domingo, 12 de agosto de 2012

Tecendo a vida umas coisitas - 303



PITADAS DE SAL – 33



O VESTUÁRIO DOS MARNOTOS
Caríssima/o:

Olhando para as imagens que encabeçam o escrito e tendo presente o dito chinês que põe uma imagem a valer mil palavras, o melhor que teria a fazer era silenciar-me tantas e tão díspares mensagens nos ficam disponíveis. Se não, surge a tentação da interpelação…
Se hoje é assim (ausência quase total de tecido a cobrir e proteger o corpo), como foi outrora?
As reconstituições folclóricas respondem-nos:

« No século XIX, o operário salícola trajava
manaia (espécie de calção)
e camisa branca em linho ou tecido cru, sem colarinho e sem punhos;
faixa preta ou encarnada;
barrete de fazenda de lã ou chapéu preto de aba larga
e lenço vermelho de algodão estampado.»

Podem acrescentar-se alguns pormenores:
As manaias, bragas ou calções, seriam largos de cor azul em algodão;
A camisa também poderia ser de lã branca;
Faixa preta ou encarnada à cintura;
O chapéu preto de feltro e o barrete de fazenda de lã;
O lenço preso com uma caixa de fósforos.

Já agora digamos que «o pescador diferenciava-se no vestir com seu carapuço preto de lã, camisa axadrezada em quadros de uma só cor e ceroulas de iguais padrões, tudo em lã, enquanto à cinta vestia uma faixa preta de semelhante qualidade, com franjas nas extremidades. De uma maneira geral, pelo final do outono e no inverno, todos usavam o tradicional gabão com mangas, romeira e capuz, de burel à semana, preto para festas e uso dominical».

E para terminar só uma olhadela para a salineira que «usava saia garrida comprida e blusa de motivos claros, com rendas nas mangas; por cima da saia, um avental de serguilha e, sobre a blusa, um xaile colorido, de franjas longas, traçado da esquerda para a direita; normalmente, andava descalça ou calçava chinelas pretas envernizadas, enquanto que na cabeça usava um chapéu de aba larga arqueada, onde prendia um lenço de lã, também garrido».

                                                                         Manuel

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Crepioca de Sr. Bacalhau

Fonte: Agenda "Viver em..." da CMI