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Tradições: Feijoada da Samos

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INGREDIENTES

(para 4 pessoas)

1 Kg Samos
1/2Kg de feijão branco cozido
1 Chouriça vermelha
Tomate
Cenoura
Azeite
Cebolas
Vinho Branco
Piripiri
Sal

PREPARAÇÃO

Num tacho coloque o azeite e a cebola picada, deixando alourar.
Adicione o tomate pelado e esmagado e deixe refogar.
Junte os samos (previamente lavados, cortados em tiras e demolhados), mexa e deixe cozinhar.
Depois junte o vinho branco, a chouriça e as cenouras cortadas às rodelas e tempere com sal e piripiri.
Finalmente, adicione o feijão branco e deixe apurar mais 15 a 20 minutos.
Retifique os temperos.

Bom apetite

Fonte Agenda “Viver em...” da CMI

NOTA: Receita vencedora do Concurso “Prato Tradição & Prato Inovação”, Categoria “Tradição”, apresentada pela Associação Cultural e Recreativa Chio Pó-Pó, no âmbito do Festival do Bacalhau 2017.

POSTAL ILUSTRADO — "Monografia da Gafanha"

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A Monografia da Gafanha pode e deve ser considerada um postal ilustrado da região das Gafanhas dos concelhos de Ílhavo e Vagos, pois trata-se de uma obra de referência aberta a todos os que gostam e estudam esta zona habitada desde o século XVII. Foi escrita pelo primeiro pároco da Gafanha da Encarnação, P. João Vieira Rezende, e a primeira edição viu a luz do dia em 1938. Na altura, o autor sublinhado que, «por sugestão de pessoas interessadas pelas coisas da Gafanha, nos resolvêramos a publicar alguns documentos inéditos, que viriam derramar luz sobre a ignorada história desta região». A segunda edição, profundamente melhorada, saiu em 25 de fevereiro de 1944, contando com um subsídio do Instituto para a Alta Cultura, e foi prefaciada por Orlando Ribeiro, professor catedrático de Geografia da Faculdade de Letras de Lisboa. E nesse prefácio, o ilustre cientista, referindo-se à Gafanha, diz que «temos aqui um exemplo, importantíssimo e raro, de povoamento que pode seguir-se desde o …

Culinária — Chora

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Ingredientes

1 cabeça de bacalhau ou duas caras frescas, lavadas e salpicadas
1 cebola grande
6 dentes de alho
1 folha de louro
2 tomates grandes, de preferência coração de boi, desfeitos
1 copo de arroz agulha
Sal q.b.
Uma pitada de piripiri
Azeite do bom
1 copo de vinho branco
Água q.b

Preparação

Refoga-se a cebola e os alhos no azeite até ficarem transparentes. Junta-se a folha de louro e o tomate. Deixa-se ferver, cozendo durante cinco minutos. Acrescenta-se a cabeça de bacalhau ou as caras e rega-se com o vinho branco.
Tapa-se o tacho, deixa-se levantar fervura até cozer, sem deixar desfazer. Retira-se a cabeça de bacalhau ou as caras cozidas do tacho e reserva-se, deixando arrefecer.
Desfebra-se a cabeça ou as caras e reserva-se. Junta-se a água, retifica-se o tempero e piripiri a gosto.
Quando a água ferver, acrescenta-se o arroz e deixa-se cozer até ficar no ponto.
Por fim, adicionam-se as febras do bacalhau. Está pronto a comer. Como opção, serve-se com quadrados de pão bem torr…

Hipóteses para o vocábulo Gafanha

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Das várias hipóteses que poderiam estar na origem do vocábulo Gafanha, nenhuma até hoje reuniu consenso. Indicam-se algumas, na esperança de que os estudiosos possam chegar a acordo sobre a mais plausível:
1. Gadanha, alfaia agrícola para cortar o junco, teria dado Gafanha; 2. Gafar, imposto por passagem de barco ou ponte, poderia levar a Gafanha, lugar de pagar o gafar; 3. Gafar, vaso para transportar sal, conduziria a Gafanha. Havia sal nesta região; 4. Gafo, leproso, estaria na origem de Gafanha, terra de gafos. Esta hipótese não tem consistência, por não haver qualquer registo histórico que a sustente; 5. Gafanha teria vindo de Gafaria, mas também não há qualquer vestígio histórico que nos elucide. Aliás, nas épocas seguintes à idade média já havia leprosarias para cuidar dos gafos; 6. Gafenho ou Gafanho poderia sugerir Gafanha, terra gafada, gretada, como a pele dos leprosos. A terra gretada era mais visível na maré baixa, em cujas lamas se abriam fendas com o sol; 7. A ideia de…

GAFANHAS — O espaço que hoje habitamos

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O espaço que hoje habitamos, com mar e ria a limitá-lo na sua grande parte, não é de sempre. Observando mapas e lendo registos fica-nos a certeza de que o mar foi dono das atuais Gafanhas. A restinga de areia que se formou ao longo de 25 séculos, protegendo-nos dos avanços e ataques do oceano, foi criando condições capazes de atrair pessoas habituadas a enfrentar dificuldades, muitos séculos depois. Orlando de Oliveira avança com a certeza de que a laguna vem do tempo da fundação da nacionalidade. «Podemos dizer com orgulho que a Ria de Aveiro e Portugal se formaram ao mesmo tempo. Nasceram simultaneamente por alturas do século XII e poderíamos dizer, fantasiando um pouco, que, enquanto os nossos primeiros Reis e os seus homens iam dilatando as terras peninsulares, a Mãe-Natureza ia conquistando ao mar esta joia prodigiosa que generosamente viria ofertar às nossas terras alavarienses.» (1) Sublinhe-se que a língua de areia que inclui as nossas praias, estendendo-se até à Vagueira, es…

Recordando o Festival da Canção na Gafanha da Nazaré

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Hoje recordo o Festival da Canção organizado pela Juventude Masculina de Schoenstatt há bons anos. O texto que transcrevo a seguir tem data de maio de 2009 e quem o escreveu foi João Alberto Roque, presentemente e desde há muito docente na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré. Penso que as memórias ficarão mais ricas. Aliás, é essa a minha intenção.  Desses festivais não possuo fotografias, mas haverá decerto quem as tenha. Se mas puderem ceder para publicar seria muito interessante. Fico a aguardar. 

EU FUI DOS PRINCIPAIS INTERVENIENTES...
Eu fui dos principais intervenientes… É agradável dar de caras com estas recordações. Já não me lembrava dos pormenores – tinha vinte e três anos na altura – mas, pelo que li, penso que está tudo bem. Nesse ano fiz parte da organização e era um dos autores de três canções concorrentes (ai a ética… mas de acordo com o regulamento só os elementos do Júri não podiam concorrer e eram sempre pessoas credenciadas e imparciais). Aliás não era frequente …

A propósito da abertura da Barra de Aveiro

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Para Memória Futura
Carta de Luís Gomes de Carvalho  ao futuro rei D. João VI



Nota: Carta publicada no Arquivo do Distrito de Aveiro, integrada em artigo da autoria de Ferreira Neves, um dos fundadores e  diretor da revista,

Mulheres das Gafanhas

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Esta fotografia não é minha, mas fui eu quem a divulgou pela primeira vez. Faz parte de um livro de Maria Lamas — Mulheres do meu país — que li e consultei há muitos anos. Hoje, como andei a tentar arrumar algumas fotos que tenho armazenadas em nuvens e discos externos, passou-me pelos olhos este registo que me transporta a tempos idos da minha infância e juventude. Conheci algumas destas mulheres das nossas Gafanhas (Nazaré, Encarnação e Carmo), tidas por trabalhadoras indomáveis. Matriarcas muitas vezes com maridos ausentes, na pesca do bacalhau ou na emigração. E reparem como em muitas se mantém um ar sorridente. Todas decerto já faleceram, mas deixaram raízes indeléveis na nossa memória.

Gafanhas no Concelho de Ílhavo

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Teresa Reigota: Um exemplo a seguir

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“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”


“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo” é um livro de Teresa Filipe Reigota, natural da Gafanha da Nazaré e residente na Gafanha da Boavista, S. Salvador. Gafanhoa de gema, como gosta de afirmar, esta professora aposentada tem uma indesmentível paixão pela etnografia.  Com seu marido, o também professor aposentado João Fernando Reigota, funda o Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, em 1984. O envolvimento nas tarefas de recolhas, pesquisas e estudos, levou-a a sentir a necessidade de preservar e divulgar os usos e costumes das gentes que a viram nascer e das quais guarda gratas recordações. Assim nasceu o livro “Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”, que vai ser lançado no dia 24 de Outubro, sábado, pelas 21 horas, no Centro Cultural de Ílhavo, em cerimónia que encerra as celebrações das Bodas de Prata do Rancho Regional. Sobre este livro pronunciar-me-ei numa outra altura, pois considero importante não só manifestar a agradável impr…

Famílias Tradicionais da Gafanha

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Um trabalho de Orquídea Ribau

CURIOSIDADES À VOLTA  DE ALGUNS NOMES  DE FAMÍLIAS TRADICIONAIS NA GAFANHA
Fonte: A.D.A., S.Tiago de Vagos, Óbitos, Lv. nº 16, Fl .nº 11-verso. Foto obtida sob autorização do A.D.A.
Como em qualquer outro universo comunitário, alguns nomes de familia, ainda hoje utilizados na Gafanha, têm uma origem muito particular e um pouco à revelia das diferentes“normas” aplicadas ao longo do período compreendido entre a fixação dos primeiros habitantes, no final do séc. XVII, e o final do séc. XIX. Esses nomes adoptados adquiriram tal importância dentro da comunidade que fizeram mesmo desaparecer um ou mais apelidos familiares oficiais. Eis alguns exemplos:
SARDO – Surgiu como alcunha. António Ferreira, assim se chamava o visado, obteve o nome por ser de “cor sardo e cabelo avermelhado”, de acordo com o assento de óbito. Pertencia à família Ferreira, uma das primeiras a fixar-se definitivamente nas areias da “Gafenha” no virar do séc. XVII para o seguinte. Viveu dura…

Gastronomia: Bacalhau de Outono

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NOTA: Receita gentilmente cedida pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré e apresentada no "Concurso Prato Tradição & Prato Inovação", na categoria "Inovação", realizado no âmbito do Festival do Bacalhau 2016.
Publicado na Agenda "Viver em..." da CMI

Gafanha

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Painel patente na exposição "Ílhavo - Terra Milenar", no Centro Cultural de Ílhavo.

Gafanha do Carmo — Jardim das Alminhas

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Durante a minha recente passagem pela Gafanha do Carmo, rápida que o tempo urgia, procurei apreciar mais o que salta à vista. Numa bifurcação, bem visível para quem circula, lá estava o Jardim das Alminhas, com data de 1997, que traduz a fé das gentes do Carmo. O painel, que outrora nos assustava com as chamas do purgatório ou do inferno a infligirem um castigo terrível, temporário ou eterno, continua a dar que pensar. E a Nossa Senhora do Carmo lá estará a consolar algumas almas, lembrando, decerto, que Deus Misericordioso perdoará sempre...
Entretanto, fui informado por Domingos Vilarinho que as Alminhas já existiam antes da inauguração  do Jardim das Alminhas.

A Borda

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Para os gafanhões, a borda era o local de acesso mais fácil à Ria. Com maré baixa, era certo e sabido que o povo se abastecia de berbigões (cricos, na gíria popular), amêijoas, lingueirão de canudo e de uns peixitos que por ali cirandavam aflitos e sem força para chegar aos regos de água salgada. O mexilhão e lapas arrancavam-se das pedras que defendiam os terrenos das marés vivas. Há décadas, o marisco era apanhado livremente, dia a dia, sempre ao sabor das marés. Apenas se respeitavam, em obediência ao saber de experiência feito, os meses sem erre. Nessas alturas, sem avisos das autoridades marítimas, o povo sabia que as diarreias eram perigosas. A borda era um convite à proximidade franca com a laguna. Nadava-se, chapinhava-se nas lagoas que a maré cheia deixava para deleite da pequenada. A borda era espaço de encontro e de cavaqueiras das gentes da pesca e da apanha do moliço, chamado arrolado, porque era oferecido de mão beijada pelas águas quando fugiam para o mar. A borda bene…