domingo, 17 de junho de 2012

Férias para este verão

Um olhar mais atento para o que nos cerca 



Pondo de lado a hipótese, por circunstâncias conhecidas, de sair em gozo de férias, vamos olhar para o nosso concelho com olhos bem abertos. Paisagens de encantos vários e gentes de simpatia extrema bem justificam uma atenção mais atenta. Da nossa ria e do nosso mar vale sempre a pena falar, porque haverá recantos a descobrir, experiências a usufruir, riquezas a explorar. Vamos este mês por aí, sem precisar de muito dinheiro ou até sem ele. 
Passeemos pela borda-d’água, mergulhemos na laguna ou no mar em dias de calmaria. Utilizemos os trilhos assinalados pela Câmara Municipal de Ílhavo e descubramos o que há de antigo e de mais moderno, com a finalidade de compreender o porquê das coisas. Há folhetos bastante úteis que podemos encontrar nos Postos de Turismo, onde os houver, sobretudo nas zonas balneares do nosso município. E assim, mais esclarecidos poderemos ficar sobre o que é nosso. 
Todavia, não vamos supor que já sabemos e conhecemos tudo, porque não é verdade. Somos muitas vezes uns puros analfabetos acerca do que nos envolve, optando, vezes sem conta, por outras terras e outras gentes e desprezando as nossas realidades quotidianas e históricas. 

Para caminhadas saudáveis 




Importa desfrutar neste verão as riquezas do património natural do nosso concelho. Os trilhos já definidos são excelentes formas de sensibilização e educação ambiental, que urge promover. Podemos escolher à vontade: 

- “Entre a Ria e o Mar”; 
- “Costa Nova”; 
- “Entre a Ria e a Floresta”; 
- “Cidade de Ílhavo”; 
- “Rota das Padeiras”; 
- Jardim Oudinot; 
- Mata da Gafanha, com marcas da sua história e com o Santuário de Schoenstatt, um lugar onde é bom estar. 

Nota: Podemos inventar percursos alternativos aos indicados, segundo os nossos gostos, que espaços e temas não faltam. O uso da bicicleta, em muitas visitas, é recomendável. 


Visitas Obrigatórias 




- Museu Marítimo de Ílhavo, com as celebrações dos 75 anos da sua existência; 
- Farol da Barra, em dias de visitas programadas ao varandim; 
- Forte da Barra, com o objetivo de tentar conhecer a sua história; 
- Navio-museu Santo André, com a sua história da pesca do bacalhau, explicada ao pormenor por tripulantes; 
- Exposições no Museu Marítimo, nos Centros Culturais de Ílhavo e Gafanha da Nazaré 

Festas 




- Espetáculos diversos nos Centros Culturais de Ílhavo e Gafanha da Nazaré 
- Marchas Sanjoaninas: Gafanha da Nazaré, 16 de junho, frente à Junta de Freguesia; Costa Nova, 22 de junho, junto ao mercado; Ílhavo, 23 de junho, Pavilhão Adriano Nordeste. 
- Festas Paroquiais, todas bem conhecidas das nossas gentes. 

Para horas de descanso 




- Frequentar as nossas praias: Barra, Costa Nova e Jardim Oudinot, na certeza de que encontramos ambientes a condizer com as necessidades que sentimos de fuga ao mundo barulhento que frequentemente nos envolve; 
- Ler na Biblioteca Municipal de Ílhavo, apostando em obras recentes, ou não, de autores da nossa terra; 
- O mesmo nos pólos daquela biblioteca, nomeadamente, na Gafanha da Nazaré; 

Nota: Está ao alcance de cada um requisitar livros para ler em casa.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Festival de Folclore


Festival de Folclore da Gafanha da Nazaré 

volta ao Largo 31 de Agosto




No próximo dia 7 de julho vai realizar-se, na nossa terra, o XXIX Festival Nacional de Folclore, com organização do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN). Este ano, o festival volta a ter como palco o Largo 31 de Agosto, bem no centro da freguesia, com o Grupo de Danças e Cantares de Serzedo, Grupo Típico O Cancioneiro de Castelo Branco, Grupo de Danças e Cantares Fonte da Senhora, Rancho dos Soutos da Caranguejeira de Leiria e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré.
A receção aos Grupos e Ranchos convidados será pelas 17 horas, seguindo-se a já habitual visita à Casa Gafanhoa, que inclui a cerimónia de boas-vindas e entrega de lembranças.
O GEGN oferece depois um jantar na Escola Básica 2/3 da Gafanha da Nazaré aos participantes e convidados, iniciando-se o festival pelas 21.30 horas. Esta é mais uma iniciativa do nosso Grupo Etnográfico, que bem alto e bem longe tem levado as tradições dos nossos antepassados, preservando, assim, o património histórico e cultural dos gafanhões.

sábado, 9 de junho de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

Uma estória da Cooperativa Elétrica

O contador não é automático


A CEGN (Cooperativa Elétrica da Gafanha da Nazaré) teve vida longa, com a grande maioria dos proprietários ou arrendatários de habitações como cooperantes, razão fundamental para ter energia elétrica em casa. A contagem da luz era mensal, feita pelo cobrador do consumo referente ao mês anterior. 
Sem qualquer anúncio, em época de alguma folga económico-financeira da cooperativa, era perdoado um mês aos cooperantes. As reparações e ligações, esta mediante o pagamento do valor de uma acção, ficavam a cargo de uma equipa técnica, que mantinha a assistência 24 horas por dia. No Inverno, sobretudo, era frequente falhar a corrente, mas no mesmo dia, por norma, era reparada a avaria. 
Um dia, o cobrador António Próspero dirigiu-se à casa de um lavrador já idoso, que protestou contra o facto de estar sem luz há um mês. 
— Todos os dias, à noitinha, ligo o interruptor e nada — disse ele. 
— E comunicou isso à cooperativa? 
— Eu não; estava à espera que o senhor por cá aparecesse. 
Quando a equipa técnica lá foi para ver o que se passava, verificou que estava tudo em ordem, apenas o contador estava desligado. 
— Ó senhor, aqui não há avaria nenhuma. O senhor mexeu no contador? 
— Mexi, mexi, há um mês, quando houve uma trovoada muito forte! 
— Pois é; devia tê-lo ligado, porque isto não é automático.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cooperativa Elétrica da Gafanha da Nazaré foi constituída em maio de 1938


Professor Filipe


Em 7 de Maio de 1938, por escritura pública lavrada no cartório notarial do Dr. Adelino Simões Leal, e publicada no Diário do Governo, de 4 de Junho do mesmo ano, foi constituída a Cooperativa Elétrica da Gafanha da Nazaré (CEGN), com o objetivo de adquirir e fornecer energia elétrica aos seus cooperantes. 
Até essa altura, a laboriosa população da Gafanha da Nazaré alumiava-se com os candeeiros a petróleo, velas, lanternas, quando não apenas com a fogueira do borralho. Também o Farol da Barra de Aveiro utilizou o petróleo para alimentar o foco luminoso, que guiasse os navegantes, até 1936, ano em que passou a beneficiar da energia elétrica, fornecida por um sistema eletrogénio. 
Perante a incapacidade de a Câmara Municipal de Ílhavo se responsabilizar, através dos seus serviços, pelo fornecimento de energia, que era uma necessidade, tanto para as populações como para o comércio e indústria da Gafanha da Nazaré, um grupo de gafanhões avançou com a ideia de criar uma cooperativa. Mestre Manuel Maria Bolais Mónica surgiu à frente de alguns conterrâneos, entre professores, comerciantes, industriais, proprietários e um sacerdote. 
Os mentores do projeto percorreram a freguesia, numa tarefa de sensibilização, considerada importante, e de angariação de sócios, cujo número justificasse a criação da referida instituição. 
Nesse grupo havia representantes de diversas classes sociais, que registamos para a história:

terça-feira, 15 de maio de 2012

Creoula e Santa Maria Manuela


Creoula

Santa Maria Manuela

O Creoula e o Santa Maria Manuela, dois lugres da Faina Maior e consequentemente da história da nossa região, comemoram este mês 75 anos de vida, tal como o Museu Marítimo de Ílhavo. Uma data significativa da nossa cultura e das nossas tradições marítimas, que nunca é de mais enaltecer. Recordei aqueles navios aqui

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O ANO EM QUE O MEU PAI NASCEU

TEXTO DE JOÃO MARÇAL


João Maria Marçal (1912-1988)

​Quando o meu pai nasceu (7 de Maio de 1912) a terra onde viu pela primeira vez a luz do dia era freguesia havia menos de dois anos. Já muito tinha crescido o que a levou a esse facto. Não foi em vão todo o trabalho dos seus antepassados (Rochas, Patas, Varetas, Rodrigues e Marçais) e outras famílias como a dele que aqui labutaram criando a Gafanha da Nazaré.​
​Não havia electricidade e as estradas eram poucas e ensaibradas: a primeira a ser construída atravessava a Gafanha da Nazaré desde próximo dos Estaleiros Navais até à Barra. Fazia parte do plano de ligação de Aveiro à Costa Nova. A segunda ligava a Gafanha de Aquém à Chave e era muito recente. O resto eram caminhos de carroça que em alguns casos funcionavam como valas em épocas de muita chuva. Estradas florestais, nem vê-las. No entanto já se zelava pela floresta onde foram empregues muitos gafanhões no plantio de pinhal e abertura e manutenção de valas de escoamento da água da chuva.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Inauguração do Lar Nossa Senhora da Nazaré

 4 de maio de 1991

Inauguração do Lar

O Lar Nossa Senhora da Nazaré foi inaugurado a 4 de maio de 1991, direcionado, nesta primeira fase, para o apoio à Terceira Idade. A festa da inauguração, que juntou muito povo, foi presidida por D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, estando presente, em representação do Governo, o ministro Silva Peneda, bem como os presidentes da Câmara de Ílhavo e da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, Manuel Galante e Mário Cardoso, respetivamente. O Prior da Freguesia, Padre José Fidalgo, foi o anfitrião, não escondendo a sua alegria pela inauguração do lar. 
No jornal “Timoneiro” afirma-se que a obra, de largo alcance social, importou em mais de cem mil contos, ficando com capacidade para 130 idosos, repartidos por Centro de Dia, Apoio Domiciliário e Lar. 
O Prior Fidalgo sublinhou que este centro começou a ser construído «há 80 anos», numa clara alusão à importância da comunidade viva a que o primeiro Prior, Padre Sardo, deu grande impulso. Lembrou a família do capitão Ferreira da Silva que ofereceu mil contos para as obras e o Padre Artur Sardo que doou o terreno. 
O ministro Silva Peneda mostrou a sua satisfação por poder partilhar esta festa, que o Estado subsidiou: «Agrada-me saber que a política sobre a Terceira Idade tem que evoluir. O idoso já não é o outro que já não serve para nada», afirmou. 
Por sua vez, D. António Marcelino louvou «o esforço de convergências entre a Igreja e comunidades humanas», referindo que a Igreja, na sua vertente social e humanizadora, está a ser fiel ao Evangelho. Frisou que «os idosos não são trapos» e que «o que fazemos por eles o devemos fazer por uma atitude de gratidão». «Gostaria que esta casa juntasse a família dos idosos», disse o Bispo de Aveiro, adiantando que «os lares não deviam ser necessários, já que eles, os idosos, têm casa que construíram para si e para os seus filhos». Ainda acrescentou que «um lar de idosos tem de ser uma Universidade local», porque — esclareceu — «é com os idosos e com os doentes que eu tenho aprendido mais». 

Fernando Martins 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

EGAS SALGUEIRO — Da EPA ao Teatro Aveirense e à Misericórdia


Texto de Cardoso Ferreira, 

no Correio do Vouga


Egas Salgueiro, à esquerda do Presidente da República, Américo Tomás


Egas da Silva Salgueiro foi um empresário aveirense de grande prestígio no sector das pescas longínquas, em especial do bacalhau. Desempenhou também um papel relevante na Misericórdia de Aveiro e no Teatro Aveirense.



No dia 16 de Março de 1894, em Aveiro, nasceu Egas da Silva Salgueiro, filho de João da Silva Salgueiro e de Virgínia Rosa da Silva Salgueiro. Com apenas 14 anos de idade, Egas Salgueiro deixou os estudos no Liceu de Aveiro e emigrou para o Brasil, tendo residido durante três anos em Pará. Regressou a Aveiro no ano de 1913 para, dois anos mais tarde, voltar a tentar a sua sorte como emigrante, dessa vez em Angola, fixando-se na zona de Benguela, onde permaneceu cerca de dois anos. 
“Nestas suas permanências por distantes terras, não fez fortuna, mas acumulou, apesar dos seus verdes anos, um avultado cabedal de experiência e de conhecimentos práticos que havia de ser de grande utilidade na sua vida futura”, pode ler-se no n.º 6 (1964) da “Flâmula”, revista da Empresa de Pesca de Aveiro (EPA). 
Regressado a Aveiro, Egas Salgueiro entrou para a empresa Salgueiro & Filhos, Lda, da qual era sócio conjuntamente com o pai e irmãos. Em 1918, com a compra do seu primeiro lugre bacalhoeiro, iniciou a sua longa ligação ao sector da perca do bacalhau.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Catitinha: achegas para a sua biografia

Catitinha



Foi em casa do tio João Catraio que um dia, aí por 1945, conheci uma figura típica e algo misteriosa. Aparecia de tempos a tempos e fixava residência em casa de alguns gafanhões, que o recebiam como se fora um parente próximo. Cediam-lhe um quarto, comia à mesa com as famílias que o acolhiam, conversava e dava conselhos a todos. 
Das suas palavras, serenas e bem medidas, saíam conceitos cheios de filosofia, que eu não entendia, mas que os sentia nos rostos extasiados de gafanhões iletrados e pouco viajados. Era o Catitinha, que os fotógrafos da região gostavam de registar para a posteridade. E quando nos falava, como qualquer avô extremoso e sábio, mostrava-nos fotografias das localidades por onde passara, viajando sempre de comboio. Dizia-se, então, que tinha livre-trânsito para poder andar de terra em terra. 
Não estava muito tempo no mesmo sítio. De repente, sem que nada o fizesse prever, anunciava a partida, e lá ia. Vim a referenciá-lo, mais tarde, noutras terras, sobretudo da beira-mar. 
Um dia de manhã, em casa do tio João, assisti à forma como cuidava da sua higiene pessoal. No tanque de lavar a roupa, dava à bomba com a mão direita, enquanto a água lhe caía pela cabeça. Ensaboava-se todo, da cinta para cima, e depois, com um pente que guardava num saquinho, penteava cabelo e barbas, com gestos bem pensados para tudo ficar certinho. 
Vestia-se com algum esmero, como quem vai para uma festa. A festa era a vida descontraída que levava, qual romeiro à procura da felicidade perdida. 
Vinha normalmente no Verão, ajudava os da casa em que se acolhera, comia do que havia, sem qualquer exigência, lia o que calhava, tomava notas num caderno que o acompanhava e saía para um passeio ou para visitar outros amigos. 
Na rua, quando via automóveis ou camionetas, apressava-se a proteger as crianças, como se temesse que elas fossem atropeladas. 
Com muita frequência passava pelas praias da Barra e da Costa Nova, onde mostrava as mesmas preocupações com as crianças que tomavam banho. Dava-lhes orientações para que não fossem levadas pelas ondas, chamava a atenção dos pais para que olhassem pelos seus filhos e quedava-se, tempo sem fim, a contemplar o mar, ao jeito de quem conta as ondas que se espraiavam no areal, a seus pés. 
Desse tempo, recordo que se dizia que essa inquietude, que levava o Catitinha a andar de terra em terra, como fugido de alguém ou da sua própria sombra, se devia ao facto de ter perdido uma filhinha, por atropelamento ou levada pelas ondas do mar. 
Um dia deixei de ouvir falar dele. Mas a sua imagem de ancião, que parecia transportar na alma um mundo poético ou cheio de sonhos ou de desilusões, nunca mais me deixou. 
Entretanto, vim a saber que Catitinha escondia o verdadeiro nome de António Joaquim Ferreira, nascido em Torres Novas, na freguesia de S. Tiago, em 23 de Outubro de 1880. Formou-se em Direito e exerceu a profissão de notário até ao dia em que morreu a sua única filha. 

Notas: 

1 — Frequentador de diversas praias, na Póvoa do Varzim colhi algumas informações sobre a sua naturalidade e identidade. No fim da vida, muito debilitado, foi acolhido em Avanca pela família de António Moutinho, que o tratou com todo o carinho. Faleceu a 9 de Abril de 1969 naquela freguesia, onde está sepultado. Jornal de Avanca, Novembro de 2004. [Texto publicado em “Gafanha da Nazaré — 100 anos de vida”] 

Catitinha numa praia


2 — Ontem, 29 de abril, recebi um e-mail de Joaquim Madeira, com esclarecimentos preciosos sobra a identidade e vida do Catitinha, que repõem a verdade sobre o ancião que conheci na minha meninice. Sublinha o leitor do meu blogue que o Catitinha «Nunca se formou em Direito ou coisa parecida. Quando muito, teria o equivalente à época da instrução primária. Notário não foi, mas sim padeiro entre outras profissões diversas (até cavaleiro tauromáquico). É verdade que a sua única filha morreu. Mas de velha, com cerca de 100 anos, no lar da Misericórdia da Golegã. Tanto ela como a sua mãe, esposa do Catitinha, viveram quase toda a vida em Riachos, terra onde se fixou quando se casou, que fica a 4 km de Meia Via, praticamente abandonadas pelo António Ferreira, que,  contava-se, até lhes terá deixado um pezito de meia quando morreu. 
Muitas das coisas que se contavam acerca dele, nunca passaram de mitos, que possivelmente até o próprio terá alimentado a fim de manter aquela áurea de mistério que havia em redor da sua pessoa, o que lhe permitiria manter aquele modo de vida.» 



3 — O meu leitor, porventura esporádico, acrescenta que «em Riachos nunca se deu grande importância à sua pessoa, uma vez que quase toda a sua vida viveu ausente. Em Meia Via, muito menos. Conheci a sua filha que morreu há cerca de 15/20 anos. Os meus pais, quando casaram em 1950 foram morar para uma casa contígua à da esposa do Catitinha. 
Sei que por volta do ano da sua morte, o jornal Diário Popular publicou um artigo (que nunca li) sobre ele. Há um par de anos perguntei ao jornalista Ângelo Granja, que penso ter sido o autor, (entretanto falecido) onde poderia consultar o DP daquela época. Infelizmente, disse-me, todo o espólio se havia perdido. Talvez na Biblioteca Nacional. 
No entanto irei abordar o assunto com o meu pai se ele souber de algo relevante sobre ele, enviar-lhe-ei posteriormente. Para já junto o que tenho dele e que, se calhar, também possui: 2 fotos e um recorte de jornal.»

4  — As fotos e o recorte do jornal foram-me fornecidas por Joaquim Madeira, gesto que agradeço.

5  — No meu livro apenas pretendi evocar uma memória de infância, colhendo na altura, 2010, alguns elementos, sem muito rigor histórico. De qualquer modo, é sempre tempo de repor a verdade necessária e possível.

FM 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Pesca Artesanal na Ria de Aveiro


Texto de Faria dos Santos,

Em  “Aveiro e o seu Distrito”, n.º 23/25, 1977/1978


Ilustração de Zé Penicheiro, no mesmo artigo


«Ao longo dos seus 45 quilómetros de comprimento, de Norte a Sul, existem na Ria de Aveiro povoações piscatórias com elevada actividade na pesca artesanal. Nomes  como  Ovar,  Torreira,  Murtosa,  S.  Jacinto, Costa Nova e Vagueira, estão intimamente ligados à ideia de pesca.

Os dados actuais sobre as quantidades e valores de pescado retirado da Ria de Aveiro são inexistentes. Na realidade com a extinção do chamado «imposto de pescado», foram encerrados os 13 postos de despacho alfandegário existentes na Ria. Sem eles não foi mais possível determinar os níveis de captura alcançados. Numa tentativa de análise do problema recordemos alguns dos valores recolhidos».

Com as dúvidas inerentes aos valores de vendagem declarados, pode-se todavia afirmar que rondariam as 700/800 toneladas/ano as capturas efectuadas na Ria de Aveiro. Admitindo que a riqueza piscícola da Ria haja sido afectada pelos factores ecológicos e poluitivos do conhecimento geral, mas, analisando também  o número de embarcações artesanais ainda em actividade e o seu número de tripulantes, é aceitável o cálculo de 500 toneladas/ano para as capturas actuais na Ria de Aveiro.

Em paralelo com a pesca na Ria de Aveiro desenvolve-se ainda a pesca costeira utilizando as tradicionais e belíssimas embarcações de «Arte de Xávega». Actualmente estão ainda em actividade cerca de dez destas embarcações, sendo os seus lugares de actividade Mira, Vagueira, Costa Nova, Torreira e Furadouro.

sábado, 21 de abril de 2012

O cabo, o engenheiro e a atitude desmanchada deste

História da Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro


Dique da Gafanha - 1930

O engenheiro saiu "gesticulando e gritando, numa atitude tão desmanchada, em plena rua e adiante de subordinados, dele e meus, do respeito que deve a si próprio e ofendendo-me a mim, desprestigiando-me e desautorando-me no exercício das minhas funções".

Na origem do episódio esteve o facto do trabalhador Manoel Monteiro Claro não ter respeitado a advertência do guarda pelo incumprimento do artigo n.º 2 da ordem de Serviço de 18 de Setembro de 1929 e, na sequência da reprimenda ter "abandonado o serviço de maroto" para ir fazer outra tarefa. Tendo-lhe ordenado que retomasse, imediatamente, o trabalho de picagem que estava a fazer "para que não fosse tempo perdido e dinheiro mal gasto como sucede noutros casos como a porção de railes e um chassi de uma vagoneta" que foram "picados e repicados e estão cobertos de ferrugem por não terem sido mandados pintar convenientemente". 

Participação do Cabo da Polícia, Salvador Garcia, sobre o comportamento de um Eng. da Junta Autónoma referente a uma ordem que tinha dado a um trabalhador, Forte da Barra, em 13 de Novembro de 1930.

Exposição patente no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré até 28 de abril.

Ver mais aqui 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Gafanha da Nazaré, cidade há 11 anos


19 de Abril de 2001






Criada freguesia em 23 de junho de 1910 e paróquia em 31 de agosto do mesmo ano, a Gafanha da Nazaré é elevada a vila em 1969. A cidade veio em 2001, por mérito próprio. O seu desenvolvimento demográfico, económico, cultural e social bem justifica as promoções que recebeu do poder constituído no século XX, a seu tempo reclamadas pelo povo e delas se fazendo eco a Junta de Freguesia. 
A Gafanha da Nazaré é obra assinalável de todos os gafanhões, sejam eles filhos da terra ou adotados. De todos os pontos do País, das grandes cidades e dos mais pequenos recantos, muitos chegaram e aqui se fixaram, porque não lhes faltaram boas condições de vida. 
A Gafanha da Nazaré é, hoje, uma mescla de muitas e variadas gentes, que, com os seus usos e costumes e muito trabalho, enriqueceram, sobremaneira, este rincão que a ria e o mar abraçam e beijam com ternura. 

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...