Para a história do Grupo Desportivo da Gafanha


Vamos hoje falar de coisas diferentes, porque o passado da nossa terra também interessa e no fundamental,  falando do GDG de que foste o pai  e que ajudei no parto

Como te deves lembrar, o GDG renasceu numa pequena sala que havia na Igreja, numa reunião a pedido do falecido Padre Domingos. Estiveram presentes o Zé Henrique, Nelson Mónica,  Carlos Sarabando,  João Pata e eu. Claro que aí apareceu o trabalho do Professor Fernando,como autor dos Estatutos do GDG e que nós aproveitámos.
Renasceu o Clube e,  contra ventos e marés,  e graças à vontade de muitos gafanhões, continua vivo e cada vez com mais força.Não só pelas vitórias que vai tendo, mas fundamentalmente pela extraordinária força das suas camadas jovens e no extraordinário número de atletas que fazem parte deste grande colectivo. Mas hoje só  queria contar a história mais extraordinária, a que assisti durante os vários anos que por lá passei.
Como te lembras,  eram muitos os rapazes de S. Jacinto que faziam parte das nossas equipas de Futebol Juvenil.
Um certo domingo, íamos nós jogar para os lados de Anadia. Chego ao Forte da Barra, estava um temporal tremendo. As ondas da nossa Ria galgavam a muralha que ladeava a estrada para o Forte da Barra.
Chego ao Forte e lancha que vinha de S. Jacinto nem ela nem eu. Devido ao tremendo temporal, a lancha tinha ficado retida em S. Jacinto. Estamos feitos,  disse eu para o Manel Leitão, que na altura fazia a manutenção do campo e dos equipamentos. Chovia torrencialmente.
Mandei colocar os equipamentos na camioneta e disse para o Leitão: Quem não tem cão caça com gato.Jogamos com o que houver. Mas, por casualidade,  olhei para o fundo da estrada de saibro que passava ao Campo dos Cavalos e vi lá ao fundo um vulto que corria e esbracejava. Se calhar quer boleia, pensei eu. Mas, conforme o vulto se ia aproximando,verifiquei que se tratava de um dos jogadores da equipa, natural de S. Jacinto.
Claro que fiquei extraordinariamente emocionado, embora não deixasse de lhe passar um grande raspanete. Tratava-se do NENO, que tinha pegado num bote e que, a remos,  tinha atravessado a RIA para cumprir as suas responsabilidades.
Uma atitude que jamais esqueci e que levou a Federação Portuguesa de Futebol a condecorá-lo. Os grandes homens fazem-se de atitudes como esta .
O NENO emigrou para os Estados Unidos e voltei a vê-lo na Murtosa alguns anos passados. São exemplos de deviam servir a quem serve o Gafanha.
Coisas boas de quem serviu o Gafanha e que ficaram na minha memória.

Um abraço,

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