domingo, 25 de novembro de 2012

Milena - 1948 | Memórias de uma campanha

Por Ana Maria Lopes, 
no Marintimidades


No ano de 2010, através do Marintimidades, foram-me solicitados alguns dados sobre o lugre Milena por familiares de dois tripulantes que nele fizeram algumas viagens e que, por coincidência, ambos naufragaram com o navio (em 1958) – a saber, Joaquim António da Silva Belo, da Torreira e o avô de um tal Emílio Gomes do Novo. E assim, com singelos episódios, se vai fazendo a história dos lugres, recorrendo a pequenos /grandes «puzzles».
Situar o navio, convém sempre – o imponente Milena, lugre de madeira de quatro mastros, foi construído na Florida, E.U.A., em1918. Foi o ex “Burkeland”, pertencente a J.A. Merritt & Co., Pensacola, Florida, entre 1918 e 1935. Adquirido em Génova pela Indústria Aveirense de Pesca, Lda., (IAP), de Aveiro, iniciou a actividade de pesca em 1936. Durante os anos de 1940 e 1941, o navio efectuou viagens de comércio, tendo regressado à pesca na campanha de 1942.
Acabou por naufragar, por motivo de alquebramento, no Virgin Rocks, Terra Nova, a 7 de Agosto de 1958.

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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 318

PITADAS DE SAL – 48


O VENDEDOR DE SAL E OS BURROS 

Caríssima/o: 

No quarto domingo do mês calha bem um conto. A escolha nem sempre é fácil… Desta vez entraremos no reino animal mas tendo ainda por perto o sal. Se me fizer companhia certamente não se arrependerá. A caminho… 

«Vem da Grécia antiga a história da mula de Tales. Representa a esperteza malsucedida. Sobreviveu ao tempo graças a Plutarco. 
Com uma sobrecarga de sal sobre o lombo, a mula encontra um rio pelo caminho. Atravessa-o. 
O sal derrete. O peso se esvai. E a mula, supondo que não era burra, não quis mais saber de outro caminho. 
O dono da mula, que tampouco queria passar por asno, troca a carga do animal. Em vez de sal, sacos de lã. 
A mula toma a picada do rio. Molhada, a lã pesa como sal seco. Por pouco o animal não se afoga. Chega à outra margem. Aprende a lição. E jamais se aventura no rio. 

La Fontaine tratou de incorporar a história de Tales ao seu célebre fabulário. Deu-lhe novo colorido. Rimou-a. Metrificou-a. 
Em vez de uma mula, serviu-se de dois asnos. Sobre o espinhaço de um, o sal. Sobre o lombo do outro, esponjas. 
Nessa versão, os burriqueiros são personagens ativos do drama. Eles montam seus respectivos animais. 
Pois bem, o par de burros mergulha no rio. O do sal, aliaviado do peso, sobrevive. O das esponjas morre afogado. 
Quase leva junto o seu guia. Depois de lutar contra a morte, o infeliz é resgatado por um pastor. 
Eis a moral lafontainiana: “Guiar por cabeças más/não é um bom portamento;/às vezes a dita de um/faz a desgraça de um cento”.» 

Esta é a fábula em verso: 

«Qual romano imperador, 
Um pau por cetro levava 
E a dois frisões orelhudos 
Um burriqueiro guiava; 
Um deles trazia esponjas, 
E qual postilhão corria; 
O outro de sal carregado 
Os pés apenas mexia; 
Um sem custo, outro com ele, 
Montes e vales andaram, 
Até que ao vau de um ribeiro 
Ultimamente chegaram. 
No que levava as esponjas 
O burriqueiro montou, 
E fez ir para diante 
O que de sal carregou. 
Ele o vau desconhecendo 
Pregou consigo no pego, 
Nadou; veio acima, e viu 
Aliviado o carrego: 
Porque o sal, de que era a carga, 
Derreteu-se n'água entrando, 
E o seu condutor, já leve, 
Pôs-se em terra e foi trotando. 
O camarada esponjeiro, 
Que o viu tão leve sair, 
Quis à sua imitação 
Também no pego cair; 

Ei-lo nas águas submerso, 
Esponjas e burriqueiro, 
Todos três bebendo à larga 
Querem secar o ribeiro. 
Tão pesadas se fizeram, 
Por beberem sem cessar, 
Que sucumbindo o jumento, 
Não pôde as margens ganhar. 
O homem lutava com a morte, 
Té que um pastor lhe acudiu; 
Mas o burro das esponjas 
Foi ao fundo, e não surdiu. 
Guiar por cabeças más 
Não é um bom portamento; 
Às vezes a dita de um 
Faz a desgraça de um cento.» 

E para terminar, uma versão mais curta mas não menos violenta: 

«O Burro carregado de esponjas e o Burro carregado de Sal 
Iam dois burros, um carregando um fardo de sal, outro carregando um fardo de esponjas. 
Chegaram à beira de um rio e, teimosos, nenhum quis desviar-se para ir à ponte, que ficava próxima, a alguns metros, e que lhes daria passagem seca e enxuta; o do sal meteu-se pela água dentro, o das esponjas ficou parado a ver o que sucederia ao seu companheiro. 
A água do rio infiltrou-se na carga, e a foi dissolvendo, de modo que, quando saiu do banho e surgiu na outra banda do rio, o burro apenas conservava metade ou o terço do peso que lhe fora posto, e o malandro alegre se felicitava pela sua lembrança. 
Vendo-o tão satisfeito, o outro salta na água, pensando que outro tanto lhe sucederia. 
Coitado! As esponjas chuparam a água; o peso tanto aumentou que, não podendo mais, o burro caiu morto. 

MORALIDADE: Antes de vos resolverdes a fazer como os outros, e de pensardes que bem vos sucederá o que bem lhes sucedeu, vede se entre vós e quem quereis imitar, há perfeita igualdade e semelhança.» 

Manuel 





sábado, 24 de novembro de 2012

“Colectiva de Natal 2012” na ESQUINA VIVA



A ESQUINA VIVA tem em exposição a “Colectiva de Natal 2012” com obras dos artistas Alfredo Luz, Branislav Mihajlovic, Cândido Teles, Jaime Isidoro, Mário Silva, Noronha da Costa, entre outros. A exposição poderá ser apreciada até 30 de Dezembro.
O mesmo tema — O Natal —, ontem como hoje e como sempre, continua a inspirar artistas de todas as expressões. A ESQUINA VIVA, atenta à importância da quadra natalícia na vida da generalidade das pessoas, dá, deste modo, o seu contributo precioso para a valorização cultural dos apreciadores das artes pictóricas. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Laboratório de Reabilitação



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Reflexões do Padre Manuel Armando

Prof. Marcos do Vale atuando na Gafanha da Nazaré

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“Tempo Comum no Olhar da Esperança” é o título do mais recente livro do Padre Manuel Armando, que foi coadjutor na paróquia da Gafanha da Nazaré entre agosto de 1965 e setembro de 1966. Esta obra oferece aos seus eventuais leitores textos de reflexão e vai ser apresentada no dia 1 de dezembro, no Salão da Junta de Freguesia de Aguada de Baixo, pelas 15 horas. A sessão conta com a intervenção de D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, havendo ainda um programa de variedades. É oportuno lembrar que o Padre Manuel Armando também é um artista da área do ilusionismo e do hipnotismo, apresentando-se com o nome artístico de Prof. Marcos do Vale.

Férias e Dias Divertidos – Natal 2012




A Câmara Municipal de Ílhavo aprovou a realização do Programa Municipal Férias e Dias Divertidos Natal 2012 para crianças e jovens com idades compreendidas entre os seis e os 15 anos. O programa integra atividades desportivas e culturais, tendo como objetivo proporcionar condições que conduzam a uma melhor qualidade de vida dos participantes. 
As referidas atividades desenvolvem-se entre 17 e 21 de dezembro e entre 26 e 28 do mesmo mês. As inscrições, limitadas ao número de vagas, serão aceites nas Piscinas Municipais de Ílhavo e da Gafanha da Nazaré a partir de 3 de dezembro até uma semana antes do início do programa. 
Sublinhe-se a importância de ocupar de forma saudável as nossas crianças e jovens, na ausência de atividades letivas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Novos passadiços da Praia da Barra



Iniciaram-se as obras de requalificação da frente urbana/mar da Praia da Barra, com a construção dos novos passadiços sob a responsabilidade da Agência Portuguesa de Ambiente, após a execução do projeto por Técnicos da Câmara Municipal de Ílhavo. Entretanto, vão ser desativados os atuais, cuja vida útil terminou há cerca de dois anos. Esta intervenção tem um custo de cerca de 300 mil euros e é cofinanciada pelos fundos comunitários do PORCentro em 85%, sendo a contrapartida nacional assegurada pela APAmbiente/MAMAOT. 

Rua Afonso de Albuquerque


Rua Afonso de Albuquerque

A minha rua
Maria Júlia Sardo

Como todas as ruas da Gafanha da Nazaré, a minha começou por ser um caminho desbravado e pisado pelos pés das pessoas. Era estreito e foi alargando, porque era necessário passar com os carros de bois, amanhar as terras, que apelidavam de “crastas”. 
Entretanto, os filhos dos proprietários das mesmas foram construindo as suas casas, ao longo do caminho, alargando-o. 
Como o Sr. Luís Pires tinha um armazém onde guardava as suas camionetas, que faziam o transporte de areias, houve necessidade de alargar o caminho um pouco mais e ensaibrá-lo. Segundo ouvi, de uma Senhora, foi quando construiu a sua casa, mais ou menos há quarenta anos, que a rua foi alcatroada. 
Disseram-me, também, que esta rua era conhecida por “rua das conhoeiras” (palavra da família de conhão; significava bocado de…), porque existiam meia dúzia de casas das conhoeiras e janicas.Mais tarde, com a necessidade dos carteiros identificarem as ruas, foi-lhe atribuída a letra “L”.  Quando a minha casa lá foi construída, há 28 anos, já tinha o nome de um grande homem: Afonso de Albuquerque. 

Festilha - Festival de Tunas

 Centro Cultural da Gafanha da Nazaré
Sábado, 24 de novembro, 21.30 horas



 Festilha é um dos maiores e melhores festivais de Tunas do país organizado por uma Câmara Municipal. Estabelecido como um dos mais relevantes eventos culturais do Município de Ílhavo e com o apoio da Tuna Universitária de Aveiro é com enorme satisfação que este ano se irá realizar a XIV Edição do Festilha. Uma noite memorável onde a irreverência, a jovialidade e a alegria contagiante do espírito académico serão os ingredientes principais

Fonte: CMI

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ENVELHECER ATIVAMENTE



Carregando Moliço


João Sarabando, um conhecido publicista de Aveiro, terra e região que o envolveram imenso, recolheu esta foto que veio a ser publicada no livro "AVEIRO - Imagens de um Século (Do espólio de coisas de Aveiro deixado por João Sarabando)", organizado por Jorge Sarabando. Na legenda diz que se refere aos anos 70 do século passado. 
Importa mostrar, a meu ver, esta e outras imagens dos meus tempos de menino e jovem, como marcas indeléveis de um passado de muito trabalho e luta persistente, que tive o grato prazer de testemunhar. Não com vontade de que esses tempos voltem, mas em jeito de homenagem aos nossos antepassados. 

domingo, 18 de novembro de 2012

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 317

PITADAS DE SAL – 47


E OS PROPRIETÁRIOS DAS MARINHAS?!..

Caríssima/o:

As marinhas tinham donos (os proprietários) e havia pessoas que nelas trabalhavam: os marnotos, os moços, as mulheres... 
Nos tempos que já lá vão (há 50, 60 e mais anos…), tínhamos vizinhos em todas estas «classes». Com que deferência eram tratados os nossos patrícios donos de marinhas de sal! E na memória coletiva pairava a ideia de «pessoas ricas». 
Também os marnotos estavam uns degraus acima dos artistas nas várias profissões; trabalhavam muito e no duro, mas gozavam da fama de que tinham dinheiro. 

Mas afinal de quem são as marinhas?
Com vossa licença vou desdobrar algumas páginas que nos apresentam dados concretos e curiosos:

sábado, 17 de novembro de 2012

Feira Solidária

Uma boa oportunidade para preparar o Natal




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Bebeteca na Biblioteca de Ílhavo


Sempre aprendi que é de pequenino que se torce o pepino. Aprendi e continuo a acreditar na oportunidade do velho ditado. É desde a meninice que se aprendem bons hábitos e se formam caracteres.
Ao folhear a Agenda "Viver em..." da CMI, os meus olhos fixaram-se nesta belíssima imagem que antecede a informação sobre a Bebeteca existente na Biblioteca Municipal de Ílhavo. Funciona aos sábados e está, naturalmente, aberta aos bebés e seus acompanhantes, de preferência os pais. Ali, pelo que se  deduz com facilidade, as crianças, mesmo as de  tenras idades, podem familiarizar-se com os livros, o que muito contribuirá para que em adultos se assumam como leitores regulares. É, pois, preciso aproveitar estas oportunidades educativas. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fruta da Época...

Maria Donzília Almeida


Menina Olga

O nosso local de trabalho é o espaço multifacetado e privilegiado para o exercício das relações humanas. Aqui se somam responsabilidades, se multiplicam conflitos, se dividem tarefas, se subtrai tempo, mas onde também se partilha, quase tudo. 
A Escola é um local vocacionado para a partilha de saberes, de sentimentos, de emoções, que acompanham qualquer elemento da comunidade educativa. Aos saberes, vêm associados os sabores que, sazonalmente aparecem nas atividades pedagógicas que envolvem toda a comunidade escolar. 
Ainda, há pouco tempo, foram degustados os sabores de uma variedade de sopas da região, onde houve partilha e altruísmo dos restaurantes locais. 
Devo, particularmente, referir aqueles sabores que dos pomares, chegam até ao bar da sala dos professores, pela mão dos seus donos. Assim, vêm, até nós, as cerejas, na primavera, ameixas, no verão, figos, romãs, fisális, maçãs, uvas no outono, os citrinos, no inverno. Hoje mesmo, chegou uma cesta de chuchus, para distribuir pelos colegas. Até o limão, que pertence à classe menos nobre da fruta, aqui é partilhado, por igual. Não fosse, ainda, desconhecido de muita gente, o conselho de Dale Carnegie, “Dum limão....faz-se uma limonada!” e o meu limoeiro estaria, em apuros, para satisfazer todas as encomendas! 

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...