sábado, 28 de maio de 2016

A Ponte da Cale da Vila que ruiu

Um pouco de história 


A ponte da Cale da Vila, Gafanha da Nazaré, ruiu no dia 29 de novembro de 1994, sendo presidente da Câmara Municipal de Ílhavo Humberto Rocha, o primeiro gafanhão a liderar o executivo municipal. 
Consultei-o um dia destes para esclarecer certas dúvidas, por muito pouco se falar do assunto que nos separou literalmente da cidade de Aveiro até 3 de janeiro de 1995. 
Humberto Rocha teve a gentileza de partilhar connosco registos do seu diário. Nesse dia, escreveu que «a ponte da Cale da Vila sobre o Canal dos Bacalhoeiros ou do rio Boco ruiu!», acrescentando: «Parece impossível, mas aconteceu!...»
Refere que no dia seguinte, 30-11-94, «o trânsito [ficou] caótico nas nossas estradas». E sublinhou que no dia 2 de dezembro do mesmo ano participou numa reunião no Governo Civil para tratar do problema. Com elementos da GNR foram estudados percursos alternativos e no dia seguinte esteve cá o Secretário de Estado das Obras Públicas, que nada adiantou. 
A 29 de dezembro as obras decorriam em bom ritmo, «mas parece não mais acabarem». E na passagem do ano Humberto Rocha comemorou a entrada do ano novo sobre a ponte com elementos da GNR, distribuindo bolo-rei pelos cansados trabalhadores», em espírito de estímulo e de agradecimento pelo esforço despendido.  A ponte foi reaberta ao trânsito na terça-feira, dia 3 de janeiro 1995.
A recuperação da Ponte da Cale da Vila demorou, afinal, pouco tempo, ao todo um mês e três dias. Faltavam uns pequenos arranjos, que podiam ser feitos com a ponte transitável, salientou Humberto Rocha.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Gafanha da Nazaré — Sexta Década

1960-1969
A ponte que ruiu em 1994
Cada década está recheada de acontecimentos, qual deles o mais expressivo. Mas há alguns que deixaram marcas indeléveis, pela negativa, que jamais poderão ser apagadas da alma do povo. Refiro-me à Guerra Colonial que, alimentada por obsessões irrealistas e por princípios políticos ultrapassados, feriu Portugal e os portugueses.
Com o Concílio Vaticano II, anunciador de novas esperanças para a Igreja e para o Mundo, aconteceu o contrário da guerra: as marcas foram agora pela positiva. A Igreja aceitou o desafio de João XXIII e varreu os bolores e o pó dos corredores do Vaticano, deixando entrar rajadas de ar fresco.
O concílio abriu as portas à discussão e à reflexão no dia 25 de Dezembro de 1961 e encerrou os seus trabalhos no dia da Imaculada Conceição, 8 de Dezembro, do ano de 1965. Uma nova caminhada eclesial saltava os muros do Vaticano e abria-se ao mundo.
Em 1962, é nomeada Bispo de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade, com o Concílio Vaticano II já a decorrer, sendo considerado, por isso, um bispo conciliar. Entrou na nossa diocese em 23 de Dezembro daquele ano, depois da sua ordenação episcopal, em 16 do mesmo mês.
A Gafanha da Nazaré dá mais um salto nos caminhos do progresso, atingindo a categoria de vila, em respeito pelo seu crescente incremento industrial, aliado à sua situação geográfica, que lhe granjeou posição de excepcional relevo no conjunto portuário de Aveiro. Ainda se intensificou a emigração para França e Alemanha, sobretudo. 
A inauguração da ponte da Gafanha, junto à Friopesca, com a presença do ministro das Obras Públicas, Eng. Arantes e Oliveira, e demais autoridades locais e regionais, também aconteceu nesta década. Mas a nova ponte veio a ruir em 29 de novembro de 1994, por força das correntes que, activadas por aterros laterais ali colocados inadvertidamente, puseram a nu pilares centrais. Foi reaberta no dia 3 de janeiro de 1995.


Destaques nesta década 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Seca do Bacalhau na Gafanha


Quando tenho uns minutos livres, costumo procurar assuntos ligados à nossa terra e região. Hoje ofereço para apreciação uma foto, obviamente de má qualidade, publicada no "Arquivo do Distrito de Aveiro", n.º 28 de 1941, volume VII, página 310. Trata-se de uma seca do bacalhau, sendo visíveis as tinas onde era lavado o fiel amigo. O ambiente mostra que essa tarefa era feita ao ar livre. 

POSTAL ILUSTRADO — RIA DOUTROS TEMPOS

O postal que reproduzo acima é mesmo um postal ilustrado, não com as cores naturais, mas com tonalidades que eram um luxo para a época....