quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Efeméride Gafanhoa: Conferência Vicentina

16 de Fevereiro de 1953 

Nossa  Senhora da Nazaré

Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Nazaré 

A Conferência Vicentina Nossa Senhora da Nazaré, da Sociedade de São Vicente de Paulo, foi criada pelo Prior Abílio Saraiva. Em 1952 dinamizou um grupo de senhoras para a ação social e caritativa, dentre as quais se destacaram Maria da Luz Rocha, Rosa bela Vieira, Luzia Dias de Oliveira, Isaura Castro e Idalina Caleiro. 
Reuniam-se semanalmente numa dependência da igreja matriz para analisarem situações ligadas a questões de saúde, nomeadamente, doenças pulmonares, por serem muito frequentes nessa altura. A partir daí, procuravam dar às pessoas de fracos recursos as respostas adequadas. Levavam os doentes a médicos especialistas e acompanhavam-nos a tratamentos recomendados. A Rosa Bela distinguiu-se pela disponibilidade na aplicação de injeções, qual enfermeira dedicada e competente. Nessa tarefa diária e no contacto com as pessoas apercebia-se melhor das suas carências, apoiando-as no que fosse possível, mesmo para além das doenças que motivavam as visitas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

GUARITA E ESTRADA DA SACOR




Bela imagem da antiga Guarita, agora reproduzida e instalada no Jardim Oudinot. Visível a estrada conhecida, na nossa juventude, por estrada da SACOR, pois passava pelos depósitos de combustíveis daquela empresa industrial. Na nossa infância, por ali se apanhava, nos juncais da ria, o recebolo para alimentação dos suínos. 




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Aviação Naval de S. Jacinto


Hangar de S. Jacinto - 1918 (da Rede Global)

Na segunda metade da I Grande Guerra, os hidroaviões para defesa da costa portuguesa começaram a espelhar-se e a amarar na laguna aveirense, por acordo estabelecido com o Governo francês. Não havia capacidade económica e outra para Portugal assumir a defesa da sua própria zona costeira. Os técnicos e outro pessoal francês instalaram-se então em S. Jacinto com uma pequena esquadrilha. 
Terminada a guerra, os franceses abandonaram as precárias instalações que haviam ocupado em S. Jacinto, ficando aquele centro entregue à Aviação Marítima. 
Entretanto, aquela povoação impôs-se como centro de aviação, com muitos acontecimentos e projetos de permeio, até que, em 20 de Maio de 1925, é criada a Aviação Naval “Almirante Gago Coutinho”, para funcionar em S. Jacinto. Porém, a sua instalação só aconteceu em 1934. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A apanha do estrume

Uma estória do Ângelo Ribau 



O tempo estava na verdade melhor no dia seguinte, e, manhã cedo, lá fomos nós, o pai de gadanha e engaço ao ombro e o Toino com as duas varas, em direcção à bateira. 
O dia não era de chuva, mas a manhã estava fria. Notou-se logo ao meter os pés na lama para alcançar a bateira. Soltada esta do moirão aí vamos nós para o Esteiro do Oudinot. Salto para a margem com a cirga na mão, estico-a, ponho-a ao ombro, e vá de puxar a bateira. São dois quilómetros de extensão, contra a maré. Chegado ao fim é recolhida a cirga, entro para a bateira, pegamos nas varas e vá de atravessar a cale, sempre com muita atenção, não vá aparecer algum navio, que nos atrapalhe a manobra. Chegados ao fundão, vá de “paijar” com as varas como se fossem remos, dado que a cale era muito funda e as varas não atingiam o fundo. 
Passámos sem problemas e da outra banda voltámos a empurrar a bateira com as varas, até que chegámos à marinha; amarrámos a bateira e toca de começar a trabalhar. O pai do Toino a gadanhar o estrume e o Toino, sempre com o olho à viva (não fosse aparecer outra cobra), ia-o juntando e enfeixando na corda. Quando o molho estava com a quantidade suficiente era amarrado. O Pai puxava a corda de um lado e o Toino do outro, apertavam-no, davam um nó, o pai ajudava a pô-lo na cabeça do Toino, e aí vai ele correndo com o molho de estrume à cabeça, sempre a pensar nalguma cobra… 
Este serviço repetia-se vezes sem conta, até que a bateira estivesse carregada. 
Depois era o regresso pelo Esteiro do Oudinot, o carro dos bois à espera, o descarregar da bateira… 
Este serviço era executado dias sem conta, sempre que o tempo o permitisse, até que houvesse estrume suficiente, para as camas do gado durante o inverno, que aí vinha. 
O tempo ia piorando. O vento e as chuvas anunciavam o tempo que aí vinha, a chegada do inverno. Já havia dias de chuva, que permitiam ao Toino ler uns bons pedaços do livro que andava a ler, até ser “acordado” do sonho que a leitura lhe provocava, por ordens do pai que, dada a ordem, continuava na sua leitura: 
- Oh Toino, vai dar uma gabela de palha aos bois. 
Ou… 
- Dá uma gabela de erva à vaca. 

O Toino deixava a leitura e ia confirmar a ordem junto do pai, não que não tivesse ouvido bem, mas para confirmar qual o livro que o pai estava a ler. Punha o olho de lado, e lá ia cumprir a ordem. 
De regresso, ainda se atreveu: 
- Olha lá, oh pai, quantas vezes já leste esse livro? (era o Mártir do Gólgota) … 
- Não sei, mas gosto muito dele. Tem aqui uma personagem que me faz pensar: e continuou: era o cantor da Galileia, e ia fazer serenatas a Madalena, a pecadora. Chamava-se Boanerges. Se um dia tiver um neto gostava que lhe dessem esse nome… 
E lá continuavam, cada um com a sua leitura, até que da casa do forno se ouviu a vós da mãe: 
- Eh pessoal. Vamos à janta que o comer está na mesa… 



Forte da Barra: caldeira em dia de nevoeiro



Caldeira do Forte (foto do Ângelo Ribau)




Caldeira em manhã de nevoeiro. Aqui estacionavam as barcaças da JAPA, junto de  um estaleiro que procedia à sua reparação

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

“Casa Museu” de Manuel Serafim - séc.XX ao vivo!

Manuel Serafim mostra a sua casa-museu


Aceitando o convite do aluno e professor Manuel Serafim,  a turma de Comunicação e Fotografia, composta por 16 alunos, foi visitar a “Casa Museu”, antiga casa de habitação dos pais do maestro da Tuna da Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo.

Quarto 


Deslumbramento é a palavra mais adequada ao que pudemos ver e sentir. Para Manuel Serafim, tudo isto começou há pouco mais de um ano, após a sua reforma como mecânico da Sociedade  de Pesca Miradouro (Friopesca).
Grafonola e outras peças de coleção

Com muitas peças que entretanto ia juntando e outras que existiam em casa de seus pais, entretanto desocupada (o pai era carpinteiro naval e a mãe dedicava-se à lavoura),  foi reconstruindo a habitação como se fosse um museu de determinada época e hoje, para quem, como nós, viveu estes tempos, foi um lembrar de recordações, desde os discos de vinil, o gira-disco, a grafonola, os rádios de válvulas com as antenas em fio de cobre, antigos instrumentos musicais, o fogão a lenha com a panela de três pés, não esquecendo os candeeiros a petróleo, os santos e os crucifixos nos quartos e até os livros de bolso da Europa-América!.


A música sempre presente

Astrolábios, estátuas de pedra feitas pelo próprio, coleção de azulejos antigos, peças de ferro e madeira trabalhadas à mão, potes para apanha do polvo revestidos de fosseis marinhos, utensílios de antigos navios da pesca, instrumentos de lavoura, medidas utilizadas para cereais, mós de moer cereais, arcas, relógios, instrumentos musicais, louça da VA, quartos de dormir e cozinha mobilados como se estivéssemos no inicio do Séc. XX, oficina com diversas máquinas de trabalhar metais e um estúdio musical onde todas as semanas se juntam amantes da música, a saborearem o que mais gostam de fazer, cantar e tocar! Tudo isto é iluminado com luz solar através de um painel solar!!!!!!!
Na despedida, Manuel Serafim dirige-se ao professor Carlos Duarte e diz: “Já me esquecia, tenho por aí diverso material e um ampliador onde em tempos revelava e ampliava fotografia; se quiser, qualquer dia posso lá ir falar disso, quer?”
Para ilustrar e “abrir o apetite” a quem queira visitar, na R. Gil Vicente, esta “Casa Museu”, seguem algumas fotos.

Carlos Duarte

sábado, 28 de janeiro de 2012

Gafanha da Nazaré: Da torre da igreja para norte





Cá estão mais imagens da Gafanha da Nazaré, registadas a partir da torre da igreja, para norte. Décadas as separam. Gentileza do Ângelo Ribau.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gafanha da Nazaré: da torre da igreja para poente








Para recordar e para meditar. 60 anos separam as duas imagens. Gentileza do Ângelo Ribau, cuja paixão pela fotografia continua viva desde a sua juventude. E como  e quanto  aprendemos com ele e com as suas experiências!...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

DRAGANDO A RIA COM FAROL À VISTA


Dragando a Ria de Aveiro, junto às Portas d'Água, com Farol à vista. Pelas indicações que registei há tempos, sem me lembrar da fonte (imperdoável, reconheço), trata-se de uma imagem de 1920. Aceitam-se outras!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Versos de Vidal Oudinot: Caldeirada




CALDEIRADA

...   ...    ...   ...    ...   ...  
«– Disseram-me e eu creio ser verdade
Que tens um jeito para a caldeirada
Como ninguém e, como novidade,
Quem provar esse manjar de fada...»

«Ria-se, ria. Há-de lamber-lhe os dedos,
Há-de chorar por mais e não rirá...
«– Mas dize lá: como se faz...»
                                                 «Segredos!...
Muitos segredos qu'isso tem, verá... 

«Vamos. No rio há pouco vento agora.
Eu levo o meu rapaz, e no moliço
Bota-se a rede e é só puxar p'ra fora
Qu'é pescaria que já dá p’ra isso.

*

«Chegamos. Eh! rapaz de mil diabos
Tu lança a rede. Eu desenrolo-a e marco.
Bonda, Manuel, aí. Agarra os cabos...
Lance o senhor a vara e empurre o barco...

«Salte p'ra terra. Anda rapaz! T’aquenha!
E agora é só puxar. Vamos depressa.
Traze a marmita, a bilha d'água, a lenha,
Essa pimenta e o sal que não te esqueça.

*

«– Ricas enguias! Que tainha boa!
Linda manhã com este sol de Maio!
«Eh! Manuel andas c'a tola à toa!
Olh'esse barco qu'anda à rola, raio...

«Acende o lume enquanto amanho o peixe.
Cruze o senhor as varas... Nessa cruz
Pendure essa marmita. Agora deixe...
 Há-de fazer-se um jantarão de truz...

«É só temp'rá-Ia bem. Não ficam mal
Miga's de pão. É bom?»
                       – «Eu nem te conto!
Nunca, na vida, comi cousa igual!
Mais outra malga, meu Francisco...»
                                           «– Pronto.»

Na revista Aveiro e o seu Distrito, n.º 21, junho de 1976

GAFANHA DA NAZARÉ VISTA DA TORRE DA IGREJA






Fotos tiradas da torre da igreja. 60 anos as separam. Oferta do Ângelo Ribau.

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...