quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Coletânea de Sara Reis da Silva e José António Gomes



Peregrinação para a história de cada um


Santuário de Schoentatt


Ainda não completamente refeito desta 5.ª Viagem-Peregrinação Anual ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, aqui estou para resumidamente informar da forma como decorreu a viagem.  Assim, o que, na semana passada, através do seu blogue, escrevia, tudo se confirmou. 
A hora da saída do Santuário de Schoenstatt ocorreu às 6.30 horas, a hora da chegada à Guia aconteceu às 12 horas em ponto, para refrescar com um fininho ou dois, o local para o almoço, num Pinhal muito agradável, e a chegada à Capelinha das Aparições às 18 horas, onde nos dirigimos primeiro do que às Instalações onde ficámos. Participámos às 21.30 horas na Procissão das Velas e, para terminar o dia, o chazinho antes de ir dormir. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Procissão pela Ria em honra da Senhora dos Navegantes




No próximo dia 16 de setembro, vai realizar-se a já tradicional procissão pela Ria de Aveiro, em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, venerada pelas gentes do mar e da laguna. A organização é do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, com a colaboração da Câmara Municipal de Ílhavo e da Administração do Porto de Aveiro.
A procissão sai da igreja da Cale da Vila, pelas 14 horas, em direção ao porto bacalhoeiro, sendo o embarque no cais n.º 3.
O desfile pela Ria tem início às 14.30 horas, incorporando-se as irmandades com os andores, bem como a Filarmónica Gafanhense, os ranchos e grupos convidados (Rancho Típico da Amorosa, Rancho Folclórico da Linhaceira e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré). Participam ainda barcos moliceiros e saleiros, com pessoas devidamente autorizadas, mas ainda barcos de recreio.
A procissão faz uma paragem ao largo de S. Jacinto onde, como é hábito, a população local presta homenagem à Senhora dos Navegantes.
O desembarque no Forte da Barra está previsto para as 16.30 horas e na igreja da Senhora dos Navegantes será celebrada a eucaristia, acompanhada por cânticos dos grupos convidados. No final da missa atuará a Filarmónica Gafanhense, seguindo-se às 18.30 horas o Festival de Folclore.


domingo, 2 de setembro de 2012

Tecendo a vida umas coisitas - 306


PITADAS DE SAL – 36 



COMIDA SALGADA… QUE TEM DE SER TRAGADA 

Caríssima/o: 

Lume aceso com labareda forte, a panela até treme com a fervura das batatas com o carapau do de ‘3-25’ e já um cheiro convidativo se espalha entre o fumo que enche a cozinha. 
Atarefada, como sempre, a Mãe olha para a panela e uma mão-cheia de sal é atirada para aquele reboliço; a colher de pau mergulha e vira-que-revira as batatas, procurando não desmanchar os carapaus (são aquelas artes, quase magia, que as nossas Mães sabiam e praticavam!). Meia volta e a capoeira agita-se à espera da braçada de couves. 
Entretanto, o Pai abeira-se do lume e, sem mais aquelas, “que as mulheres são sempre umas esquecidas e depois a comida fica sem gosto nenhum!...”, lá vai um bom punhado de sal fazer companhia aos carapaus. E foi à vida, dar lima a uma serra para o trabalho de amanhã. 
- Ó povo, vamos comer que as batatas desfazem-se! 
Sentados nos bancos corridos, panela escorrida e esvaziada na bacia onde mesmo a fumegar espetamos os garfos ansiosos! Sopra-se na batata para não escaldar a boca e … lá vai ela! Mas que é isto?! A comida é autêntica pilha! Como é possível? 
- Vamos, filhos, tenham paciência, bebe-se mais uma pinga d’áuga! – diz a Mãe. 
Lá se foi empurrando com mais água e íamos perguntando com os olhos o que teria acontecido. E o Pai então descoseu-se: 
- Quando cheguei pus um punhadito de sal, pensei que ainda não tivesses posto… 
- E não tinha… Antes de tirar a panela do lume é que temperei. Arranjámo-la bonita! Comam o peixe, filhos, e deixem as batatas que vão para os porcos! 
Cenas da vida real desses tempos! 

(Porque ali do lado perguntam, sempre digo que o carapau de 3-25, era o carapau grande que era vendido e se pagava 25 tostões por 3 carapaus! … Pronto 25 tostões eram 2$50, 2 escudos e cinquenta centavos, o que equivale a um cêntimo e mais umas migalhitas… Como se vê a ‘crise é séria’!) 

Manuel


Grupo Etnográfico completa mais um ano de vida






O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré completou ontem, 1 de setembro, mais um ano de existência, motivo que justifica neste meu espaço uma modesta homenagem. O que ele tem feito no país e no estrangeiro ao nível da divulgação das nossas tradições e das nossas realidades são evidentes.
Aqui ficam os meus parabéns a todo o grupo, na certeza de que o trabalho vai continuar com mais ânimo e mais alegria.

Ver aqui

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ÍLHAVO EM FESTA

Li no Diário de Aveiro




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CHORA- um prato diferente






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Criação da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré






Quem hoje passeia pelo Jardim 31 de Agosto, visitantes ou naturais da Gafanha da Nazaré, talvez nem sequer imagine o porquê da data que dá nome à praça. Pois o 31 de agosto assinala a assinatura do decreto de ereção canónica da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, assinado pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina. Aqui o publicamos para memória futura. 


Ereção Canónica da paróquia 
da Gafanha de Nossa Senhora da Nazaré 


Bispo-Conde de Coimbra


«Vistos estes autos, etc. Pelo que d’elles consta mostra-se que muitos habitantes do logar da Gafanha, freguesia d’o Salvador de Ílhavo, no concelho do mesmo nome, d’esta Diocese, requerera a Sua Magestade El-Rei Houvesse por bem determinar que pelos meios competentes se procedesse à creação de uma nova parochia, com séde no dito logar da Gafanha e formada pelos povos do mesmo logar, o qual para esse fim será desanexado da referida freguesia de Ílhavo; Mostra-se que sua Magestade El-Rei atendendo a que a providencia reclamada é de grande conveniencia para o bem espiritual e temporal dos requerentes, sem prejuiso para a conservação da dita freguesia de Ílhavo, e conformando-se com os pareceres das superiores auctoridades ecclesiastica e administrativa e com a consulta do Supremo Tribunal Administrativo, Houve por bem por decreto de 23 de junho do corrente anno auctorisar a desanexação do referido logar da parochia a que actualmente pertence e a creação de uma parochia que com elle se pretende formar; – e – Attendendo a que pelo Ministerio dos Negocios Ecclesiasticos e da Justiça Nos foi enviada Copia auttentica do referido Decreto para procedermos ao respectivo processo de creação e erecção canónica. 
Attendendo a que no mesmo Decreto se acha já arbitrada em cem mil reis annualmente a congrua ou derrama para o respectivo parocho da nova parochia; 
Attendendo a que a Capella de Nossa Senhora da Nasareth do dito logar da Gafanha tem a capacidade conveniente, os paramentos, vasos sagrados e alfaias necessárias para servir provisoriamente de igreja parochial, enquanto se não conclue o novo templo, cuja construção se acha muito adiantada; e, finalmente, conformando-Nos com o parecer do M. R. Dr. Promotor do Bispado, proferido n’estes autos a folhas dez: – Julgamos legitimamente erecta e canonicamente instituida a referida freguesia da Gafanha, composta do logar da mesma denominação que será desanexado da freguesia d’O Salvador d’Ílhavo, d’esta mesma Diocese, tendo por orago Nossa Senhora da Nazareth, e ficando o respectivo parocho com a congrua annual de cem mil reis e com as mais benesses e emolumentos que forem de uso, direito e costume na freguesia da qual é desanexada. 
O secretario da Nossa Camara Ecclesiastica dará por publicada esta nossa sentença e d’Ella tirará duas cópias para serem enviadas – uma ao Ministerio dos Negocios Ecclesiasticos e da Justiça, e outra ao Muito Reverendo Arcipreste de Aveiro que assim o participará ao R. Parocho da freguesia de Ílhavo para seu conhecimento e devidos effeitos. 

Coimbra, 31 d’Agosto de 1910 

Manuel, Bispo-Conde»

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um gafanhão de sucesso: Noca Ramos

Os meus parabéns















Hoje, a revista Visão traz uma reportagem sobre o David Noca Ramos, natural da Gafanha da Nazaré, formado em arquitetura e em design de comunicação. Apaixonado pelas bicicletas, a revista garante que "Ele até está assustado". E não é para menos, se soubermos que as suas bicicletas "são cobiçadas de Barcelona a Nova Iorque".
Noca foi entrevistado pela jornalista Florbela Alves, e nessa entrevista realça que ele "partilhou as suas bicicletas em fóruns internacionais", acrescentando "que as encomendas não param de lhe chegar. Ele acha tudo 'incrível'."
A sua bicicleta preferida chama-se 'azulinha', salientando Noca que foi a que lhe "deu mais luta".
Os meus parabéns calorosos para este nosso conterrâneo, desejando-lhe os maiores êxitos nas suas criações, atuais e futuras, pois o Noca não pode parar.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Repensar o Envelhecer"

No Auditório do Museu de Ílhavo




Irá decorrer no próximo dia 10 de setembro, no Auditório do Museu Marítimo de Ílhavo, o Seminário "Repensar o Envelhecer", sob a égide do "Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações", marcando assim o início da Semana da Maioridade 2012.
As inscrições encontram-se abertas até ao próximo dia 6 de setembro através do telefone 234 329 625 ou pelo e-mail dass@cm-ilhavo.pt.

Ver Programa

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A nossa gente: Américo Teles

Li na agenda "Viver em..." da CMI






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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Modelo do navio Santo André

Fonte: Agenda "viver em..." da CMI




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As fúrias do José Labareda

Histórias do Porto de Aveiro




"No relato da ocorrência, o fiscal refere que tendo em conta os factos decorridos "numa obra do Estado", deveria ser dado conhecimento da mesma às autoridades. Assim, acompanhou a vítima ao Regedor de São Jacinto que referiu não ter competências para tratar o assunto. De seguida reportou ao Cabo do Mar que também afirmou não ter competência pelo facto de a ocorrência não decorrer dentro de uma embarcação. Por fim acompanhou o agredido a casa do enfermeiro da Escola de Aviação-Naval Gago Coutinho para cuidar dos ferimentos na cabeça e peito.
Cópia autenticada redigida por José Maria da Costa Monteiro, Chefe de Secretaria da JARBA, transcrevendo a comunicação de David Albuquerque, Fiscal da JARBA em São Jacinto, datada de 10 de Novembro de 1939, dando conta da agressão violenta que José Labareda provocou em António de Oliveira, residente em São Jacinto, jornaleiro ao serviço dos empreiteiros da obra de regularização e revestimento de um troço da margem norte do Canal de São Jacinto - São Jacinto, em 14 de Novembro de 1939."
Ver mais aqui
Fonte: Arquivo Histórico do Porto de Aveiro
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domingo, 26 de agosto de 2012

Tecendo a vida umas coisitas - 305

PITADAS DE SAL – 35





A MÁQUINA DE FAZER SAL

Caríssima/o:

Isto de contos populares e de lendas é, de fato, um mundo à parte: numa outra pitada eram as mulheres com mós a fazer sal… Será que o sal assim produzido salgaria o mar? Certamente que se teria de encontrar outra solução…

«Recontando Contos Populares

Este caso se deu no tempo de Reis e Rainhas. Nesse tempo, que já se foi, havia no mundo uma carestia de sal. Não havia lugar onde se pudesse encontrar um torrãozinho sequer; nem mesmo no mar.

Pois bem, vivia numa certa cidade um cozinheiro que tinha uma máquina capaz de produzir sal. Vai daí que esse mestre de cozinha ficou famoso, pois era o único capaz de temperar o alimento de seu restaurante, com sal. Apesar de muita gente tentar descobrir a origem do sal, ele mantinha severo segredo.

O Rei, certo dia, recebeu, de um dos seus súbditos, uma amostra da comida temperada com o sal. Gostou tanto, que resolveu adquirir de qualquer maneira a fórmula, única, de produzir o sal. Mas, o famoso cozinheiro não tinha a intenção, nem para um Rei, de revelar o seu segredo, que era o principal sustento da família. O Rei então prometeu ao cozinheiro real uma fortuna se conseguisse descobrir o segredo daquele homem.

O cozinheiro real então tratou de viajar até à cidade do mestre de cozinha que produzia sal. Com muita conversa e fingida amizade, conseguiu que o mestre de cozinha, cheio de inocência, revelasse que o sal era produzido por uma máquina toda a vez que ele dizia determinada palavra mágica; e fez pior, demonstrou o funcionamento da máquina. Não deu outra, durante a noite, enquanto o mestre de cozinha dormia com a família, o cozinheiro real foi até ao restaurante, roubou a máquina e perna p’ra que te quero.

Chegando à casa real, anunciou ao Rei que descobrira o segredo e para prová-lo prepararia um jantar especial. O Rei, então, para comemorar, resolveu realizar o jantar no seu luxuoso navio. Para tanto, convidou todos os nobres de seu reino.

O cozinheiro real preparou a máquina e pronunciou a palavra mágica, e ela desandou a produzir sal e o jantar ficou espetacular. Mas enquanto os nobres se divertiam, o cozinheiro real viu-se diante de um problema. A máquina não parava de produzir sal, pois a palavra mágica que a fazia funcionar não era a mesma para desligá-la. Não demorou muito e o navio estava coberto de sal e, com o peso, afundou, arrastando para o fundo, o Rei, os nobres, o cozinheiro real e a máquina que continua ligada até hoje, enchendo o mar de sal.»

​​​​​Manuel


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Nossa Senhora da Nazaré, padroeira da nossa terra



Permitam-me a ousadia de incluir neste capítulo a nossa Padroeira, Nossa Senhora da Nazaré. Foi pessoa como nós, mãe solícita do Filho de Deus e nossa mãe também, catalisadora da aproximação à Boa Nova de Jesus Cristo, sinal visível da ternura e do amor, auxiliadora dos aflitos, protetora dos navegantes, congregadora dos desavindos, inspiradora da verdade, da justiça e da paz. 
Ao certo, não se sabe como nasceu esta devoção pela Senhora da Nazaré. Terá alguma ligação à Palestina e à então Vila da Nazaré, onde D. Fuas Roupinho por ela foi salvo de morte iminente? 
O Padre Domingos, coautor do livro “Invocações Marianas na Diocese de Aveiro”, recorda a lenda que garante ter vindo a imagem da nossa padroeira da Palestina. «Após vários imprevistos foi posta [a imagem] numa pequena Ermida, conhecida por capela da memória, na antiga povoação de Nazaré», sublinha o antigo Prior da Gafanha da Nazaré. E dali, algum navegante a terá trazido para a Gafanha, quando não foi adquirida a algum comerciante de imagens e objetos antigos. 
Por sua vez, o Padre José Fidalgo, no Timoneiro de Julho de 1991, afirma que «é quase certo que estamos perante a ligação ao fator pescas». E acrescenta: «com toda a segurança, podemos afirmar, que foi alguém dessas paragens [vila da Nazaré] que trouxe, para a nossa vila, a imagem do século XVII que hoje existe na paróquia.» 
Entretanto, no mesmo artigo, afirma que o Prior Sardo não autorizou a introdução de outra invocação a Nossa Senhora. Frisou que o nosso primeiro prior «era muito devoto da Virgem Maria e, talvez ninguém saiba, prova disso foi a sua ida a Lurdes. No entanto nunca introduziu aqui o culto a Nossa Senhora de Lurdes. Manteve a ligação a Nossa Senhora da Nazaré, em ligação à Imaculada Conceição». 
É oportuno dizer, ainda, que a primeira irmandade assumiu a Padroeira como sua protetora, e que o culto a Nossa Senhora da Nazaré foi sempre seguido pela nossa gente. 
A festa anual, no último domingo de Agosto, exclusivamente religiosa ou mais popular, com música, arraial, foguetes, missa solenizada e procissão uniu, com toda a naturalidade, os gafanhões e quantos nesta terra se fixaram, tornando-se iguais a nós, em direitos, obrigações e devoções. 

Fernando Martins, 

No livro “Gafanha da Nazaré — 100 anos de vida”

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...