Texto de Inês Nadais, no Fugas
Marina da Costa Nova (Foto do meu arquivo)
Só para alguns, os nossos
O que se segue não é o
melhor que se pode dizer de uma praia, mas a Costa Nova não é para todos, só
para alguns, os nossos. Portanto, toda a verdade: mesmo em Agosto, não se sai
daqui vivo sem um bom casaco de malha, que as noites são de fazer fila na roulotte
do Zé da Tripa e o Verão, entre a ria e o mar, não é de ferro (enfim, tem os
seus momentos). Expliquemo-nos: não há praia como a Costa Nova - ou melhor, há,
mas nenhuma tem um areal tão enorme e tão branco, nem um mar que dê tanta luta,
nem uma nortada tão capaz de acordar os mortos -, mas não vale a pena esperar
milagres tropicais. Estamos verdadeiramente no Atlântico Norte, um banho de mar
pode ser uma grandessíssima tareia e o corta-vento é da tradição. Posto isto, a
Costa Nova continua a ser, para citar um gigante, Eça de Queirós, "um dos
mais deliciosos pontos do globo", onde estamos sempre "em grande
alegria" - mesmo que o palheiro do republicano José Estêvão, onde o
escritor se alojou em 1844, já não receba forasteiros e os pescadores tenham
trocado as suas casas às risquinhas por apartamentos com marquise. Teremos
sempre as enguias, uma estrada encantada para ir de bicicleta até à Vagueira -
e o plano B de ir para a ria, quando a bandeira está vermelha. Certo, guardámos
o melhor para o fim: a Costa Nova não é uma praia, são duas.
Inês Nadais