quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Quadras soltas


Costa Nova nada vale,
Aveiro vale um vintém;
Ílhavo vale um cruzado
p'las lindas moças que tem.
                            
Ílhavo

Hei-de casar na Gafanha,
hei-de ser um gafanhão,
para vender as batatas
às meninas de Alqueidão.
                            
Gafanha

No Cancioneiro do Distrito,
Compilação de M. Berta

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Concelho de Ílhavo visto por Amadeu Cachim em 1981



O Concelho de Ílhavo 
Por Amadeu Eurípedes Cachim 



Em 8 de Março de 1514, D. Manuel I concedeu foral ao Concelho de Ílhavo. 
Embora pequeno, este concelho é um dos mais evoluídos, de mais elevado nível de vida e de maior densidade de população, do Distrito de Aveiro e encontra-se devidamente electrificado e dotado de uma extensa rede de distribuição de água, que atinge já todas as freguesias, bem como as praias da Barra e Costa Nova do Prado, mercê de um projecto apresentado pelo Município, o qual, em 1968 mereceu a aprovação e uma avultada comparticipação do Ministério das Obras Públicas. 
Tem à volta de trinta mil habitantes, a maioria dos quais tem exercido a sua actividade nas fainas do mar, nos trabalhos da lavoura e nas lides domésticas. 
Hoje, porém, graças ao grande desenvolvimento industrial, já muitos dos seus filhos encontram ocupação, tanto na parte administrativa como na parte técnica das muitas e variadas fábricas e oficinas, que têm sido construídas e postas a funcionar, tanto na Zona Industrial como em outros locais adequados. 
Em todo o concelho nota-se também um enorme incremento urbanístico, com lindas vivendas edificadas por toda a parte, graças aos proventos auferidos pelos seus naturais, que desempenham as suas arriscadas funções nas várias modalidades da pesca, mas, principalmente, a bordo dos grandes arrastões, que vão laborar para zonas longínquas, como a Terra Nova, a África do Sul, a Noruega, a Mauritânia, etc., e ainda às remessas dos emigrantes, que, geralmente também em actividades ligadas ao mar, trabalham afincadamente, na América do Norte, no Canadá, na Alemanha, na Holanda, e na França. 
O concelho é composto por quatro freguesias: Ílhavo, Gafanha da Nazaré, Gafanha da Encarnação e Gafanha do Carmo. 
A sua sede – Ílhavo – é uma ridente vila, veleira e airosa, que fica situada a cinco quilómetros ao Sul da Cidade de Aveiro.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PASSAGENS DE ANO DA MINHA INFÂNCIA




Confesso que não recordo nada de especial das passagens de ano da minha infância e juventude. A vida de há 60 anos nada tinha a ver com o consumismo dos tempos atuais. Havia pouco dinheiro no bolso do comum dos mortais e mesmo os mais abastados eram poupados. Talvez por serem, normalmente, de origem humilde. De modo que as festas que implicassem gastos um pouco mais elevados não gozavam da sua preferência.
Recordo que a chamada ceia do Natal, essa sim, era sentida pelas famílias como algo de especial, não faltando, por isso, o bacalhau com todos e os tradicionais bilharacos e rabanadas, de mistura com nozes, figos passados e um ou outro doce fora do usual. A ceia tinha sempre como condimento obrigatório e esperado a conversa sobre as prendas do Menino Jesus, nanja do Pai Natal, figura que não encaixava nas famílias católicas, que eram, nas Gafanhas, a maioria, quando surgiu, muito depois, por interesses comerciais, como é sabido.
Lembro que a revelação do segredo, de que o Menino não podia distribuir tanta prenda, era feita paulatinamente, sem dramas. Estou a ouvir a minha saudosa mãe a explicar, sorridente, enquanto mexia a massa de abóbora com ovos, farinha, açúcar e canela (não sei se está tudo), que o Menino Jesus, afinal, não podia distribuir os presentes, mas, mais do que isso, dava saúde ao nosso pai, que andava sobre as águas do mar, para ele ganhar dinheiro para prendas e para tudo o que fosse preciso.
Ora, na passagem do ano, uma semana depois, repetia-se a ceia do Natal. E era também nessa altura que surgiam mais uns presentinhos, para alegrar alguns descontente com o que recebeu no dia de ceia
Já rapaz, nunca saí de casa para festejar o Ano Novo. E quando adulto ousei experimentar foi noite estragada. Nunca gostei de barafundas. Só com a família, na traquilidade da minha casa, é que estou bem. E cada um que seja feliz à sua maneira. São o meus votos muito sinceros.
Bom ano para todos.
Fernando Martins

sábado, 24 de dezembro de 2011

Recordações da guerra colonial


MÃE, SIMPLESMENTE MÃE
Ângelo Ribau Teixeira

Ela era a mãe de um simples soldado. Vivia na sua terra, só, pois o marido tinha falecido havia uns tempos. Era pescador numa traineira da pesca da sardinha. Um dia, ao entrar na barra, a traineira bateu contra o molhe e afundou-se, tendo falecido grande parte da tripulação. O intenso nevoeiro que se fazia sentir,  a falta de radar que, naquela altura, ainda não estava instalado na embarcação, bem como o facto de a pesca ter sido muito boa, com sardinha da proa à ré, "pesada",  como se dizia da gíria,  terão contribuído para o desastre.
Recebi a notícia por um jornal que vinha a embrulhar uma encomenda de um companheiro de guerras.
Conhecia a maior parte dos tripulantes, alguns meus colegas de escola, outros desconhecidos e pessoas mais velhas, onde reconheci o pai do tal soldado, que se encontrava no Leste de Angola. Perguntei à minha mulher como tinha reagido aquela mãe, viúva e com o filho longe… sem mais ninguém…
— Mal, muito mal; Anda aí pela rua gritando, respondeu.
E acrescentou:
— O mar levou-me o marido; os “outros”, o meu filho. Malvados!
Era mais uma mãe. Simplesmente uma mãe só no mundo. Como tantas naquele tempo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

ESTÓRIA DE BONS MALANDROS

O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA! ​
Pois é, já que estamos em tempo de confissões, passo a responder ao meu querido amigo Prof. Manuel Olívio: a história repete-se! Na passagem de Ano de 1967, salvo o erro, alguém disse: “E se fôssemos ao mercado deitar abaixo as letras que dizem Ílhavo?”
“Não foi precisa discussão prévia: todos de acordo; sim que já era tempo de esses tipos aprenderem que o mercado é da GAFANHA! Pois claro, etc. e tal”. Previmos que o barulho das milhentas badaladas que o relógio da igreja dava à meia noite, acrescido do ribombar dos foguetes, mai-las sirenes dos barcos ecoando festivamente, abafariam o barulho que tínhamos que fazer para deitar as letras abaixo. Mas enganámo-nos. O problema não surgiu do barulho que fizemos! Mas é melhor contar o que então se passou.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Salgado Aveirense em decadência




João Magueta, um marnoto 
com saudades da safra do sal 


João Gandarinho Magueta,77 anos, sete filhos e dez netos, sente-se honrado por ter sido marnoto durante 30 safras. Ostenta, por isso, na parte exterior da sua casa, um painel cerâmico alusivo à sua vida nas salinas. E fala, a talho de foice, da vida dura que levou. Chegou a ser convidado por alunos da Universidade de Aveiro para explicar, em plena marinha, as várias fases da produção do sal. Também guarda, como boas recordações desses tempos, fotografias em plena faina. E continua com saudades dos trabalhos nas salinas. Tem muita pena de ver a situação do Salgado Aveirense em completa decadência. 

João Magueta mostra que a arte de produzir sal lhe está no sangue. Começou cedo, aos 11 anos, como moço do próprio pai, marnoto, natural da Gafanha da Encarnação, mas radicado na Gafanha da Nazaré depois do casamento. O João não andou na escola, mas aprendeu a ler e a fazer contas com o pai, que, seguindo hábitos familiares, ensinou os filhos. Exceto o mais novo, que já apanhou a lei da obrigatoriedade escolar. O exame da 4.ª classe veio mais tarde, por exigência de uma fábrica de cerâmica, em Aveiro, onde trabalhava depois das labutas na marinha. Foi preparado, já adulto, para esse exame pelo professor Ramos. 
Para além das tarefas de moço e marnoto, o João trabalhava no inverno onde era possível, como nas secas e até, mais tarde, como cobrador da Auto Viação Aveirense. 
Curiosamente, o seu avô, Manuel Magueta, mestre-escola e lavrador, ensinava, aos sábados e domingos e à semana quando chovia, na Gafanha da Encarnação quem gostasse de aprender a ler, a escrever e a fazer contas. Como era tradição, os alunos contribuíam, por ano, com alguns produtos agrícolas, pois que o dinheiro era escasso. 
João Magueta começou como moço, tendo ganho, no primeiro ano, de abril a setembro, 300 escudos, e recorda, com natural nostalgia, o contato com a água salgada sobre a qual incidia o sol forte, provocando, lentamente, a cristalização do sal. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

RUA MESTRE MÓNICA




UM GAFANHÃO QUE PROJETOU A NOSSA TERRA
Não há dúvida de que o Mestre Manuel Maria Bolais Mónica projetou a nossa terra muito para além das fronteiras portuguesas. Construtor Naval desde muito novo, cuja arte aprendeu de seu pai José Maria Bolais Mónica, mal nasceu, em 11 de Julho de 1889, em Ílhavo, radicou-se na Gafanha da Nazaré. Precisamente no ano em que veio ao mundo, seu pai transferiu o estaleiro que possuída na sede do concelho para a Cale da Vila.
Disse que projetou a nossa terra para além das fronteiras portuguesas porque os navios que construiu, de linhas únicas, harmoniosas e belas, navegaram por mares muito ou pouco conhecidos, exibindo, com galhardia, a sensibilidade e a arte do Mestre Mónica.
O seu estaleiro foi, sem dúvida, uma escola da arte de manejar o machado e a enxó, oferendo ao país mestres qualificados, oriundos de vários cantos de Portugal, de alguma forma ligados às madeiras.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

GAFANHÕES NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA DE 14-18




O Rubem da Rocha Garrelhas teve a gentileza, que agradeço, de me enviar a foto do seu avô materno, José Estanqueiro da Rocha, que participou na primeira Grande Guerra de 1914-1918, e que eu conheci pessoalmente. Tratava-se de um meu vizinho e parente, embora afastado, como o atesta o apelido Rocha. Haverá mais fotos de outros gafanhões, porventura guardadas nas arcas, que também participaram nessa guerra e que eu gostaria de recolher para memória futura. Fico à espera que mas enviem.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aveirenses Ilustres: Marnotos da Ria de Aveiro

23 de Novembro de 2011 
Auditório do Museu da Cidade de Aveiro18.30 horas

Marnoto


«Marnotos da Ria de Aveiro: Homens robustos e tisnados, que trabalhavam normalmente, de sol a sol, de Fevereiro a Setembro, nas marinhas de sal. Numa mão traziam o ancinho, noutra o ugalho da lama ou o rapão do sal. Carregavam pesadas canastras cheiinhas de sal das salinas para as eiras e destas para os barcos saleiros. Tanto podiam ser cagaréus, como oriundos de localidades como a Gafanha da Nazaré, Mira, Aradas ou mesmo, Trás-os-Montes. Na sua maioria eram homens de fora do concelho, vinham para a marinha à segunda-feira e só regressavam a casa à sexta-feira. Dormiam no chão de feno ou de junco, ou numa caminha de madeira, no palheiro, onde também comiam o parco comer das provisões acarretadas. 
No século XIX, o operário salícola trajava manaia (espécie de calção) e camisa branca em linho ou tecido cru, sem colarinho e sem punhos; faixa preta ou encarnada; barrete de fazenda de lã ou chapéu preto de aba larga e lenço vermelho de algodão estampado.» 

Fonte: Boletim Municipal / Cultura e Património, ed. CMA, Dez. 1997, p. 48.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Gafanha da Nazaré: Rua Sacadura Cabral





Sacadura Cabral, um herói 
da Aviação Naval Portuguesa

A Rua Sacadura Cabral estende-se desde o Cruzeiro até à Av. José Estêvão, serpenteando em todo o seu traçado. Recebe, ao longo do seu percurso, diversas ruas e outros acessos, apresentando-se alcatroada. Antes desse melhoramento, foi ensaibrada, sucedendo a caminhos de terra batida, antigos, que justificam o seu atual piso, pouco alinhado.
Esta rua é uma homenagem ao piloto aviador do mesmo nome, colega de Gago Coutinho na histórica travessia aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro, em 1922. Sacadura Cabral como piloto e Gago Coutinho como navegador constituíram, assim, uma dupla de renome mundial, na época, sendo certo que ainda nos nossos dias tal feito ocupa um lugar de mérito.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Seminário de Santa Joana Princesa - 2


Cortejo a favor do Seminário de Aveiro 

Seminário de Santa Joana Princesa

Das minhas memórias, recordo que participei num cortejo 
de oferendas a favor do Seminário, com o envolvimento 
de dezenas de paróquias da diocese. 
Foi isto em 30 de Junho de 1946

«Após o meio-dia toda a cidade [Aveiro] se animou com um grandioso cortejo de oferendas a favor da construção do Seminário de Santa Joana. As dezenas de paróquias da Diocese vieram com suas representações características, com seus ranchos folclóricos e com os seus donativos generosos. As ruas encheram-se dos mais variados cantos alegres e populares, dos sonoros acordes de diversas filarmónicas e da beleza dos carros alegóricos e garridos. Além do valor material que significou esta magnífica jornada de caridade, o cortejo constituiu mais um elemento a unir as terras do Bispado à volta do mesmo centro espiritual, fixado em Aveiro.» LVST 
Integrei o cortejo, a que se associaram empresas e católicos da nossa terra, com carros enfeitados e carregados de presentes, os mais diversos, desde géneros alimentícios, incluindo bacalhau, até materiais de construção e madeiras dos estaleiros. 
As pessoas partiam em grupo dos seus lugares rumo à concentração, junto à ponte de madeira que nos ligava a Aveiro. E assim seguimos a pé até ao destino. 
A minha memória diz-me ainda que as nossas ofertas mais miúdas foram depositadas nas barracas da Feira de Março, ainda não desmontadas. 
O que levava numa saca, que depois passou para um carro de vacas, já se me varreu da memória. Milho? Feijão? Não sei. Só sei que voltei a pegar nela, no Rossio, para a entregar numa barraca. Aí, o seu conteúdo passou para uma caixa e voltei satisfeito com a saca na mão para casa.

Fernando Martins,
no livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"

NOTA: LVST - "Lima Vidal e o seu Tempo", de João Gonçalves Gaspar

Seminário de Santa Joana Princesa - 1



«Muitas coisas, quando se fizer a história do seminário, 
se as quiserem saber, têm que ir à minha campa 
e perguntar por elas às minhas cinzas 
que ainda por lá estiverem.» 

Lima Vidal, 
CV de 14-02 de 1950, (DA) 

Com a restauração da Diocese de Aveiro, concretizada em 11 de Dezembro de 1938, pela aplicação da Bula Omnium Ecclesiarum, D. João Evangelista de Lima Vidal tinha em mente já o sonho da abertura de um Seminário Diocesano. Porque «Uma Diocese sem seminário é como se fora um corpo sem alma. Nem teria mesmo a aparência duma máquina que se move com a pouca corda que se lhe dá» (DA), disse o primeiro Bispo da Diocese reconstituída, numa altura em que desejava, quanto antes, passar do sonho à realidade.
E se era importante e até fundamental o seminário para a formação dos futuros padres, não deixaria de o ser menos um edifício próprio, com espírito novo.
Trabalhos complexos foram necessários, até poder abrir as suas portas aos candidatos ao sacerdócio.
Depois de passar por alguns edifícios, provisoriamente, porque a vontade de D. João era levantar um seminário de raiz, a construção do actual edifício do Seminário de Santa Joana Princesa avançou poucas semanas depois do concurso das fundações, que ocorreu em 23 de Março de 1945, sob a direcção da Comissão Comercial, da qual fazia parte um gafanhão, Benjamim Fidalgo, que aqui registo para memória futura. DA
Antes, porém, da construção do Seminário de Santa Joana Princesa, iniciaram-se obras noutra zona de Aveiro, que foram interrompidas, a favor do aproveitamento do barro ali existente, necessário à indústria cerâmica. E aqui surge um gafanhão, muito rico, o Dr. José Maria da Silva, ex-padre e depois professor de Liceus. Dispunha-se ele a construir, sozinho, o seminário. DA

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dia de S. Martinho — 11 de novembro




Bom Dia de S. Martinho para todos 

Como manda a tradição, celebra-se hoje o Dia de S. Martinho. Se a nossa região fosse terra de vinhos, teríamos de provar o vinho novo com as castanhas. Assim, limitar-nos-emos a beber um vinho qualquer, ao gosto de cada um, ou a também tradicional jeropiga. Vou pelo que estiver à mão.
Que me lembre, as castanhas numa foram a base da alimentação das nossas gentes, o que acontece mais nas terras de muitas e boas castanhas. Neste caso, é sabido que as castanhas serviam para confecionar boas e substanciais sopas, alguns doces e até para acompanhar carne assada. Garanto que as castanhas são um excelente complemento.
Por cá, pelas nossas terras, opta-se pelas castanhas assadas. Antigamente em caçarolas de barro, com buracos, e temperadas com sal grosso. Eram saborosas, sim senhor. Mas nada que se compare às que comprávamos nas pontes, o olho da cidade, em Aveiro. Vinham embrulhadas em papel de jornal e em folhas das listas telefónicas já retiradas de uso. Sabiam muito bem. Uma dúzia de apetitosas castanhas, de casca esbranquiçada, pelo fogo e talvez pelo sal, descontando umas tantas pobres que vinham sempre na rede das mãos dos vendedores, eram delícias que nos enriqueciam o paladar, para além de nos aquecerem um pouco o corpo e a alma.
Agora, são, normalmente, assadas num qualquer fogão a gás ou elétrico, mas que não é a mesma coisa, lá isso não é. Garanto-vos. Nem as cozidas me sabem tão bem como as assadas. Gostos temperados noutros tempos, por certo.
Bom dia de S. Martinho para todos.

FM

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O GATA SEMPRE VAI RENASCER?




O GATA (Grupo Activo de Teatro Amador) foi fundado em 27 de Setembro de 1973 e os ensaios decorriam no edifício da Casa do Povo, na Chave, cujo presidente era o Dr. Humberto Rocha. A primeira peça a subir ao palco, no salão paroquial da Gafanha da Nazaré, foi “O Mar”, de Miguel Torga, no dia 13 de Julho de 1974, «perante 800 espectadores, num espaço calculado para 400 pessoas sentadas», como se lê no jornal Timoneiro desse mês e ano. 
É justo lembrar alguns nomes desse memorável espectáculo:
Artistas: Eva Gonçalves, Fátima Ramos, Irene Ribau, Eduarda Fernandes, Fátima Gonçalves, Dinis Ramos, José Alberto, Carlos Margaça, Horácio Bola, Carlos Bola, Herlander Loureiro, Alberto Margaça e Silvério Marçal.
Ensaiador, Augusto Fernandes; Encenador e Sonoplasta, Humberto Rocha; Luminotécnico, Eduardo Teixeira; e Contra-regra, Luís Miguel.
Outras peças se sucederam e novos espectáculos surgiram, quer na Gafanha da Nazaré, quer noutras terras do país, numa permuta saudável com vários grupos de teatro.

NOTAS: 

1. Ao abordar este assunto, não posso deixar de manifestar a minha tristeza ao verificar que o Teatro, para além do GATA, nunca conseguiu impor-se entre o nosso povo. As diversas manifestações teatrais, esporadicamente levadas a palco, não passaram disso mesmo.
Há décadas, muitos jovens mostraram à saciedade que tinham jeito e talento, mas nunca conseguiram dar o salto para voos mais altos.
Presentemente, com as condições de que dispõe a Gafanha da Nazaré, seria óptimo que os mais entusiastas pela arte de Talma se congregassem para ressuscitar o GATA ou para avançar com outro projecto, quiçá diferente, alimentado para outros sonhos.


2. Evoco hoje com estas simples linhas a necessidade de acordar a nossa juventude, de todas as idades, para esta vertente da arte. Consta-me que a ADIG já pensou nisso e que até já trocou impressões com Humberto Rocha, um gafanhão muito dado a iniciativas que mexam com as pessoas. Gostaria de o ver a recomeçar o teatro entre nós, fazendo ressuscitar o GATA que ele próprio ergue há anos. Se ele quiser, a aposta terá garantias de sucesso.

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...