domingo, 19 de agosto de 2012

Tecendo a vida umas coisitas - 304



PITADAS DE SAL – 34


CORRIDAS DE BATEIRAS … E AS OLIMPÍADAS


Caríssima/o:

Terminado mais um dia de intensa faina na marinha da Novazinha das Canas, o ti Manel Elviro deu as ordens devidas para iniciarmos o regresso. Momento sempre ansiado por todos, cada um com as suas razões e com o seu lugar e tarefa na bateira. Parece que ainda estou a ver: chegados à Cale e aproados para atravessar, era certo ouvirmos o entusiasmo do Ângelo:
- Ali vão eles! Aquilo é que é andar!
E, de fato, eles lá iam a remar como valentes e a competir bateira com bateira; ele até sabia os nomes deles e as marinhas que amanhavam…
Não admira[va], pois, que estes “[R]apazes fortes, rijos, queimados pelo sol e curtidos pelo sal e pelo lodo, ei-los que durante anos ergueram bem alto o nome do Galitos, nos jogos olímpicos de 1948 e 1952, competindo em remo”.
Era, sem dúvida, desta “escola” que saíram os que “[E]m 1948 e em 1952, tripulações de sheel de 8 (remo) participaram nas Olimpíadas de Londres e de Helsínquia, respetivamente. No conjunto, as duas englobaram 14 remadores dos quais apenas um não era marnoto. Estes desportistas juntavam à resistência física adquirida na faina e à familiarização com os remos com que moviam as bateiras nas deslocações diárias para as marinhas, no trajeto de ida e no de volta, o treino específico. Como atletas ganharam a nível nacional e ibérico 'tudo quanto havia para ganhar' ao longo de mais de uma década, congregaram a dupla faceta de marnotos e de remadores. ...” [Énio Semedo, Ecomuseu do salgado de Aveiro, 204]
Ora bem: em plena jornada olímpica o Ângelo terminou a sua corrida. Enquanto correu, fez quanto lhe competia: puxava e animava os outros para que não ficassem para trás!
Que o seu querer e o seu ser, nos estimulem a não virarmos a cara ao nosso ouro olímpico!
                                                                         Manuel



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Homenagem ao Bacalhau com bom gosto


Ribau Esteves na abertura do Festival


O Festival do Bacalhau, que hoje se iniciou no jardim Oudinot, insere-se nas Festas do Município, que têm por lema “Mar (a)gosto”, em agosto, referiu na abertura do evento, no porão do Navio-museu Santo André, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo (CMI), Ribau Esteves. O autarca frisou que este ano as festas evocam os 75 anos do Museu Marítimo de Ílhavo, que está a passar por melhoramentos significativos, da ordem dos quatro milhões de euros.
Depois de lembrar que as Festas do Município já contaram com a regata dos Grandes Veleiros, entre 3 e 6 de agosto, o presidente da CMI referiu que o Festival do Bacalhau sucedeu às Tasquinhas de Ílhavo, de que foi grande animador o professor Reigota, presidente do Rancho da Casa do Povo de Ílhavo. «O professor Reigota deixou crescer as Tasquinhas, chegando ao Festival do Bacalhau; e quem ama é quem deixa crescer», disse o autarca.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Festival do Bacalhau para todos, com gastronomia de qualidade garantida




Numa terra que tem por lema “O Mar por Tradição” e que defende a ideia, legítima, de ser a “Capital do Bacalhau”, não podia faltar uma festa dedicada ao “fiel amigo”, que o foi, de verdade, em tempos que já lá vão. Hoje, o bacalhau não será assim tão fiel na mesa de uma família comum, porque se habituou ou o obrigaram a estabelecer-se na mesa das mais abastadas. 
A festa, que é o Festival do Bacalhau, com organização da Câmara Municipal de Ílhavo e da Confraria Gastronómica do Bacalhau, vai ter lugar no Jardim Oudinot, entre 15 e 19 de agosto, sendo garantido que vai trazer à nossa região, mormente à Gafanha da Nazaré, milhares de pessoas. Vêm não só pela gastronomia à base do bacalhau, com pratos confecionados a gosto e saber de especialistas em matéria culinária, respeitando-se, naturalmente, os sabores dos nossos ancestrais, mas também para usufruírem de um espaço de lazer, único na Ria de Aveiro. 
Bacalhau à moda de conceituados cozinheiros, assado de várias formas, bolinhos de bacalhau, feijoada de samos, línguas e carinhas de bacalhau fritas, chora ao jeito dos nossos pescadores nos mares da Terra Nova e na Gronelândia, entre outros pratos, hão de compatibilizar-se com o palato dos visitantes. Não faltarão doces típicos das nossas terras da beira-mar e da beira-ria, bem como os vinhos adaptados às escolhas culinárias dos que marcarão presença no Festival.

domingo, 12 de agosto de 2012

Tecendo a vida umas coisitas - 303



PITADAS DE SAL – 33



O VESTUÁRIO DOS MARNOTOS
Caríssima/o:

Olhando para as imagens que encabeçam o escrito e tendo presente o dito chinês que põe uma imagem a valer mil palavras, o melhor que teria a fazer era silenciar-me tantas e tão díspares mensagens nos ficam disponíveis. Se não, surge a tentação da interpelação…
Se hoje é assim (ausência quase total de tecido a cobrir e proteger o corpo), como foi outrora?
As reconstituições folclóricas respondem-nos:

« No século XIX, o operário salícola trajava
manaia (espécie de calção)
e camisa branca em linho ou tecido cru, sem colarinho e sem punhos;
faixa preta ou encarnada;
barrete de fazenda de lã ou chapéu preto de aba larga
e lenço vermelho de algodão estampado.»

Podem acrescentar-se alguns pormenores:
As manaias, bragas ou calções, seriam largos de cor azul em algodão;
A camisa também poderia ser de lã branca;
Faixa preta ou encarnada à cintura;
O chapéu preto de feltro e o barrete de fazenda de lã;
O lenço preso com uma caixa de fósforos.

Já agora digamos que «o pescador diferenciava-se no vestir com seu carapuço preto de lã, camisa axadrezada em quadros de uma só cor e ceroulas de iguais padrões, tudo em lã, enquanto à cinta vestia uma faixa preta de semelhante qualidade, com franjas nas extremidades. De uma maneira geral, pelo final do outono e no inverno, todos usavam o tradicional gabão com mangas, romeira e capuz, de burel à semana, preto para festas e uso dominical».

E para terminar só uma olhadela para a salineira que «usava saia garrida comprida e blusa de motivos claros, com rendas nas mangas; por cima da saia, um avental de serguilha e, sobre a blusa, um xaile colorido, de franjas longas, traçado da esquerda para a direita; normalmente, andava descalça ou calçava chinelas pretas envernizadas, enquanto que na cabeça usava um chapéu de aba larga arqueada, onde prendia um lenço de lã, também garrido».

                                                                         Manuel

sábado, 11 de agosto de 2012

Semana Internacional de Vela na Costa Nova






"Arranca hoje e prolonga-se até dia 18 a décima edição da Semana Internacional de Vela da Costa Nova. No plano desportivo, a semana começa com dois dias de regatas de cruzeiros no mar.
Após esses dois primeiros dias, a competição para na 2ª feira devido às condicionantes das marés na Ria, prosseguindo na 3ª e na 4ª feira com as regatas da Classe Optimist, a mais numerosa das frotas.
A Semana encerra com a realização da prova “4 Horas da Costa Nova” aberta a todas as classes de vela, enchendo a paisagem da Ria com mais de uma centena de embarcações.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Festas de Nossa Senhora da Nazaré




Em 2012, o dia grande da festa da padroeira da Gafanha da Nazaré é o domingo, 26 de agosto, com celebração da  missa solene às 11h15 e procissão às 16h30. A procissão,  acompanhada pela Fanfarra  de Melros de Gondomar e  pelas bandas Filarmónica  Gafanhense e Filarmónica de  Mira, terá o seguinte percurso: saída da Igreja da Matriz (Avenida José Estêvão), Rua  Gago Coutinho, Rua Sacadura Cabral, Rua Gil Eanes,  conclusão na Igreja Matriz. Neste domingo, à noite, atua o grupo Alta Frequência, seguindo-se um espetáculo piromusical (fogo de artifício e música).
As festas começam já no dia 12 de agosto, com uma missa campal no Santuário  de Schoenstatt, às11h. Nos  dias 24 e 25, haverá missa às  19h, na Igreja Matriz, e espetáculos musicais com os grupos K3Ó4 e Belcanto Show,  respetivamente. No dia 27,  para terminar, celebra-se uma  missa de ação de graças, às  19h, e atua o grupo musical  Império Show. Refira-se que,  de 24 a 27, haverá fogo de  alvorada, às 8h, enquanto no  dia 25, sábado, quatro grupos  de gaiteiros vão percorrer as  ruas da cidade da Gafanha da Nazaré.                          

J.P.F.

Fonte: "Timoneiro" de agosto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Centro Comunitário da Gafanha do Carmo


Por Maria Donzília Almeida

Lar de Idosos

«Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. 
Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. 
Os anos que vão gradualmente declinando 
estão entre os mais doces da vida de um homem, 
Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, 
estes ainda reservam prazeres.»
                                                                                          
Séneca
«Amar uma pessoa significa... 
querer envelhecer com ela»

Albert Camus


Com o envelhecimento da população e a crescente participação da mulher, no mercado de trabalho, houve a necessidade de criar infra-estruturas materiais para acolher os idosos, no final da sua peregrinação na terra.
Assim, proliferou por todo o país, a abertura de “armazéns” polivalentes, para albergar aquela franja da população, que noutras épocas, não muito distantes, era levada para o monte! Felizmente, que só para alguns, os velhinhos são reduzidos à pura inutilidade.
Vivemos numa cultura do show off, em que se investem somas avultadas nas festas mundanas, mas não se acautela a herança a deixar aos vindouros. Estes são o espelho do ambiente onde vivem e reproduzirão um dia, para com os seus progenitores, os valores do respeito e valorização dos avós, neles incutidos!
Como nem tudo se pode pôr no mesmo saco, há a ter em conta que alguns idosos, quando chegam à fase terminal das suas vidas, não têm o apoio de ninguém da família para cuidar deles. Seja porque nunca tiveram descendência, seja porque o afastamento da prole em terras distantes não permite a prestação desses cuidados geriátricos, a sociedade viu-se compelida a dar resposta a essas lacunas.
Surgiu assim, a ideia de criar a essas pessoas, o ambiente acolhedor e ao mesmo tempo prestador de cuidados médico-sanitários, só que no coletivo! Aparecem assim os lares, alguns com boas instalações e uma gestão dos recursos humanos e materiais, a todos os níveis, louváveis.
Insere-se neste âmbito, o Lar da Gafanha do Carmo, que fiquei a conhecer, em pormenor, aquando duma visita guiada, no acompanhamento do progenitor num reencontro com um amigo da juventude e utente desta instituição.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Museu de Ílhavo: 75 anos ao serviço da cultura



Quarta-feira a domingo

«O Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) nasceu a 8 de Agosto de 1937. De museu municipal dedicado aos usos e costumes locais evoluiu para um museu municipal dedicado à cultura do mar – um museu marítimo por excelência.

Celebrar os 75 anos de vida do MMI significa homenagear todos quantos ajudaram a construir a sua história – dirigentes, funcionários, doadores de colecção e de testemunhos, o público em geral e todos os amigos do museu.

domingo, 5 de agosto de 2012

Festa dos Veleiros no Porto de Aveiro


A Festa dos Veleiros está a terminar. Amanhã, pelas 13 horas,  os Veleiros estarão a passar na Boca da Barra.

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As raízes gafanhoas


Praia do Areão: Barco do Mar

Como é sabido, os primeiros habitantes destes areais vieram de Vagos e das suas aldeias. Os apelidos o atestam. Nessa linha, sugerimos que uns diazinhos do período de férias, concretamente, agosto e setembro, sejam dedicados à região vaguense. Não será necessário, a nosso ver, olhar para os apelidos de muitos gafanhões para descobrirmos motivos de investigação. Só isso daria pano para mangas. Mas quem tiver jeito e gosto pelo tema, pode avançar.
Sem grande esforço, porém, apetece-nos aconselhar uma visita a Santa Maria de Vagos, venerada desde os primórdios da nacionalidade, continuando nos tempos que correm a atrair inúmeros peregrinos, um pouco de todo o lado, mas especialmente das terras vizinhas, com destaque para Cantanhede.
Como é normal, tudo quanto é antiga acarreta lendas que se misturam com a história. Santa Maria de Vagos, mais conhecida por Senhora de Vagos, não foge à regra.
Lembra o padre Manuel António Carvalhais, no seu livro “Santa Maria de Vagos”, que «todos os documentos escritos, desde Abril de 1190 a 22 de Fevereiro de 1505, registaram invariavelmente que nesta ermida ou igreja é venerada Santa Maria de Vagos». Contudo, ao longo dos séculos, tornou-se conhecida por Nossa Senhora de Vagos, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Bodo e, até, Nossa Senhora das Cerejas, lembra o prior de Vagos.
A sua festa, na segunda-feira depois da Solenidade do Espírito Santo, continua a juntar muita gente, mas em rigor podemos afirmar que todos os dias, em especial aos fins de semana, não faltam devotos de todas as classes sociais.
Em conclusão, propomos uma visita à Senhora de Vagos, com o indispensável farnel para ser saboreado depois da visita à Mãe de Deus. Não faltam condições com mesas e sombras que amplificam a tranquilidade daquele lugar abençoado.

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 302


PITADAS DE SAL – 32


SAL DE UNTO
Caríssima/o:


Quem é aqui das nossas bandas e tem já uma idadezita não precisa que lhe expliquem isto do sal d’unto, o que precisa mesmo é de encontrar quem ainda o faça e pô-lo na caldeirada para se deliciar com o regalo do cheiro e do …paladar!
Mas os mais jovens estarão a perguntar que coisa é essa: cheira mesmo a mistério e faz, de certeza, mal à saúde:… sal… e unto!
A sorte bafeja-me com um amigo que, quando me visita e traz peixe para caldeirada, logo lembra à mulher:
- Madalena, não te esqueças do sal d’unto! Olha que a caldeirada sem ele não tem graça nenhuma e o compadre aprecia! (E cofia o bigode.)
Agora para os novos ficarem com uma ideia deste produto, transcrevo umas tantas “composições” que, espero, os não baralhem:

«O unto é a gordura, que se encontra na cavidade abdominal no mesentério, usada para cozinhar.
Era a antiga manteiga do povo, além de ser muito gostosa era um conforto para a alma, hoje nada existe é considerado muito prejudicial à saúde devido a poder aumentar o colesterol.
Ainda me lembro de quando eu era jovem, ver as pessoas batendo no unto, e ajuntando-lhe sal e pimentão, e depois de muito bater se fazia uma bola, que era guardada na pele da bexiga do porco.
Hoje se faz com menos trabalho e muito melhor, se coloca a gordura cortada aos pedaços e se coloca numa máquina um-dois-três, e se tritura com facilidade, depois é só acrescentar o pimentão e o sal a gosto, fica uma delícia.»
«Sal-de-unto: sal com a banha derretida, depois de fazer os rojões na caldeira.»

«Sal de unto: mistura obtida com banha de porco, sal e condimentos típicos da zona.»
«Sal de unto: preparação de sal grosso com banha que os pescadores levavam nas suas longas viagens de faina, e que em preparando-se deve ficar cerca de 3 meses a maturar.»
Não gostaria de deixar ninguém baralhado, por isso dou a palavra aos entendidos.
                                                                     
    Manuel


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Férias à procura das nossas raízes

Quem identifica estas mulheres da seca?




A nossa terra está cheia de gente que veio um pouco de toda a parte, do país e até do estrangeiro. Os primeiros gafanhões, porventura antes de o serem, vieram fundamentalmente das freguesias de Vagos. Depois, porto, obras da barra, estaleiros, pescas e secas do bacalhau e outras indústrias e comércio, mais agricultura, atraíram bastantes pessoas, constituindo a população das Gafanhas, nos nossos dias, uma mescla interessante, com diversas formas de ser e de estar na vida. Essa realidade talvez tenha gerado algum desenraizamento, atenuado com o tempo, de forma que no presente todos se sentem e são, realmente, gafanhões.
Ora, em tempo de férias, seria interessante que todos se pusessem à procura das suas raízes, numa tentativa louvável de descobrir quem são e de onde vieram. Conversando com os mais velhos e decerto mais sabedores, será uma excelente forma de retroceder no tempo, para se saber, concretamente, por que razão os seus antepassados vieram para a Gafanha da Nazaré e quais os motivos dessa migração, livre ou forçada.
Importa descobrir se valeu a pena, se a adaptação foi fácil, que dificuldades houve que ultrapassar e, também, se a ligação às terras de origem se tem mantido através do tempo.
E, já agora, não seria enriquecedora uma visita aos familiares que optaram por ficar?




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Veleiros no Porto de Aveiro

Uma visita imperdível




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O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...