sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Farol da Barra de Aveiro: Um pouco da sua história





Farol: ex-líbris da região aveirense

O Farol da Barra de Aveiro, situado em pleno concelho de Ílhavo, na Gafanha da Nazaré, é um ex-líbris da região aveirense. Imponente, não há por aí quem não o conheça, como o mais altos de Portugal e um dos mais altos da Europa. Já centenário, faz parte do imaginário de quem visita a Praia da Barra. Quem chega, não pode deixar de ficar extasiado e com desejos, legítimos, de subir ao varandim do topo, para daí poder desfrutar de paisagens únicas, com mar sem fim, laguna, povoações à volta e ao longe, a dominar os horizontes, os contornos sombrios das serras de perto e mais distantes.
À noite, o seu foco luminoso, rodopiante e cadenciado, atrai todos os olhares, mesmo os mais distraídos, tal a sua força. Mas são os navegantes, os que mais o apreciam, sem dúvida.
Ora, esse foco, que começou por ser alimentado a petróleo, passou a beneficiar da energia eléctrica em 1936, completando, este ano, 70 anos de existência. Bonita idade para tal melhoramento merecer ser assinalado, embora de forma simples, com esta nota.
Se tem lógica e algum merecimento a recordação desta efeméride, não deixa de ser oportuno e justo lembrar que este ano também se podem celebrar os 150 anos da portaria do ministro das Obras Públicas, engenheiro António Maria de Fontes Pereira de Melo, assinado em 28 de Janeiro de 1856 e dirigida ao director das obras públicas do Distrito de Aveiro, engenheiro Silvério Pereira da Silva, que dá orientações para se avançar, rumo à futura construção do nosso Farol.
Reza assim, na parte que nos diz respeito, como se lê na revista "Arquivo do Distrito de Aveiro", em artigo assinado por Francisco Ferreira Neves:
"Há por bem sua majestade el-rei (D. Pedro V) ordenar que o director das obras públicas do distrito de Aveiro, de combinação com o capitão daquele porto, e com o director-maquinista dos faróis do reino, trate de escolher o local nas proximidades da barra que for mais próprio para a construção de um farol, devendo o mesmo director, apenas se ache determinado o dito ponto, proceder, de acordo com o referido maquinista, à confecção do projecto e orçamento da respectiva torre com a altura conveniente para que a luz seja vista a dezoito ou vinte milhas de distância.
Sua majestade manda, por esta ocasião, prevenir o sobredito funcionário de que encomendará em França, para ser estabelecido no mencionado local, um farol lenticular de segunda ordem, do sistema de Mr. Fresnel, e semelhante ao que se destina ao Cabo Mondego, cujo desenho se lhe envia, com a diferença, porém, de ser girante para o distinguir dos faróis que lhe ficam ao norte e ao sul daquele porto"
A Barra de Aveiro tinha sido aberta em 1808 e eram conhecidos os riscos que ela oferecia à entrada das embarcações, "com prejuízos que podem resultar à humanidade e ao comércio", como se sublinha na referida portaria.
No mesmo artigo de Francisco Ferreira Neves, lembra-se que a comissão nomeada para a determinação do local em que deveria ser construído o farol deu o seu trabalho por concluído em 11 de Julho de 1858. Entretanto, os naufrágios sucediam-se entre o Cabo Mondego e a Foz do Douro, "por falta de sinalização luminosa nesta parte da costa marítima".
Os trabalhos não foram tão céleres quanto seria de desejar, o que levou o ilustre parlamentar José Estêvão a pedir ao Governo, em 4 de Julho de 1862, na Câmara dos Deputados, a construção de um farol na nossa costa. No ano seguinte, em 15 de Setembro, a Câmara Municipal de Aveiro apresentou a el-rei D. Luís uma exposição, requerendo a edificação de um farol ao sul da barra.
Para justificar a sua petição, a autarquia aveirense recorda que importa "evitar os naufrágios que tão frequentes se têm tornado nestes últimos tempos, no extenso litoral entre o Cabo Mondego e a Foz do Douro". E acrescenta: "Ninguém pode duvidar, Senhor, que numa costa tão extensa como acidentada, em que as restingas ou cabedelos se formam pela violência das correntes, cuja direcção varia diariamente, um farol evita que os navios, que singram próximo de terra, se enganem no rumo, vencendo as dificuldades da navegação sem correrem o risco de naufragar nos bancos de areia, às vezes em noites bonançosas, como infelizmente tem sucedido entre nós."
A resposta do Governo não tardou. No dia 26 de Setembro de 1863, uma portaria governamental ordena que se fizesse o projecto e o orçamento. O projecto foi concluído em 5 de Abril de 1884 e os trabalhos da construção iniciaram-se em Março de 1885.
A inauguração oficial do farol aconteceu em 31 de Agosto de 1893.

Fernando Martins

Nota: Texto escrito em 2006

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

1.º Óbito realizado na freguesia da Gafanha da Nazaré

07-05-1911


Neste dia, às dez horas da noite, faleceu numa casa do “Pharol da Barra”, Joaquim Francisco Gafanhão, de cinquenta anos, pescador e casado com Maria de Jesus, o qual recebeu os “sacramentos da Santa Madre Igreja”, natural desta freguesia, filho legítimo de António Francisco Gafanhão e de Ana de Jesus, jornaleiros, naturais desta freguesia, o qual não fez testamento. Deixa filhos menores e foi sepultado no cemitério público da vila e freguesia de Ílhavo.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Gafanha da Nazaré: 1.º Matrimónio


17-06-1911


O primeiro matrimónio celebrou-se nesta data, na então chamada capela da Cale da Vila, Gafanha da Nazaré, a servir de matriz provisória. Domingos José Soares e Maria de Jesus da Silva consorciaram-se em cerimónia presidida pelo pároco encomendado João Ferreira Sardo, que os uniu, tendo também procedido “à bênção do anel”.O Domingos tinha 22 anos de idade, era solteiro e pescador, natural e morador na freguesia da Murtosa e nela baptizado, filho legítimo de José António Soares e de Maria Joaquina de Oliveira, naturais da mesma freguesia, concelho de Estarreja, Diocese do Porto; a Maria de Jesus tinha 23 anos de idade, era solteira e jornaleira, natural da freguesia da Gafanha, filha legítima de Manuel Fernandes Casqueira e de Rosa de Jesus, naturais desta freguesia. Foi baptizada na freguesia de Ílhavo. Serviram de testemunhas no baptizado João Peixoto, casado e jornaleiro, e Joana de Jesus Casqueira, casada e seareira , naturais desta freguesia e nela residentes. Cônjuges e padrinhos não assinaram, “por não saberem escrever”.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Pérola de Sesimbra, que saiu do Estaleiro Mónica


Pérola de Sesimbra - 1997



Pérola de Sesimbra - 2004

A traineira Pérola de Sesimbra, que foi construída nos Estaleiros Mónica, ainda anda na faina. A prova disso está nas fotos, que me foram enviadas por Miguel Lourenço, neto do armador que a mandou construir. Nas fotos, que teve a gentileza de me enviar, chama a atenção para o seguinte: "O mastro da  traineira  e dois terços do casco mantêm-se. Na primeira foto utilizava-se o alador de braço e na segunda pode ver-se  o quadraplex alador, utilizado 100 por cento nas traineiras do norte."

O primeiro baptizado realizado na Gafanha da Nazaré

11-09-1910: Baptizado n.º 2


Não se sabendo quando, de facto, se concretizou a aplicação do decreto do Bispo de Coimbra da erecção canónica da freguesia, apesar do Padre João Vieira Rezende dizer, na sua Monografia da Gafanha, que tal aconteceu no dia 10 de Setembro de 1910, sabe-se, todavia, que o primeiro Prior da Gafanha da Nazaré, Padre João Ferreira Sardo, baptizou, no dia seguinte, 11, Alexandrina, “na Capella da Calle da Villa, d’este logar da Gafanha e freguesia de Nossa Senhora de Nazareth, do mesmo logar servindo provisoriamente de Egreja parochial da freguesia de Nossa Senhora de Nazareth, concelho d’Ilhavo, Diocese de Coimbra”, na qualidade de pároco encomendado.
Alexandrina, a primeira pessoa baptizada na nossa paróquia, com o assento n.º 2, nasceu em 26 de Agosto, sendo filha legítima de Domingos Ferreira e de Joana de Jesus, jornaleiros, naturais desta freguesia e nela residentes e recebidos na freguesia de Ílhavo.


NOTA:  O assento n.º 1 apenas apresenta o nome de Maria, sem qualquer outra anotação no corpo da primeira página. Porém, na margem esquerda, debaixo do nome referido, tem a anotação de que faleceu a 28-11-1910.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Agrupamento Musical "Contest"



A ideia de formar o "Conteste" surgiu no Verão de 1990, quando alguns elementos se juntaram e começaram a tocar umas músicas para os amigos e a colaborar com comissões para conseguirem angariar fundos. Depois veio a aquisição de uma aparelhagem de som e o grupo começou a ficar conhecido.

Teclas - Marco
Bateria - Miguel
Baixo Eléctrico - Jacinto
Guitarra Eléctrica - Esgueirão
Vocalista - Pedro

O Técnico de Som era o António Gomes

Fonte - Revista Comemorativa do 35.º aniversário do GDG

1992

Mestre Lourenço de Sesimbra fez amizades na nossa terra


Pérola de Sesimbra antiga

Avô Lourenço com mestre Mónica

Pérola de Sesimbra no estaleiro 

Miguel Lourenço, de Sesimbra, teve a gentileza de entrar em contacto comigo, a propósito de temas marítimos. Mora em http://www.sesimbra.blogspot.com/, onde, na opção barcos, há temas que recomendo.
O Miguel é neto de mestre Lourenço Caparica, que se relacionou com os Mónicas, nomeadamente com o Arménio, filho do mestre Manuel Maria Bolais Mónica. A traineira "Pérola de Sesimbra", construída pelos Mónicas, será, provavelmente, segundo o Miguel Lourenço, o último barco dos estaleiros da Gafanha, ainda em actividade.
O Miguel informa também que o seu avô era amigo do armador do “Jesus nas Oliveiras, tendo feito amizades em Aveiro, com o mestre Zé Pata, que se mudou para Peniche.
Não posso deixar de sublinhar a importância deste contacto, à semelhança de outros que nos ajudam a construir história, oferecendo-nos, quantas vezes, gratas recordações.
Obrigado, Miguel.

Fernando Martins