MOVIMENTO APOSTÓLICO DE SCHOENSTATT - 1

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Quem hoje visita a Gafanha, ou nela vive, não pode deixar de passar pelo Santuário de Schoenstatt ou de sofrer, directa ou indirectamente, a influência da sua espiritualidade, tão bem ela casou com a maneira de ser destas gentes. De facto, o Movimento Apostólico de Schoenstatt, fundado em 18 de Outubro de 1914, na localidade do mesmo nome, na Alemanha, pelo Padre José Kentenich, entrou na Gafanha da Nazaré para dar os primeiros passos em 1970, com a vinda do Padre Miguel Lencastre para desempenhar as funções de coadjutor, e após a adesão do prior de então, Padre Domingos. Como é característica fundamental da sua missão, o Movimento necessitava de um Santuário, fonte de graças e local de veneração da «Mãe, Rainha Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt», Santuário esse que tinha de ser, como todos são, cópia fiel do original, e em torno do qual se desenvolveriam acções de âmbito espiritual e extensivas a todos os grupos etários, já que está vocacionado para despertar vivências apostólicas junto de jovens de ambos os sexos, mães, senhoras, Irmãs e Padres, quer regulares, quer seculares, sem esquecer os doentes e quantos desejam colaborar na formação de «um novo tipo de homem e de uma nova comunidade». O Movimento de Schoenstatt tem um carisma Mariano, Apostólico e Comunitário, e, por inspirador, o fundador (o Pai-Fundador, como é mais conhecido), padre José Kentenich. Os membros deste Movimento estabelecem uma Aliança de Amor com Nossa Senhora, segundo múltiplos graus de pertença, desde o peregrino que visita o Santuário e esporadicamente toma parte em actividades de formação, até aos que ingressam nos Institutos, passando pelos que se vinculam às tarefas de auto-educação, através do cumprimento fidelíssimo do dever e de uma vida cristã autêntica, base essencial da renovação religiosa e moral do mundo. Na Gafanha da Nazaré, o Movimento de Schoenstatt exerce a sua missão a partir do centro Tabor e da Casa de Sião, pelas Irmãs de Maria e pelos Padres de Schoenstatt, estando o Santuário no centro de todas as actividades, numa ligação plena à Igreja. A Família de Schoenstatt baseia-se na imagem da família natural para que, nas comunidades, o Povo de Deus se transforme em família de Deus, aceitando a protecção da Mãe, Rainha Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, através do Santuário, como lar espiritual, onde se presta um contributo decisivo às tarefas que a Igreja, em especial, e o Vaticano II, em particular, têm indicado ao mesmo Povo de Deus. Porque acredita que a liberdade é um dom fundamental da pessoa humana, o Movimento tem como determinantes o princípio: Liberdade quanto possível; Vínculos só os necessários; e Cultivo de espírito elevado ao máximo. Assim, Schoenstatt quer formar o homem novo, livre e capaz de se decidir, que sabe usar as coisas do mundo, estando desprendido delas, e que, com magnanimidade, aspira a ideias elevadas. Em Schoenstatt, Maria anuncia as verdades fundamentais da Fé Católica, tão ameaçadas no dia-a-dia por constantes injustiças e manipulações de toda a ordem que instrumentalizam o Homem cada vez mais, e procura restituir-lhe a dignidade de filho de Deus. O Movimento de Schoenstatt mobiliza e tem mobilizado centenas de paroquianos na Gafanha da Nazaré e noutras paróquias da Diocese. Torna imprescindível, por isso, registar algumas notas do Padre Miguel Lencastre, grande obreiro de toda esta espiritualidade que se respira na região. Ouçamo-lo, pois: «Nos meus começos de coadjutor na Gafanha da Nazaré, procurei pesquisar as possibilidades que se abriram na paróquia e arredores. Por isso mesmo, tentei penetrar apostolicamente em Aveiro e paróquias vizinhas. Desta maneira, ia regularmente ao Colégio do Coração de Maria, tomando contacto com os jovens. Também procurei alguns padres que pareciam ter simpatia pelo Movimento. Cheguei a reunir uns oito ou nove, quase todos Aveiro. Em Novembro de 1970, dava-se um facto, a meu ver muito importante. O «Símbolo do Pai», vindo da Suíça, fazia pela 1ª vez a sua entrada em Portugal - Lisboa. Para quem conhece o Movimento, sabe bem o que representava essa visita e toda a corrente de vida e de graças que a acompanhava. Por isso mesmo, desabafei com o P. Domingos Rebelo, dizendo: «Hoje cheira-me a grande caçada. Temos que descobrir a lebre. Ou eu me engano muito, ou este dia vai ficar gravado na história da Igreja e do Movimento em Portugal». E com esta fé, o P. Domingos e eu entrámos no meu carro - o Maresia. Demos uma grande volta, atravessando a paróquia, sem esquecer a Barra. Já no final, o P. Domingos levou-me até aos terrenos da Colónia. Encontrámos uma casa completamente abandonada — hoje Casa de Sião — e uma outra na sua frente, não abandonada, mas quase. Viviam lá colonos, que pouco tempo depois saíram. Ficava no terreno que hoje é o das Irmãs, logo à entrada, um pouco à direita. Junto da primeira casa, o P. Domingos e eu ajoelhámos e rezámos e também sonhámos: E se conseguíssemos fazer daqui um grande Centro Espiritual, talvez mesmo com um Santuário?... Não tínhamos nem um centavo, mas nas mãos de Deus tudo seria possível. E nunca mais esta ideia me abandonou. Com o grupo desses padres simpatizantes de Schoenstatt, procurei transformá-la em realidade. Conversámos e fomos amadurecendo o projecto. Fiz também sondagens a nível das autoridades da Colónia e da Diocese. Em Abril de 1971, chega à Gafanha o P. Celestino Trevisan. Ele ficou entusiasmado com a ideia, e dá-nos a sua força. E no dia 5 de Maio de 1971 esse grupo de padres resolveu escrever uma carta às autoridades competentes, pedindo a cedência gratuita dessa primeira casa abandonada, prometendo em contrapartida a construção de um Centro Social e Espiritual. A resposta veio mais tarde, mas a casa e terrenos só seriam cedidos a título precário. Escreveu-se, então, nova carta. E como o colono da 2ª casa já tivesse saído (ou estava para sair…), pedimos também esta segunda com os seus terrenos anexos. Mas tudo isto demorou o seu tempo. Finalmente, veio o sim tão desejado em 25 de Maio de 1973. Lembro-me do primeiro piquenique lá realizado, com os simpatizantes de Schoenstatt. Foi no dia 12 de Junho de 1972, dia do meu aniversário. Entre outras pessoas, estavam o P. Domingos, Maria Luísa, P. Celestino, minha irmã Margarida, um grupo de Unionistas brasileiras do Rio Grande do Sul, do qual fazia parte Anita Trevisan, uma outra senhora brasileira Flora Adami, além de D. Luz e Belinha. Também com o Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, e os padres do Arciprestado de Ílhavo. D. António dos Santos ainda era pároco. Fizemos lá vários almoços, nas nossas reuniões de zona, com alguns desafios de futebol de permeio. D. Manuel era sempre guarda-redes! E capitão! Chegou depois o final do meu contrato como coadjutor - 30 de Setembro de 1972. Por isso, regresso ao Brasil, assim como o P. Celestino. Passados uns seis meses, regresso à Gafanha - Abril de 1973, desta vez como pároco. Começo de imediato a legalizar a situação dos terrenos, o que me deu grandes canseiras e preocupações, tanto com as autoridades eclesiásticas como com as civis, e também com os superiores do meu Instituto!... Mas, com a ajuda de Deus, tudo se resolve. Isto já em pleno 1974. Em 25 de Abril estoira a revolução nacional! Em Agosto desse ano, promovo um campo de trabalho para estudantes estrangeiros, começando assim as obras de restauro da futura Casa Sião, sem qualquer ajuda económica. Foi tudo na base das boas-vontades. Para dormir, utilizámos as instalações do antigo Lar da Obra da Providência - hoje Jardim-escola. Aí pernoitavam os estudantes. Finalmente, nesse ano de 1974, consegui uma verba da Alemanha, que me permitiu continuar e concluir a Casa Sião. Entretanto, o Movimento na Gafanha crescia. Formaram-se grupos de Mães, um de rapazes e outro de raparigas, além do Movimento das Virgens Peregrinas e da celebração dos dias 18, na Capela da Igreja. Com este crescimento, veio naturalmente a primeira peregrinação oficial ao Santuário de Lisboa, a 14 de Setembro de 1975, inaugurado a 31 de Maio de 1974. Em Lisboa, encontrámos as Irmãs de Maria, recém-chegadas do Brasil. Convidei-as para uma visita à Gafanha. E no dia seguinte viemos de «Maresia» para a nossa paróquia, com passagem por Fátima. As Irmãs, depois de visitarem Porto e Braga, decidiram-se a ficar na Gafanha. O primeiro lugar para onde elas foram, foi para o Jardim-escola, que havia sido fundado nessa própria altura, talvez começos de Outubro! Mas, pouco tempo depois, passaram para a Casa Sião, e mais tarde para o Tabor. E daqui para a frente a história é bastante conhecida.»
Fonte: Gafanha Nª Sª da Nazaré (Monografia da Paróquia) de Manuel Olívio da Rocha e Manuel Fernando da Rocha Martins
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Comentários

Rosa Maria Bola disse…
Hoje, numa tentativa de procurar saber de amigos de quem sinto saudades, O Padre António Maria e do Padre Miguel, encontrei este espaço maravilhoso. Quero mais que tudo dar os parabéns ao srº. Professor Fernando e desejar que Deus lhe dê forças por muitos e bons anos de vida, para que este trabalho exista e continue a evoluir. Um bem haja desta Gafanhoa que também o admira.

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