terça-feira, 23 de outubro de 2012

Diáspora dos ílhavos

A propósito da diáspora dos ílhavos, no litoral

Por Ana Maria Lopes, 
no Marintimidades



«Ílhavo e a sua região de que tanto se fala como centro difusor de cultura marítima terão deixado, por via directa ou indirecta marcas na cultura marítima do nosso litoral.
Habituámo-nos desde cedo, quando visitámos zonas marítimas, para pesquisa etno-linguística, desde estudante universitária, a ouvir tecer algumas considerações relativas a Ílhavo e aos habitantes locais, mal se apercebiam que era oriunda da citada região.
E começámo-nos a capacitar-nos de que onde existia uma bateira existiu um ílhavo ou há vestígios, pelo menos, da passagem de um ílhavo.
Cremos mesmo que por Ílhavo tem havido um interesse crescente pela grande faina dos ílhavos no litoral, não tendo tido a exposição temporária, «A Diáspora dos ílhavos», no MMI, de 8 de Agosto de a 31 de Outubro de 2007 a aceitação desejada pela maioria dos interessados nesta grande questão da identidade local.
Virando costas à Laguna, por inóspita que estava, os ílhavos, com suas artes ainda algo rudimentares, fixaram-se junto ao mar. Aberta definitivamente a barra em 1808, vieram instalar-se no areal a que chamaram Costa Nova (arrais Luís Barreto, igualmente conhecido por Luís da Bernarda) com as companhas da xávega. Tão exímios se tornaram no manejo destas artes estes emigrantes da borda do mar, refere Senos da Fonseca, que o desejo de partir em busca de locais onde o peixe fosse mais abundante se tornou evidente Ílhavo – Ensaio Monográfico – Séc. X ao Séc. XX, 2007, Papiro Editora. Porto, 2007, pp. 174 a 181).»

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Grande Prémio de Atletismo Terra Nova

Domingo, em Ílhavo

Grande Prémio Terra Nova
(foto do meu arquivo, com homenagem ao Tozé Bartolomeu)

«O Presidente da Direcção da Terra Nova afirma que a celebração dos 20 anos de existência do Grande Prémio de Atletismo Terra Nova, este ano na cidade de Ílhavo, é o início de uma "rotação" pelas Freguesias do Concelho. 
Vasco Lagarto diz que "vai haver alternância entre a Gafanha da Nazaré e cada uma das Freguesias do Concelho". Lembra que se trata de uma iniciativa, não apenas desportiva mas também educativa e formativa com projectos, em simultâneo, desenvolvidos nas escolas em todo o Concelho. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sala dos Mares vai ter bacalhau nascido em Ílhavo

Recado do presidente da CMI

Ribau Esteves

“Na minha presidência, até daqui a um ano, vou passar a responsabilidade ao meu sucessor de mudar o feriado Municipal. A segunda-feira de Páscoa não quer dizer nada sobre a história do Município. Vamos mudar a data para a data de nascimento do primeiro bacalhau no Museu Marítimo. Escolhemos em Alesund (Noruega) os bacalhaus e as bacalhoas que têm maior competência para poder fazer esse feito que será histórico de ter um bacalhau nascido em Ílhavo”.

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Estacas para proteção do Farol

Para a história do Porto de Aveiro



Transporte de estacas de eucalipto para proteção do nosso farol. O mar sempre fez estragos ao longo do tempo. O mar sempre atacou as nossas praias. Estacas ao ombro, como está bem de ver. Um autêntico trabalho de escravos. Impensável nos dias de hoje. Felizmente. Tem data de 1947.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Museu Marítimo de Ílhavo: abertura da Sala dos Mares

Hoje, às 17.30 horas



«Marco incontornável na divulgação da Cultura e da História Ilhavense, o Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) é hoje um dos principais espaços dedicados à Pesca do Bacalhau e ao Mar, aliando o caráter extraordinário e único da história da “Faina Maior” à beleza da arquitetura do edificado, constituindo uma referência na museologia portuguesa, diferenciadora do Município, da Região de Aveiro, da Região Centro e de um Portugal intimamente ligado ao Mar.
Assinalando o 11.º Aniversário do Renovado MMI no próximo dia 21 de outubro, a CMI reservou para esse dia a abertura da renovada Sala dos Mares, pelas 17h30, numa aposta continuada de renovação do discurso expositivo existente, tornando-o mais completo e cativante.»

Fonte: CMI

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 313

PITADAS DE SAL – 43 


RIA E CANAIS 

Caríssima/o: 

Sempre nos encantou e surpreendeu o navegar pelos esteiros e canais: ora deixavam espraiar o horizonte e brilhar o sol, para logo ficarmos mergulhados em penumbras e sombras. E os sons? Em dias de neblinas e nevoeiros, até os tiros dos caçadores estremeciam com o frio e o “canto” das gaivotas e maçaricos se prolongavam a escorregar no espaço. 
Mas nestas coisas de sal e Ria não há como ouvir os Mestres: 

«A Ria de Aveiro é o acidente mais importante desta parte da costa. É um delta interior, edificado pelas aluviões do Vouga no abrigo duma laguna. A sua superfície é de 1100 Km2, pouco mais de metade coberta pelas águas. A Ria compreende quatro braços principais e tem hoje apenas uma saída artificial; parece que, no século XIV, a flecha de areia setentrional caminhava para o sul, ao encontro de um cordão litoral mais antigo, mas deixando entre ambos uma larga abertura; no século XVIII, Aveiro, que fora porto importante dois séculos antes, tinha a entrada tão assoreada que foi necessário abrir um canal, dragado cuidadosamente para não se obstruir. Uma série de lagoas marcam ao tempo a progressão das areias eólicas e o limite da colmatagem pelas aluviões fluviais. À roda da Ria, estende-se uma terra rasa, em que se insinuam canais e braços por onde sobe a maré com a múltipla riqueza proporcionada pela água salgada.» [Orlando Ribeiro, Geografia de Portugal, 1955, citado em Portugal – Luz e Sombra, 2012, p. 158] 

Também nos dias que correm outros Mestres nos elucidam: 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Zé da Rosa comemora 93 anos






Num qualquer recanto do jardim do Éden, onde, supostamente, estará a habitar, a Rosa deve estar em júbilo e a desejar as maiores felicidades, ao seu rebento. Na dimensão da eternidade, o Zé está, ainda, na 1ª infância! Este comemora a bonita idade de 93 anos, em plena forma mental! A física, não é, mas quase, ainda o suficiente, para lhe permitir caminhar nas veredas da vida!

Filarmónica Gafanhense celebra aniversário




Se as mordomias não colaborarem, 
qualquer dia temos conjuntos 
a tocar nas procissões 


No domingo, 14 de outubro, a Filarmónica Gafanhense, também conhecida por Música Velha, celebrou o seu 176.º aniversário, com um concerto no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré. Do programa, vasto e variado, destacamos as atuações de quatro grupos, denominados Ensemble de Metais, Ensemble de Clarinetes, Ensemble de Saxofones e, ainda, o grupo de bandolins, que antecederam a Banda & Coro. 
Antes, na manhã do mesmo domingo, a Filarmónica foi em romagem ao cemitério da Gafanha da Nazaré para homenagear os executantes, dirigentes e seus familiares já falecidos, tendo participado ainda na missa das 11.15 horas, que solenizou com música e cânticos litúrgicos. 
Como de costume, a Música Velha brindou a assistência com todo o seu potencial artístico, sendo de realçar a participação de muitos jovens formados nas escolas da própria Filarmónica, não tendo sido regateados aplausos. 
Este aniversário proporcionou a oportunidade de ouvir o presidente da direção, Carlos Sarabando Bola, que fez questão de sublinhar, como grande preocupação da Filarmónica Gafanhense, a falta de uma sede condigna, «para fazer formação aos jovens e para os ensaios».

ArteMIMA e Modelismo no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré

Espreitadela

Sendo mais fortes, seremos capazes 
de ultrapassar as dificuldades 

O Centro Cultural da Gafanha da Nazaré viveu no domingo, 14 de outubro, um dia muito cheio, muito diferente, com a inauguração de duas exposições e com um concerto comemorativo do 176.º aniversário da Filarmónica Gafanhense. Duas exposições ao mesmo tempo «são sinal de uma boa cooperação entre todos nós», afirmou o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves. E acrescentou que «é com particular gosto que nos vemos nesta sala com duas dimensões da vida, que se ligam de forma muito simples». 
ArteMIMA, a arte que mima as crianças, subordinada ao tema “Santuário de Schoenstatt - Oásis de Paz”, e Modelismo, da responsabilidade da TEAM (Truques, Engenhocas e Associação de Modelismo), «são expressões da nossa gente, daqueles que têm mais jeito para certas coisas», mas também com capacidade «para gestos solidários, que é algo que todos devemos promover», referiu Ribau Esteves. 
O autarca ilhavense frisou que «os obreiros da nossa terra podem ter a certeza absoluta de que têm na Câmara Municipal um parceiro ativo, atento e sempre empenhado em que tenhamos um processo de crescimento todos juntos». Adiantou que, olhando às circunstâncias atuais, torna-se imperioso que sejamos mais unidos, «porque sendo mais fortes, seremos capazes de ultrapassar as dificuldades do mundo em que vivemos, aproveitando as oportunidades que o mesmo mundo nos vai continuar a pôr à nossa disposição».

Romagem à Senhora de Vagos começa a criar raízes

Gafanhões na senhora de Vagos

Com organização da ADIG (Associação para a Defesa dos Interesses da Gafanha da Nazaré), realizou-se, no domingo, 14 de outubro, a segunda romagem às nossas raízes, centradas na Senhora de Vagos, que no seu santuário se estabeleceu desde os primórdios da nacionalidade. E ainda bem que a romagem se fez, apesar do tempo pouco convidativo. 
Alguns ciclistas, com os que se deslocaram de carro, num total de 30 gafanhões, apostaram em criar unidade na defesa daquilo que nos une desde há séculos, onde sobressai a coragem, a tenacidade e a confiança no futuro.
Para os presentes, a Cristina Araújo leu um poema, o Grupo Portas d’Água cantou Fados de Coimbra e o Coral da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré apresentou cânticos do seu reportório. Como é evidente, não faltaram os aplausos calorosos de quem sabe apreciar a arte e a alegria. 


A música sempre a animar

Nau S. Vicente: subsídios para a sua história

Li no blogue Marintimidades um texto de Ana Maria Lopes


Nau na carreira - 1959


Bota-abaixo da Nau S. Vicente


«No post de 4 de Julho passado, «O Gazela em reconstrução, na Gafanha», referimos a monumental construção que ocupava a carreira do estaleiro do Mestre Manuel Maria Mónica, na grandiosidade dos seus vários andares – A Nau S. Vicente.
Os projectos das duas naus construídas na Gafanha da Nazaré não tiveram grande sorte; conquanto que a primeira, a Nau Portugal,construída para fazer parte da Exposição do Mundo Português, em 1940, foi muito fotografada e até filmada, há muito pouca documentação fotográfica e até escrita sobre a nau S. Vicente.
Recolhamos alguma – Este navio foi idealizado talvez um pouco com «pés de barro», já que a verba para ele atribuída não foi suficiente para uma construção contínua, tendo sido suspensa e recomeçada, chegando a permanecer cinco anos na carreira.»

Pode ler mais aqui

domingo, 14 de outubro de 2012

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 312

PITADAS DE SAL – 42 



DOENÇAS NAS MARINHAS 

Caríssima/o:

Normal será que alguém pergunte se as marinhas de sal sofrem de alguma doença. E um bom marnoto logo acenará afirmativamente com a cabeça. Procurando nos manuais, podemos ler: 

«Ronha f. Doença das salinas, produzida pelo vento do sul ou de leste, que torna a água gordurenta e incapaz de produzir sal.» 

Porém, não era destas doenças que pretendia falar, mas sim das que porventura atacavam as pessoas que aí trabalhavam, motivadas por esse trabalho ou pelas condições em que era executado. 
E o nosso Ângelo escrevia: 

«Havia ainda outra coisa terrível. Quando vínhamos da marinha, tínhamos de pegar nos bois, pô-los ao carro, e ir com eles buscar carradas de milho às terras, para no dia seguinte ser desmantado. Não havia sapatos para os pés, não havia qualquer protecção. 
Os troços do milho eram duros e feriam-nos os pés, especialmente entre os dedos. No dia seguinte, na marinha, era uma desgraça pôr os pés naquela moira tão salgada. Só quem já sentiu tais dores, pode na verdade avaliar esse sofrimento! 
Tanto valia pôr “pachos” (pedaços de pano embebidos em colódio) nessas feridas como não. Ia-se à farmácia, comprava-se o colódio, e antes de ir para a moira, enchiam-se os “poços” (buracos feitos na carne pelo sal e a moira), com o colódio, que se colava na carne, por algum tempo. 
As canelas, que enfolavam com o bater do sal, eram protegidas com “encoiras” normalmente de borracha, e que iam do pé até ao joelho, sendo amarradas com fio.» 

E na mesma linha avança Énio Semedo: 

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...