GAFANHA DA NAZARÉ: Cortejo dos Reis

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TRADIÇÕES PARA ESPEVITAR A MEMÓRIA
No domingo, 11 de Janeiro, vivi o Cortejo dos Reis experimentando a proximidade com as pessoas, muitas delas envolvidas na vivência desta antiga e sempre renovada tradição. Para quem gosta da sua terra, o encontro com alguns conterrâneos proporcionou-me a oportunidade de voltar aos tempos em que eu, menino, com meu irmão, mais novo três anos, participámos no Cortejo dos Reis, de uma ponta à outra, cada um com a sua cana às costas. Na ponta da cana lá ia a prenda para o Menino Jesus. Não consigo recordar toda a pequena carga, mas dela fazia parte um chouriço, um pequeno bacalhau e umas laranjas. Tudo o mais se varreu. Mas também é verdade que os nossos frágeis ombros não suportariam muito mais. O meu pai levou-nos até Remelha, de bicicleta, como era hábito na altura, entregando-nos ao cuidado de pessoa sua conhecida. Ainda me lembro de ouvir a minha mãe dizer que estaríamos assim a pagar uma sua promessa, coisa que na altura não compreendi. Mas se ela dizia que tínhamos de ir no Cortejo, não haveria razões para discordar. Recordo-me, com que saudade, de que, mal o cortejo chegou à igreja, eu e o meu irmão corremos para casa com os presentes ao ombro. Estava terminada a promessa. Quando entrámos na cozinha, os meus pais ficaram admirados e logo nos questionaram: - Então não deixaram os presentes para o Menino Jesus, como vos recomendei? Respondemos com o silêncio. A minha mãe, mulher prática, resolveu a situação. - Vai lá, Armando, e paga os presentes. E assim foi. Afinal, as tradições são sempre excelentes motivos para reconstruirmos as nossas histórias de vida. Fernando Martins

Comentários

Diannus do Nemi disse…
Certamente.

Pois são as raízes da árvore que a tornam profunda e forte.

Adorei o blog,

Abraço.

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