TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 326



POSTAL DO PORTO – 191 



O CORTEJO DE REIS 

Caríssima/o: 

Já não me lembro de o dia 6 de janeiro calhar ao domingo. Este ano é, pois, especial e permite que o dia de Reis se festeje como gostamos: no seu dia! Bem, isto é só uma maneira de falar que nem desabafo chega a ser… 

Epifania… Dia de Reis! 

Haja festa e cortejo! 

Era tradição na nossa Terra (e creio que ainda é) ser esta a primeira grande festa, manifestação popular. Agora o que nem toda a gente pensa é no muito trabalho necessário para que o povo saia para a rua e se regozije a gosto e a preceito. Só um pequeno exemplo: os cânticos e os ensaios… 

Claro, para que saia tudo bem e até pareça que é mesmo assim, todos vamos atrás e cantarolamos e gostamos e estava tudo tão certinho, houve muito trabalho, muita canseira, uma montanha de organização. (Só cá para nós: sabes quando começam os ensaios?) 

De facto, estes ensaios são um quebra-cabeças à prova de bala: horários que convenham a todos, espaços para se reunirem, escolha das músicas e dos cânticos, instrumentistas e instrumentos… E a chuva? E o frio? E o sono? 

Mas o cortejo correu bem, com muita animação, o tempo até ajudou, os donativos razoáveis, … para o ano cá estaremos novamente, para adorar o Menino! 

Lembremos e prestemos a nossa homenagem aos que, por “amor à camisola”, participam, colaboram e animam a Comunidade para que esta se sinta feliz e envolvida nesta atividade cuja realização se perde na memória dos tempos. 

De uma forma especial, queria reverenciar os ensaiadores que, ano após ano, são a alma de todos estes festejos. Na pessoa do senhor Rocha [Manuel da Rocha Fernandes Júnior, n. 6-01-1907, +18-04-1985], que foi ensaiador de excelência, deixo a minha gratidão e reconhecimento. 

Um bom e animado Cortejo de Reis vos deseja o 

Manuel


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