Filarmónica Gafanhense celebra aniversário




Se as mordomias não colaborarem, 
qualquer dia temos conjuntos 
a tocar nas procissões 


No domingo, 14 de outubro, a Filarmónica Gafanhense, também conhecida por Música Velha, celebrou o seu 176.º aniversário, com um concerto no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré. Do programa, vasto e variado, destacamos as atuações de quatro grupos, denominados Ensemble de Metais, Ensemble de Clarinetes, Ensemble de Saxofones e, ainda, o grupo de bandolins, que antecederam a Banda & Coro. 
Antes, na manhã do mesmo domingo, a Filarmónica foi em romagem ao cemitério da Gafanha da Nazaré para homenagear os executantes, dirigentes e seus familiares já falecidos, tendo participado ainda na missa das 11.15 horas, que solenizou com música e cânticos litúrgicos. 
Como de costume, a Música Velha brindou a assistência com todo o seu potencial artístico, sendo de realçar a participação de muitos jovens formados nas escolas da própria Filarmónica, não tendo sido regateados aplausos. 
Este aniversário proporcionou a oportunidade de ouvir o presidente da direção, Carlos Sarabando Bola, que fez questão de sublinhar, como grande preocupação da Filarmónica Gafanhense, a falta de uma sede condigna, «para fazer formação aos jovens e para os ensaios».
Carlos Sarabando referiu que a Associação está à espera de uma promessa antiga da Câmara Municipal de Ílhavo, promessa essa que se consubstanciaria na construção da Casa da Música. Porém, logo salientou que, «como estamos a atravessar uma crise muito grande, sob o ponto de vista económico, vai ser difícil concretizar o sonho que há tanto tempo ansiamos». 
O presidente da Filarmónica disse que a banda presentemente está a ensaiar no Stella Maris, do Apostolado do Mar, propriedade da Diocese de Aveiro e atualmente desativado, mas nada sabe quanto ao futuro. 
A Música Velha envolve 90 pessoas, divididas pela banda, coral e outros grupos, bem como pela escola de formação. Além do maestro, que é também o diretor artístico, há executantes que frequentam o conservatório e que já ensinam os candidatos a músicos. Entretanto, por proposta do INATEL, que cedeu bandolins, foi criada uma aula para ensino e aprendizagem deste instrumento de cordas. O professor vem de Coimbra, todas as semanas, informou Carlos Sarabando. 
A Filarmónica Gafanhense deu já, este ano, oito concertos em diversas localidades, estando previstos mais alguns, especialmente o de Natal. Contudo, aquele dirigente reconhece que os concertos em festas profano-religiosas estão a decair, porque as mordomias têm estado a dar preferência a grupos musicais da área popular e do rock, ficando as filarmónicas com as procissões e pouco mais. «É pena que estejam a diminuir os concertos nas festas porque os músicos estão a aprender e a ensaiar durante todo o ano para tão poucos concertos e quase só para as procissões, obrigando as associações a suportarem enormes despesas; se as mordomias não colaborarem, qualquer dia temos os conjuntos a tocar também nas procissões», concluiu o nosso entrevistado. 

Fernando Martins

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