Nota: A nossa região tem riqueza gastronómica mais do que suficiente para se impor na restauração e muito para além dela. Folgo em saber que o meu amigo Jorge Ribau, que conheço desde menino, tem asas para voar, alto e seguro, na arte de criar pratos de muito bom gosto, utilizando produtos quase a caírem no esquecimento. Há tempos utilizou os samos e agora oferece-nos os lingueirões de canudo. Os meus parabéns.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
sábado, 13 de janeiro de 2018
RIA DOUTROS TEMPOS
O postal que reproduzo acima é mesmo um postal ilustrado, não com as cores naturais, mas com tonalidades que eram um luxo para a época. Um postal daqueles que os viajantes ou turistas enviavam pelos correios para assinalarem a sua passagem por terras ou paisagens diferentes das habituais dos seus quotidianos. A técnica aplicada não é para aqui chamada, que disso pouco ou nada sei, mas nem por isso deixa de ser agradável à vista. Presentemente, a evolução da arte fotográfica é tão intensa e tão rápida que nos deixa maravilhados. Contudo, este postal ilustrado conseguiu trazer até nós uma realidade que, também ela, está há décadas ultrapassada, mas presente na minha memória.
Os moliceiros cumpriam a sua missão de transportar o moliço que os homens e algumas mulheres apanhavam na laguna, com ancinhos largos próprios para esse serviço, num vaivém contínuo para abastecer os lavradores das Gafanhas e de outras terras ribeirinhas. E nesta zona, com a ponte da Cambeia a obrigar a manobras de arriar o mastro para o moliceiro poder passar, seja na maré baixa seja na alta, o esforço era realmente grande. Assisti a essa manobra várias vezes.
A borda, zona de acesso à ria, naquele local com Farol à vista, desde 1893, era espaço de descanso, dos primeiros mergulhos e primeiras braçadas de meninos, jovens e menos jovens, de apanha de berbigão, ameijoa, lingueirão de canudo, mas ainda de caranguejos fugidios. Também alguns lavradores apanhavam as algas e limos enlameados que a maré alta deixava quando as águas escorriam para o mar, para tornar mais férteis as areias das terras gafanhoas.
Fernando Martins
domingo, 7 de janeiro de 2018
RANGEL DE QUADROS no Forte Novo
1809 - 7 de janeiro
«João Rangel de Quadros, capitão de cavalaria, foi nomeado governador do «Castelo da Gafanha» ou «Forte Novo», assim denominado para o distinguir do «Forte Velho» que existia junto da barra, quando esta ficava a sul da Vagueira, próximo de Mira (Marques Gomes, Memórias de Aveiro, pg. 118; Rangel de Quadros, Aveirenses Notáveis, Manuscrito, I, fl. 172) – A.»
"Calendário Histórico de Aveiro"
de António Christo e João Gonçalves Gaspar
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
GAFANHÕES — Espírito de entreajuda
![]() |
| Casa de lavrador tradicional |
| Casa Gafanhoa de lavrador rico |
Recuando uns 70 anos, tenho presente na minha memória o espírito de entreajuda dos gafanhões, alimentando o sentido de vizinhança. Os tempos são outros, mas a simplicidade de outrora deixou marcas indeléveis na minha maneira de ser e de estar na vida.
Nessa altura, e por muitos anos, economia era maioritariamente de cariz agrícola, como base da subsistência da família, que vendia os excedentes nas praças, feiras e mercados de Aveiro e Ílhavo. No verão, algumas lavradeiras compravam leite aos lavradores para o venderem nas praias, sobretudo aos veraneantes. Tinha duas vizinhas que praticavam esse negócio.
Contudo, sempre que a oportunidade surgia, os homens empregavam-se nas obras da Barra, estaleiros, nomeadamente nos Mónicas (a partir de 1889), construção civil, pescas e trabalhos agrícolas, na abertura de caminhos e estradas, na Mata da Gafanha e nas áreas portuárias, quando tal se tornava possível.
Muito resumidamente, deve dizer-se que entre as populações gafanhoas se cultivava esse espírito de entreajuda nas sementeiras e colheitas, no fabrico de adobos nos areais anexos à Mata da Gafanha, no erguer das casas dos nubentes, na abertura de poços de rega, sempre no sentido de ganhar tempo. Todavia, sendo de meu conhecimento direto, nunca faltava o mestre que seria remunerado.
Nas Gafanhas, havia os Róis de Gado (bovino e suíno), ao jeito de Associação de Socorros Mútuos, «sem personalidade jurídica», como diz o Padre Rezende, mas com direitos e deveres, incluindo penalidades.
FM
NOTA: Registos da minha memória com a colaboração da Monografia da Gafanha do Padre Rezende, primeiro prior da Gafanha da Encarnação.
NOTA: Registos da minha memória com a colaboração da Monografia da Gafanha do Padre Rezende, primeiro prior da Gafanha da Encarnação.
Subscrever:
Comentários (Atom)
ARQUIVO DO BLOGUE
-
►
2025
(6)
- ► dezembro 2025 (1)
- ► setembro 2025 (5)
-
►
2024
(9)
- ► setembro 2024 (1)
- ► julho 2024 (7)
- ► março 2024 (1)
-
►
2023
(14)
- ► outubro 2023 (1)
- ► setembro 2023 (2)
- ► agosto 2023 (11)
-
►
2019
(8)
- ► agosto 2019 (1)
- ► junho 2019 (1)
- ► março 2019 (2)
- ► janeiro 2019 (3)
-
▼
2018
(19)
- ► dezembro 2018 (2)
- ► novembro 2018 (1)
- ► outubro 2018 (1)
- ► setembro 2018 (2)
- ► julho 2018 (3)
- ► abril 2018 (1)
- ► março 2018 (1)
- ► fevereiro 2018 (2)
-
►
2017
(23)
- ► dezembro 2017 (2)
- ► novembro 2017 (5)
- ► outubro 2017 (2)
- ► setembro 2017 (1)
- ► agosto 2017 (2)
- ► março 2017 (4)
- ► fevereiro 2017 (3)
- ► janeiro 2017 (3)
-
►
2016
(49)
- ► dezembro 2016 (1)
- ► novembro 2016 (5)
- ► outubro 2016 (5)
- ► setembro 2016 (9)
- ► agosto 2016 (2)
- ► julho 2016 (5)
- ► junho 2016 (4)
- ► abril 2016 (6)
- ► março 2016 (6)
- ► fevereiro 2016 (2)
- ► janeiro 2016 (1)
-
►
2015
(8)
- ► dezembro 2015 (4)
- ► novembro 2015 (4)
-
►
2013
(102)
- ► junho 2013 (4)
- ► abril 2013 (20)
- ► março 2013 (18)
- ► fevereiro 2013 (19)
- ► janeiro 2013 (35)
-
►
2012
(264)
- ► dezembro 2012 (25)
- ► novembro 2012 (37)
- ► outubro 2012 (35)
- ► setembro 2012 (35)
- ► agosto 2012 (31)
- ► julho 2012 (45)
- ► junho 2012 (5)
- ► abril 2012 (7)
- ► março 2012 (8)
- ► fevereiro 2012 (12)
- ► janeiro 2012 (18)
-
►
2011
(128)
- ► dezembro 2011 (5)
- ► novembro 2011 (8)
- ► outubro 2011 (9)
- ► setembro 2011 (8)
- ► agosto 2011 (8)
- ► julho 2011 (9)
- ► junho 2011 (9)
- ► abril 2011 (19)
- ► março 2011 (16)
- ► fevereiro 2011 (12)
- ► janeiro 2011 (10)
-
►
2010
(63)
- ► dezembro 2010 (3)
- ► novembro 2010 (5)
- ► outubro 2010 (7)
- ► setembro 2010 (10)
- ► agosto 2010 (11)
- ► julho 2010 (11)
- ► junho 2010 (5)
- ► fevereiro 2010 (3)
- ► janeiro 2010 (8)
-
►
2009
(92)
- ► dezembro 2009 (5)
- ► novembro 2009 (12)
- ► outubro 2009 (11)
- ► setembro 2009 (4)
- ► agosto 2009 (9)
- ► julho 2009 (6)
- ► junho 2009 (5)
- ► abril 2009 (6)
- ► março 2009 (12)
- ► fevereiro 2009 (5)
- ► janeiro 2009 (7)
-
►
2008
(72)
- ► dezembro 2008 (1)
- ► novembro 2008 (5)
- ► outubro 2008 (10)
- ► setembro 2008 (6)
- ► agosto 2008 (7)
- ► julho 2008 (19)
- ► junho 2008 (13)
-
Há livrinhos que ficam perdidos nas prateleiras e só vêem a luz do dia quando nos caem nas mãos ou no chão. "O Profeta", de Khalil...
-
O mar já andou por aqui... E se ele resolve regressar? Não será para o meu tempo, mas pode acontecer um dia!
-
É sempre um prazer apreciar imagens do tempo dos nossos avós, com a ria a marcar presença indelével. A própria imagem dá a informação pre...




