Podemos dizer com orgulho que a Ria de Aveiro e Portugal se formaram ao mesmo tempo. Nasceram simultaneamente por alturas do século XII e poderíamos dizer, fantasiando um pouco, que, enquanto os nossos primeiros Reis e os seus homens iam dilatando as terras peninsulares, a Mãe-Natureza ia conquistando ao mar esta joia prodigiosa que generosamente viria ofertar às nossas terras alavarienses.» (1) Sublinhe-se que a língua de areia que inclui as nossas praias, estendendo-se até à Vagueira, es…

Recordando o Festival da Canção na Gafanha da Nazaré

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Hoje recordo o Festival da Canção organizado pela Juventude Masculina de Schoenstatt há bons anos. O texto que transcrevo a seguir tem data de maio de 2009 e quem o escreveu foi João Alberto Roque, presentemente e desde há muito docente na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Penso que as memórias ficarão mais ricas. Aliás, é essa a minha intenção.  Desses festivais não possuo fotografias, mas haverá decerto quem as tenha. Se mas puderem ceder para publicar seria muito interessante. Fico a aguardar. 

EU FUI DOS PRINCIPAIS INTERVENIENTES...
Eu fui dos principais intervenientes… É agradável dar de caras com estas recordações. Já não me lembrava dos pormenores – tinha vinte e três anos na altura – mas, pelo que li, penso que está tudo bem. Nesse ano fiz parte da organização e era um dos autores de três canções concorrentes (ai a ética… mas de acordo com o regulamento só os elementos do Júri não podiam concorrer e eram sempre pessoas credenciadas e imparciais). Aliás não era frequente …

A propósito da abertura da Barra de Aveiro

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Para Memória Futura
Carta de Luís Gomes de Carvalho  ao futuro rei D. João VI



Nota: Carta publicada no Arquivo do Distrito de Aveiro, integrada em artigo da autoria de Ferreira Neves, um dos fundadores e  diretor da revista,

Mulheres das Gafanhas

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Esta fotografia não é minha, mas fui eu quem a divulgou pela primeira vez. Faz parte de um livro de Maria Lamas — Mulheres do meu país — que li e consultei há muitos anos. Hoje, como andei a tentar arrumar algumas fotos que tenho armazenadas em nuvens e discos externos, passou-me pelos olhos este registo que me transporta a tempos idos da minha infância e juventude. Conheci algumas destas mulheres das nossas Gafanhas (Nazaré, Encarnação e Carmo), tidas por trabalhadoras indomáveis. Matriarcas muitas vezes com maridos ausentes, na pesca do bacalhau ou na emigração. E reparem como em muitas se mantém um ar sorridente. Todas decerto já faleceram, mas deixaram raízes indeléveis na nossa memória.

Gafanhas no Concelho de Ílhavo

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Teresa Reigota: Um exemplo a seguir

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“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”


“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo” é um livro de Teresa Filipe Reigota, natural da Gafanha da Nazaré e residente na Gafanha da Boavista, S. Salvador. Gafanhoa de gema, como gosta de afirmar, esta professora aposentada tem uma indesmentível paixão pela etnografia.  Com seu marido, o também professor aposentado João Fernando Reigota, funda o Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, em 1984. O envolvimento nas tarefas de recolhas, pesquisas e estudos, levou-a a sentir a necessidade de preservar e divulgar os usos e costumes das gentes que a viram nascer e das quais guarda gratas recordações. Assim nasceu o livro “Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”, que vai ser lançado no dia 24 de Outubro, sábado, pelas 21 horas, no Centro Cultural de Ílhavo, em cerimónia que encerra as celebrações das Bodas de Prata do Rancho Regional. Sobre este livro pronunciar-me-ei numa outra altura, pois considero importante não só manifestar a agradável impr…

Famílias Tradicionais da Gafanha

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Um trabalho de Orquídea Ribau

CURIOSIDADES À VOLTA  DE ALGUNS NOMES  DE FAMÍLIAS TRADICIONAIS NA GAFANHA
Fonte: A.D.A., S.Tiago de Vagos, Óbitos, Lv. nº 16, Fl .nº 11-verso. Foto obtida sob autorização do A.D.A.
Como em qualquer outro universo comunitário, alguns nomes de familia, ainda hoje utilizados na Gafanha, têm uma origem muito particular e um pouco à revelia das diferentes“normas” aplicadas ao longo do período compreendido entre a fixação dos primeiros habitantes, no final do séc. XVII, e o final do séc. XIX. Esses nomes adoptados adquiriram tal importância dentro da comunidade que fizeram mesmo desaparecer um ou mais apelidos familiares oficiais. Eis alguns exemplos:
SARDO – Surgiu como alcunha. António Ferreira, assim se chamava o visado, obteve o nome por ser de “cor sardo e cabelo avermelhado”, de acordo com o assento de óbito. Pertencia à família Ferreira, uma das primeiras a fixar-se definitivamente nas areias da “Gafenha” no virar do séc. XVII para o seguinte. Viveu dura…

Gastronomia: Bacalhau de Outono

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NOTA: Receita gentilmente cedida pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré e apresentada no "Concurso Prato Tradição & Prato Inovação", na categoria "Inovação", realizado no âmbito do Festival do Bacalhau 2016.
Publicado na Agenda "Viver em..." da CMI

Gafanha

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Painel patente na exposição "Ílhavo - Terra Milenar", no Centro Cultural de Ílhavo.

Gafanha do Carmo — Jardim das Alminhas

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Durante a minha recente passagem pela Gafanha do Carmo, rápida que o tempo urgia, procurei apreciar mais o que salta à vista. Num bifurcação, bem visível para quem circula, lá estava o Jardim das Alminhas, com data de 1997, que traduz a fé das gentes do Carmo. O painel, que outrora nos assustava com as chamas do purgatório ou do inferno a infligirem um castigo terrível, temporário ou eterno, continua a dar que pensar. E a Nossa Senhora do Carmo lá estará a consolar algumas almas, lembrando, decerto, que Deus Misericordioso perdoará sempre...
Entretanto, fui informado por Domingos Vilarinho que as Alminhas já existiam antes da inauguração  do Jardim das Alminhas.

A Borda

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Para os gafanhões, a borda era o local de acesso mais fácil à Ria. Com maré baixa, era certo e sabido que o povo se abastecia de berbigões (cricos, na gíria popular), amêijoas, lingueirão de canudo e de uns peixitos que por ali cirandavam aflitos e sem força para chegar aos regos de água salgada. O mexilhão e lapas arrancavam-se das pedras que defendiam os terrenos das marés vivas. Há décadas, o marisco era apanhado livremente, dia a dia, sempre ao sabor das marés. Apenas se respeitavam, em obediência ao saber de experiência feito, os meses sem erre. Nessas alturas, sem avisos das autoridades marítimas, o povo sabia que as diarreias eram perigosas. A borda era um convite à proximidade franca com a laguna. Nadava-se, chapinhava-se nas lagoas que a maré cheia deixava para deleite da pequenada. A borda era espaço de encontro e de cavaqueiras das gentes da pesca e da apanha do moliço, chamado arrolado, porque era oferecido de mão beijada pelas águas quando fugiam para o mar. A borda bene…

Cruzeiro da Gafanha do Carmo

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No dia 29, quinta-feira, senti um apelo que me levou a passar pela Gafanha do Carmo. Eram as minhas raízes, do lado materno, a chamarem-me. A minha avó Custódia Luís Ferreira nasceu na então Gafanha dos Caseiros, em 28-08-1867.
Em adolescente e jovem por lá andei imensas vezes de casa em casa com os meus pais. Na rua por onde andava pouco resta daquilo que conheci há uns 70 anos. Passei, olhei numa tentativa de recordar. E fui atraído pelo cruzeiro que é quase da minha idade. Parei, fotografei, procurei registos, mas nada. Um casal que terá apreciado a minha curiosidade suscitou uma curta conversa. Garantiu-me que está como na origem, apesar de ter sido derrubado por um carro que se despistou. O marido da senhora evocou que ele próprio e uns vizinhos tiveram o cuidado de o reconstruir, aproveitando ao máximo o que era de aproveitar. E lá está ele.  Na minha memória estava um cruzeiro maior, mas não, não senhor. Disse a senhora: — Talvez por nessa altura o senhor ser menino…  É verda…

Sport Club União Gafanhenses

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Em 1947, o avô do Grupo Desportivo da Gafanha chamava-se Sport Club União Gafanhense. Posteriormente terá mudado de nome. Mais tarde veio o Grupo Desportivo da Gafanha. Pessoa amiga, Margarida Bola, descobriu nos papéis que herdou algumas curiosidades, que publicarei num futuro próximo. Seu pai, João da Conceição Bola, sócio n.º 3 (na foto, à esquerda), e João Lé, irmão do Padre Lé (na foto à direita), eram dirigentes. E quem era os jogadores? Aqui deixo o desafio a todos. Quem poderá dar uma ajuda?

O Gafanhão e a Areia

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Uma homenagem a todos os gafanhões
Texto de Joaquim Matias  
 "Arquivo do Distrito de Aveiro", 
n.º 36, 1943










A Gafanha e a sua água taumaturga

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«À Gafanha, a Verdemilho, a São Bernardo e à Presa eram os passeios que eu mais preferia nas minhas férias de professor de Coimbra.
Quem me levava sobretudo à Gafanha era a água que, taumaturga por excelência, com o seu contacto, com o seu murmúrio, com as suas frescas exalações, me aquietavam brandamente os nervos, mais ou menos fora do ritmo pela continuidade das excitações académicas; e para tal ela não precisava mais do que duma sessão: à primeira vez era logo.»
D. João Evangelista de Lima Vidal