quinta-feira, 29 de março de 2012

“São Tiago de Vagos”

Um livro de Manuel António Carvalhais




Com edição da Fábrica Paroquial de Vagos, foi publicado em 2011 o livro “São Tiago de Vagos”, um excelente trabalho de Manuel António Carvalhais, pároco da freguesia do mesmo nome. Trata-se de uma edição destinada ao povo vaguense, mas que pode ser lido por toda a gente, mormente pelos que têm as suas raízes nas povoações do arciprestado de Vagos, terra de Santa Maria, desde os primórdios da nacionalidade. 
O autor afirma no Prólogo que, como pastor-presbítero, não pode olvidar «que o património da Igreja é a própria Igreja ou, se quisermos, o coração de cada cristão, aberto às verdades evangélicas, cumpridor esforçado dos valores cristãos, pleno de afectos ao seu semelhante e a Deus, fonte por excelência de toda a Arte e Beleza». E acrescenta: «Guardiã e gestora dos bens e da arte que foi acumulando ao longo dos séculos, a Igreja deve proteger toda esta riqueza patrimonial, quer da cobiça desenfreada dos ladrões ou da fome voraz dos xilófagos, quer, pela positiva, servir-se dela com objectivos catequéticos para melhor aprofundar e anunciar os mistérios recebidos do Senhor Jesus.» 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Câmara de Ílhavo aprova pedido da criação da freguesia-paróquia da Gafanha da Nazaré

28 de março de 1910 



Alberto Ferreira Pinto Basto


Recordamos hoje a sessão da Câmara Municipal de Ílhavo em que foi aprovado o pedido da criação da freguesia-paróquia da Gafanha da Nazaré. Sublinhamos a ausência na votação do nosso Padre João Ferreira Sardo, vereador e vice-presidente da autarquia, então capelão da nossa terra, provavelmente por não querer ser juiz em causa própria. 
Diz a ata, no que nos diz respeito:


«Foi lida e approvada a acta da sessão anterior para ser para aqui transcripta em conformidade das disposições legaes. 
Foi presente um offício do Administrador d’este concelho n.º 90 de 24 do corrente, acompanhado d’uma representação dirigida a Sua Magestade, dos habitantes do logar da Gafanha d’esta freguesia e concelho, na qual pedem a criação d’uma freguesia com sede no referido logar da Gafanha, para que a Camara se digne dar o seu parecer á cêrca d’este assumpto como determina o artigo 3.º § 4.º do Codigo Administrativo. A Camara depois de ter discutido este assumpto e considerando que o referido logar da Gafanha tem os elementos necessários para se poder constituir numa freguesia; — considerando que os povos do mesmo logar se acham separados da séde da actual freguesia por uma grande extensão de areia solta, cuja travessia se torna bastante encomoda; — considerando que, sendo este concelho constituído por uma única freguesia, que hoje conta cêrca de 15 mil almas, o seu parocho e regedor não conhecem grande numero dos seus habitantes, o que sobremaneira embaraça o serviço publico: por isso é a mesma Camara de parecer que deve ser criada uma outra freguesia com séde no mencionado logar da Calle da villa d’este concelho.» 

Alberto Ferreira Pinto Basto
Benjamim Ferreira Jorge
Manoel Nunes da Graça
Júlio Nunes Rafeiro
Abel Augusto Regalla

Salientamos alguns dados curiosos, nomeadamente, a certeza de que a povoação tinha «os elementos necessários para se poder constituir numa freguesia (…); que os povos do mesmo lugar se acham separados da sede da atual freguesia por uma grande extensão de areia solta, cuja travessia se torna bastante incómoda (…); e que, sendo este concelho constituído por uma única freguesia, que hoje conta cerca de 15 mil almas, o seu pároco e regedor não conhecem grande número dos seus habitantes, o que sobremaneira embaraça o serviço publico». 
Repare-se na rapidez com que o processo foi despachado. Em 24 de março de 1910, o Administrador do Concelho envia o pedido de parecer, em 28 do mesmo mês a Câmara de Ílhavo responde favoravelmente e em 23 de junho de 1910 D. Manuel II decreta a criação da freguesia. Em 31 de agosto de 1910 o Bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, aprova a constituição da paróquia. 

Fernando Martins

terça-feira, 27 de março de 2012

Um passeio à Curia


O José Rocha, mais conhecido por Rochinha, emigrante, ainda meu parente e neto de João Maria Facica, que viveu na Cale de Vila, Gafanha da Nazaré,  teve a amabilidade de me enviar uma foto de um passeio de autocarro à Curia, em  1954. Sublinha o Rochinha que neste passeio participaram seus e  companhia... Presumivelmente, o autocarro seria da Auto Viação Aveirense.
E quem identifica este pessoal?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Passeio a Águeda, no tempo do Padre Bastos



Por gentileza do Ângelo, aqui está mais uma fotografia, registada durante um passeio a Águeda, organizado pelo Padre Bastos. Recordo que o Padre Bastos foi pároco da Gafanha da Nazaré entre 24 de abril de 1948 e 18 de novembro de 1950. Portanto, esta foto tem mais de meio século. É obra. Já agora, quem é que identifica esta juventude? Dão-se alvíssaras!


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Mais uma achega do Ângelo Ribau


 De cócoras: - Carlos Belo, Nelson Mónica e Oscar Simões
 De pé:         - Manuel Olivio, Diamantino Ribau, Altónio Alves (Drogas), Fernanda Conde, Manuela ?, Maria do Nico,   ??  Filho do Sr. Júlio  de Aveiro, Eduardo Correia, Raul Ventura, ??, Manuel Sardo.
Por trás      - ?? Creio que era irmão do que está ao lado do Manuel Sardo.

domingo, 25 de março de 2012

A BOTADELA




Depois das limpezas e das reparações adequadas, a salina está preparada para produzir o sal...

Veja aqui

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Os abusadores da velocidade



O susto do primo Jorge



«Neste momento, me veio à mente, que vi uma vez o primo Jorge bem zangado. Foi a única vez que o vi assim. Era seu costume, em certos dias de cada mês, ir à Capitania de Aveiro, receber a sua pensão de reforma. Estando ele à espera do autocarro da A.V. Aveirense para o regresso, eis que aparece o Carlos Branco, que lhe ofereceu uma boleia de mota. 
O Carlos Branco era um rapaz da Gafanha do Carmo, bem nosso conhecido, até porque tinha sido meu companheiro da tropa, no Regimento de Infantaria 10, em Aveiro; e que ao tempo era o chefe das oficinas de serralharia da JARBA [Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro]. Era, o que se pode dizer, e sem favor, uma excelente pessoa. Tinha o seu “fraco” pelas motas e era entusiasta das grandes velocidades. 
Então o parente Jorge aceitou a boleia. Escarranchou-se na mota, agarrou-se muito bem à cintura do Carlos, e em escassos minutos estavam de chegada. O pior foi que o parente Jorge não ganhou para o susto, que foi tão grande, que mal se sustinha nas pernas e sem cor nem fôlego. 
Logo que se recompôs e pôde falar foi para “soltar o gado” ao Carlos, mas de que maneira… O Carlos ouviu e nem uma nem duas. Então, para terminar lhe diz: — Tu nunca mais tenhas o atrevimento, em qualquer parte em que eu esteja, de me oferecer boleia, e oxalá que algum dia não te aconteça o pior, que é o que tem acontecido a muitos abusadores da velocidade como tu. (Pouco tempo antes tinha morrido o Hilário Vinagre de mota). 
O velhote Jorge tinha toda a razão, realmente o Carlos abusava da velocidade. Não passou muito tempo, o infeliz Carlos foi vítima da velocidade. Numa reta, na área de Calvão, chocou com uma árvore lateral da estrada e ali encontrou a morte na flor da vida» 

António Augusto Afonso


domingo, 11 de março de 2012

Recordando Dona Gracinda dos Correios


Dona Gracinda

Gracinda Marques da Silva foi uma funcionária dos Correios que trabalhou entre nós até se reformar. Mais concretamente, desde 1946 a 1983. Trata-se de uma pessoa que irradiava simpatia, mostrando-se prestável para toda a gente. Segundo informações que me foram prestadas pelo seu sobrinho por afinidade e meu amigo, Henrique Neves, a Dona Gracinda está presentemente no Lar do Professor, em Aveiro, tem 92 anos, de  saúde frágil, mas com uma lucidez considerável. 

Painel cerâmico

A Dona Gracinda, como era mais conhecida, no seu posto de trabalho ou na rua, nasceu a 19 de Julho de 1919 e iniciou a sua carreira profissional quando terminou os estudos no Liceu Nacional de Aveiro. Entrou nos Correios (atuais CTT) para cobrir faltas de funcionárias, na mesma cidade, em 1943, sendo colocada, posteriormente, no referido ano, em Mira, onde permaneceu até 1946. E neste último ano foi transferida  ainda para a Gafanha da Nazaré, onde se manteve até ser aposentada. 
Na sua residência, em Aveiro, foi encontrado pelos seus familiares o painel cerâmico que ilustra este texto, como sinal de distinção pelo zelo  com que cuidou da casa que habitou, cedida pela empresa. Contudo, a Dona Gracinda nunca o terá exibido, decerto por modéstia.
Daqui a felicitamos pelo que fez pelos gafanhões, desejando-lhe muitos mais anos de vida.

Nota: Os anos passam, mas nem sempre as gerações sucessivas  podem (ou  sabem)  preservar a memória de quem as serviu nos mais diversos cargos públicos ou privados, sobretudo os que cumpriram as suas tarefas profissionais com proficiência e proximidade. É por isso que eu, sempre que posso, dou corpo ao prazer de  recordar pessoas que muito deram à nossa comunidade.

Crepioca de Sr. Bacalhau

Fonte: Agenda "Viver em..." da CMI