A Rua da Saudade convoca-nos para a lembrança dos nossos entes queridos





A Rua da Saudade ladeia o cemitério da Gafanha da Nazaré. Como o próprio nome indica, convoca-nos para a lembrança dos nossos entes queridos, amigos e conhecidos, com quem nos cruzámos nos caminhos da vida. Agora só nos vêm à memória com recordações que nos fazem reviver tempos agradáveis e às vezes menos agradáveis.
Quando entramos no cemitério, é certo e sabido que, de uma ponta à outra, recordamos tantos rostos, tantas histórias, tantas vivências, mas também algumas ausências junto de familiares e amigos a quem nem sempre demos a devida atenção. A Rua da Saudade serve ainda para nos sugerir, a nós, crentes, uma oração dirigida ao Senhor de todos os dons, para que cuide dos que ali repousam, acolhendo-os no seu seio misericordioso.
O Cemitério Paroquial, como foi designado na altura da sua construção, foi benzido no dia 25 de julho de 1921. E com a sua inauguração, os falecidos na Gafanha da Nazaré deixaram de ser sepultados no cemitério de Ílhavo, acabando o sacrifício que isso representava, tanto na altura dos óbitos como nos dias de Todos os Santos e Fiéis Defuntos.
Sem acessos fáceis, os funerais tornavam-se um trabalho penoso e demorado. A pé até Ílhavo, as populações reclamavam um cemitério na freguesia, o que só veio a acontecer naquele ano. Avançando com um pouco de história, lembramos que o nosso cemitério foi sucessivamente acrescentado em 28 de dezembro de 1933 e em abril de 1939. Em 16 de julho de 1938 a Câmara pagou 1150 escudos pela planta do cemitério da Gafanha da Nazaré, certamente para legalizar as diversas alterações entretanto feitas.
Sublinha o livro “Gafanha – Nossa Senhora da Nazaré” que em 21 de novembro de 1926 a Junta de Freguesia “deliberou oferecer o terreno para a sepultura do Prior Sardo» e que em 19 de dezembro do mesmo ano foi reconhecido «que o Cemitério está todo tomado e que era urgente tomar as devidas providências para adquirir uma parcela de terreno para a sua ampliação», o que veio a acontecer em março de 1927». Em 27 de Janeiro daquele ano foi decidido abrir a estrada do cemitério.
A Capela das Almas começou a ser construída em outubro do mesmo ano. Foi dada por concluída em 30 de dezembro de 1933. As obras de ampliação e de melhoramentos continuaram através dos tempos até aos nossos dias, sendo de sublinhar que, por força do desenvolvimento demográfico da freguesia, essas obras se tornaram frequentes, desde a inauguração do cemitério até hoje.
Nos últimos tempos, registaram-se significativos melhoramentos: novos talhões bem alinhados, Jazigo dos Priores da Gafanha da Nazaré, e Capela Mortuária (junto à igreja matriz), construída pela Câmara Municipal de Ílhavo, presentemente sob administração da Junta de Freguesia.

 Fernando Martins

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