Confesso que não recordo nada de especial das passagens de ano da minha infância e juventude. A vida de há 60 anos nada tinha a ver com o consumismo dos tempos atuais. Havia pouco dinheiro no bolso do comum dos mortais e mesmo os mais abastados eram poupados. Talvez por serem, normalmente, de origem humilde. De modo que as festas que implicassem gastos um pouco mais elevados não gozavam da sua preferência. Recordo que a chamada ceia do Natal, essa sim, era sentida pelas famílias como algo de especial, não faltando, por isso, o bacalhau com todos e os tradicionais bilharacos e rabanadas, de mistura com nozes, figos passados e um ou outro doce fora do usual. A ceia tinha sempre como condimento obrigatório e esperado a conversa sobre as prendas do Menino Jesus, nanja do Pai Natal, figura que não encaixava nas famílias católicas, que eram, nas Gafanhas, a maioria, quando surgiu, muito depois, por interesses comerciais, como é sabido. Lembro que a revelação do segredo, de que o Menino não podia distribuir tanta prenda, era feita paulatinamente, sem dramas. Estou a ouvir a minha saudosa mãe a explicar, sorridente, enquanto mexia a massa de abóbora com ovos, farinha, açúcar e canela (não sei se está tudo), que o Menino Jesus, afinal, não podia distribuir os presentes, mas, mais do que isso, dava saúde ao nosso pai, que andava sobre as águas do mar, para ele ganhar dinheiro para prendas e para tudo o que fosse preciso. Ora, na passagem do ano, uma semana depois, repetia-se a ceia do Natal. E era também nessa altura que surgiam mais uns presentinhos, para alegrar alguns descontente com o que recebeu no dia de ceia Já rapaz, nunca saí de casa para festejar o Ano Novo. E quando adulto ousei experimentar foi noite estragada. Nunca gostei de barafundas. Só com a família, na traquilidade da minha casa, é que estou bem. E cada um que seja feliz à sua maneira. São o meus votos muito sinceros. Bom ano para todos. Fernando Martins
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
PASSAGENS DE ANO DA MINHA INFÂNCIA
Confesso que não recordo nada de especial das passagens de ano da minha infância e juventude. A vida de há 60 anos nada tinha a ver com o consumismo dos tempos atuais. Havia pouco dinheiro no bolso do comum dos mortais e mesmo os mais abastados eram poupados. Talvez por serem, normalmente, de origem humilde. De modo que as festas que implicassem gastos um pouco mais elevados não gozavam da sua preferência. Recordo que a chamada ceia do Natal, essa sim, era sentida pelas famílias como algo de especial, não faltando, por isso, o bacalhau com todos e os tradicionais bilharacos e rabanadas, de mistura com nozes, figos passados e um ou outro doce fora do usual. A ceia tinha sempre como condimento obrigatório e esperado a conversa sobre as prendas do Menino Jesus, nanja do Pai Natal, figura que não encaixava nas famílias católicas, que eram, nas Gafanhas, a maioria, quando surgiu, muito depois, por interesses comerciais, como é sabido. Lembro que a revelação do segredo, de que o Menino não podia distribuir tanta prenda, era feita paulatinamente, sem dramas. Estou a ouvir a minha saudosa mãe a explicar, sorridente, enquanto mexia a massa de abóbora com ovos, farinha, açúcar e canela (não sei se está tudo), que o Menino Jesus, afinal, não podia distribuir os presentes, mas, mais do que isso, dava saúde ao nosso pai, que andava sobre as águas do mar, para ele ganhar dinheiro para prendas e para tudo o que fosse preciso. Ora, na passagem do ano, uma semana depois, repetia-se a ceia do Natal. E era também nessa altura que surgiam mais uns presentinhos, para alegrar alguns descontente com o que recebeu no dia de ceia Já rapaz, nunca saí de casa para festejar o Ano Novo. E quando adulto ousei experimentar foi noite estragada. Nunca gostei de barafundas. Só com a família, na traquilidade da minha casa, é que estou bem. E cada um que seja feliz à sua maneira. São o meus votos muito sinceros. Bom ano para todos. Fernando Martins
sábado, 24 de dezembro de 2011
Recordações da guerra colonial
MÃE, SIMPLESMENTE MÃE
Ângelo Ribau Teixeira
Ela era a mãe de um simples soldado. Vivia na sua terra, só,
pois o marido tinha falecido havia uns tempos. Era pescador numa traineira
da pesca da sardinha. Um dia, ao entrar na barra, a traineira bateu contra o
molhe e afundou-se, tendo falecido grande parte da tripulação. O intenso
nevoeiro que se fazia sentir, a falta de radar que, naquela altura, ainda não
estava instalado na embarcação, bem como o facto de a pesca ter sido muito boa, com sardinha da proa à ré, "pesada", como se dizia da gíria, terão contribuído para o desastre.
Recebi a notícia por um jornal que vinha a embrulhar uma
encomenda de um companheiro de guerras.
Conhecia a maior parte dos tripulantes, alguns meus colegas
de escola, outros desconhecidos e pessoas mais velhas, onde reconheci o pai do
tal soldado, que se encontrava no Leste de Angola. Perguntei à minha mulher como
tinha reagido aquela mãe, viúva e com o filho longe… sem mais ninguém…
— Mal, muito mal; Anda aí pela rua gritando, respondeu.
E acrescentou:
— O mar levou-me o marido; os “outros”, o meu filho. Malvados!
Era mais uma mãe. Simplesmente uma mãe só no mundo. Como
tantas naquele tempo.
domingo, 18 de dezembro de 2011
ESTÓRIA DE BONS MALANDROS
O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA!
Pois é, já que estamos em tempo de confissões, passo a responder ao meu querido amigo Prof. Manuel Olívio: a história repete-se! Na passagem de Ano de 1967, salvo o erro, alguém disse: “E se fôssemos ao mercado deitar abaixo as letras que dizem Ílhavo?”
“Não foi precisa discussão prévia: todos de acordo; sim que já era tempo de esses tipos aprenderem que o mercado é da GAFANHA! Pois claro, etc. e tal”. Previmos que o barulho das milhentas badaladas que o relógio da igreja dava à meia noite, acrescido do ribombar dos foguetes, mai-las sirenes dos barcos ecoando festivamente, abafariam o barulho que tínhamos que fazer para deitar as letras abaixo. Mas enganámo-nos. O problema não surgiu do barulho que fizemos! Mas é melhor contar o que então se passou.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Salgado Aveirense em decadência
João Magueta, um marnoto
com saudades da safra do sal
João Gandarinho Magueta,77 anos, sete filhos e dez netos, sente-se honrado por ter sido marnoto durante 30 safras. Ostenta, por isso, na parte exterior da sua casa, um painel cerâmico alusivo à sua vida nas salinas. E fala, a talho de foice, da vida dura que levou. Chegou a ser convidado por alunos da Universidade de Aveiro para explicar, em plena marinha, as várias fases da produção do sal. Também guarda, como boas recordações desses tempos, fotografias em plena faina. E continua com saudades dos trabalhos nas salinas. Tem muita pena de ver a situação do Salgado Aveirense em completa decadência.
João Magueta mostra que a arte de produzir sal lhe está no sangue. Começou cedo, aos 11 anos, como moço do próprio pai, marnoto, natural da Gafanha da Encarnação, mas radicado na Gafanha da Nazaré depois do casamento. O João não andou na escola, mas aprendeu a ler e a fazer contas com o pai, que, seguindo hábitos familiares, ensinou os filhos. Exceto o mais novo, que já apanhou a lei da obrigatoriedade escolar. O exame da 4.ª classe veio mais tarde, por exigência de uma fábrica de cerâmica, em Aveiro, onde trabalhava depois das labutas na marinha. Foi preparado, já adulto, para esse exame pelo professor Ramos.
Para além das tarefas de moço e marnoto, o João trabalhava no inverno onde era possível, como nas secas e até, mais tarde, como cobrador da Auto Viação Aveirense.
Curiosamente, o seu avô, Manuel Magueta, mestre-escola e lavrador, ensinava, aos sábados e domingos e à semana quando chovia, na Gafanha da Encarnação quem gostasse de aprender a ler, a escrever e a fazer contas. Como era tradição, os alunos contribuíam, por ano, com alguns produtos agrícolas, pois que o dinheiro era escasso.
João Magueta começou como moço, tendo ganho, no primeiro ano, de abril a setembro, 300 escudos, e recorda, com natural nostalgia, o contato com a água salgada sobre a qual incidia o sol forte, provocando, lentamente, a cristalização do sal.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
RUA MESTRE MÓNICA

UM GAFANHÃO QUE PROJETOU A NOSSA TERRA Não há dúvida de que o Mestre Manuel Maria Bolais Mónica projetou a nossa terra muito para além das fronteiras portuguesas. Construtor Naval desde muito novo, cuja arte aprendeu de seu pai José Maria Bolais Mónica, mal nasceu, em 11 de Julho de 1889, em Ílhavo, radicou-se na Gafanha da Nazaré. Precisamente no ano em que veio ao mundo, seu pai transferiu o estaleiro que possuída na sede do concelho para a Cale da Vila. Disse que projetou a nossa terra para além das fronteiras portuguesas porque os navios que construiu, de linhas únicas, harmoniosas e belas, navegaram por mares muito ou pouco conhecidos, exibindo, com galhardia, a sensibilidade e a arte do Mestre Mónica. O seu estaleiro foi, sem dúvida, uma escola da arte de manejar o machado e a enxó, oferendo ao país mestres qualificados, oriundos de vários cantos de Portugal, de alguma forma ligados às madeiras.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
GAFANHÕES NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA DE 14-18

O Rubem da Rocha Garrelhas teve a gentileza, que agradeço, de me enviar a foto do seu avô materno, José Estanqueiro da Rocha, que participou na primeira Grande Guerra de 1914-1918, e que eu conheci pessoalmente. Tratava-se de um meu vizinho e parente, embora afastado, como o atesta o apelido Rocha. Haverá mais fotos de outros gafanhões, porventura guardadas nas arcas, que também participaram nessa guerra e que eu gostaria de recolher para memória futura. Fico à espera que mas enviem.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Aveirenses Ilustres: Marnotos da Ria de Aveiro
23 de Novembro de 2011
Auditório do Museu da Cidade de Aveiro, 18.30 horas
Auditório do Museu da Cidade de Aveiro, 18.30 horas
Marnoto
«Marnotos da Ria de Aveiro: Homens robustos e tisnados, que trabalhavam normalmente, de sol a sol, de Fevereiro a Setembro, nas marinhas de sal. Numa mão traziam o ancinho, noutra o ugalho da lama ou o rapão do sal. Carregavam pesadas canastras cheiinhas de sal das salinas para as eiras e destas para os barcos saleiros. Tanto podiam ser cagaréus, como oriundos de localidades como a Gafanha da Nazaré, Mira, Aradas ou mesmo, Trás-os-Montes. Na sua maioria eram homens de fora do concelho, vinham para a marinha à segunda-feira e só regressavam a casa à sexta-feira. Dormiam no chão de feno ou de junco, ou numa caminha de madeira, no palheiro, onde também comiam o parco comer das provisões acarretadas.
No século XIX, o operário salícola trajava manaia (espécie de calção) e camisa branca em linho ou tecido cru, sem colarinho e sem punhos; faixa preta ou encarnada; barrete de fazenda de lã ou chapéu preto de aba larga e lenço vermelho de algodão estampado.»
Fonte: Boletim Municipal / Cultura e Património, ed. CMA, Dez. 1997, p. 48.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Gafanha da Nazaré: Rua Sacadura Cabral
Sacadura Cabral, um herói
da Aviação Naval Portuguesa
A Rua Sacadura Cabral estende-se desde o Cruzeiro até à Av.
José Estêvão, serpenteando em todo o seu traçado. Recebe, ao longo do seu
percurso, diversas ruas e outros acessos, apresentando-se alcatroada. Antes
desse melhoramento, foi ensaibrada, sucedendo a caminhos de terra batida,
antigos, que justificam o seu atual piso, pouco alinhado.
Esta rua é uma homenagem ao piloto aviador do mesmo nome,
colega de Gago Coutinho na histórica travessia aérea de Lisboa ao Rio de
Janeiro, em 1922. Sacadura Cabral como piloto e Gago Coutinho como navegador
constituíram, assim, uma dupla de renome mundial, na época, sendo certo que
ainda nos nossos dias tal feito ocupa um lugar de mérito.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Seminário de Santa Joana Princesa - 2
Cortejo a favor do Seminário de Aveiro
Seminário de Santa Joana Princesa
Das minhas memórias, recordo que participei num cortejo
de oferendas a favor do Seminário, com o envolvimento
de dezenas de paróquias da diocese.
Foi isto em 30 de Junho de 1946
«Após o meio-dia toda a cidade [Aveiro] se animou com um grandioso cortejo de oferendas a favor da construção do Seminário de Santa Joana. As dezenas de paróquias da Diocese vieram com suas representações características, com seus ranchos folclóricos e com os seus donativos generosos. As ruas encheram-se dos mais variados cantos alegres e populares, dos sonoros acordes de diversas filarmónicas e da beleza dos carros alegóricos e garridos. Além do valor material que significou esta magnífica jornada de caridade, o cortejo constituiu mais um elemento a unir as terras do Bispado à volta do mesmo centro espiritual, fixado em Aveiro.» LVST
Integrei o cortejo, a que se associaram empresas e católicos da nossa terra, com carros enfeitados e carregados de presentes, os mais diversos, desde géneros alimentícios, incluindo bacalhau, até materiais de construção e madeiras dos estaleiros.
As pessoas partiam em grupo dos seus lugares rumo à concentração, junto à ponte de madeira que nos ligava a Aveiro. E assim seguimos a pé até ao destino.
A minha memória diz-me ainda que as nossas ofertas mais miúdas foram depositadas nas barracas da Feira de Março, ainda não desmontadas.
O que levava numa saca, que depois passou para um carro de vacas, já se me varreu da memória. Milho? Feijão? Não sei. Só sei que voltei a pegar nela, no Rossio, para a entregar numa barraca. Aí, o seu conteúdo passou para uma caixa e voltei satisfeito com a saca na mão para casa.
Fernando Martins,
no livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"
NOTA: LVST - "Lima Vidal e o seu Tempo", de João Gonçalves Gaspar
Seminário de Santa Joana Princesa - 1
«Muitas coisas, quando se fizer a história do seminário,
se as quiserem saber, têm que ir à minha campa
e perguntar por elas às minhas cinzas
que ainda por lá estiverem.»
Lima Vidal,
CV de 14-02 de 1950, (DA)
Com a restauração da Diocese de Aveiro, concretizada em 11 de Dezembro de 1938, pela aplicação da Bula Omnium Ecclesiarum, D. João Evangelista de Lima Vidal tinha em mente já o sonho da abertura de um Seminário Diocesano. Porque «Uma Diocese sem seminário é como se fora um corpo sem alma. Nem teria mesmo a aparência duma máquina que se move com a pouca corda que se lhe dá» (DA), disse o primeiro Bispo da Diocese reconstituída, numa altura em que desejava, quanto antes, passar do sonho à realidade.
E se era importante e até fundamental o seminário para a formação dos futuros padres, não deixaria de o ser menos um edifício próprio, com espírito novo.
Trabalhos complexos foram necessários, até poder abrir as suas portas aos candidatos ao sacerdócio.
Depois de passar por alguns edifícios, provisoriamente, porque a vontade de D. João era levantar um seminário de raiz, a construção do actual edifício do Seminário de Santa Joana Princesa avançou poucas semanas depois do concurso das fundações, que ocorreu em 23 de Março de 1945, sob a direcção da Comissão Comercial, da qual fazia parte um gafanhão, Benjamim Fidalgo, que aqui registo para memória futura. DA
Antes, porém, da construção do Seminário de Santa Joana Princesa, iniciaram-se obras noutra zona de Aveiro, que foram interrompidas, a favor do aproveitamento do barro ali existente, necessário à indústria cerâmica. E aqui surge um gafanhão, muito rico, o Dr. José Maria da Silva, ex-padre e depois professor de Liceus. Dispunha-se ele a construir, sozinho, o seminário. DA
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Dia de S. Martinho — 11 de novembro
Bom Dia de S. Martinho para todos
Como manda a tradição, celebra-se hoje o Dia de S. Martinho.
Se a nossa região fosse terra de vinhos, teríamos de provar o vinho novo com as
castanhas. Assim, limitar-nos-emos a beber um vinho qualquer, ao gosto de cada
um, ou a também tradicional jeropiga. Vou pelo que estiver à mão.
Que me lembre, as castanhas numa foram a base da alimentação
das nossas gentes, o que acontece mais nas terras de muitas e boas castanhas.
Neste caso, é sabido que as castanhas serviam para confecionar boas e
substanciais sopas, alguns doces e até para acompanhar carne assada. Garanto
que as castanhas são um excelente complemento.
Por cá, pelas nossas terras, opta-se pelas castanhas
assadas. Antigamente em caçarolas de barro, com buracos, e temperadas com sal
grosso. Eram saborosas, sim senhor. Mas nada que se compare às que comprávamos
nas pontes, o olho da cidade, em Aveiro. Vinham embrulhadas em papel de jornal
e em folhas das listas telefónicas já retiradas de uso. Sabiam muito bem. Uma
dúzia de apetitosas castanhas, de casca esbranquiçada, pelo fogo e talvez pelo
sal, descontando umas tantas pobres que vinham sempre na rede das mãos dos
vendedores, eram delícias que nos enriqueciam o paladar, para além de nos aquecerem um pouco o corpo e a
alma.
Agora, são, normalmente, assadas num qualquer fogão a gás ou
elétrico, mas que não é a mesma coisa, lá isso não é. Garanto-vos. Nem as
cozidas me sabem tão bem como as assadas. Gostos temperados noutros tempos, por
certo.
Bom dia de S. Martinho para todos.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O GATA SEMPRE VAI RENASCER?
O GATA (Grupo Activo de Teatro Amador) foi
fundado em 27 de Setembro de 1973 e os ensaios decorriam no edifício da Casa do
Povo, na Chave, cujo presidente era o Dr. Humberto Rocha. A primeira peça a
subir ao palco, no salão paroquial da Gafanha da Nazaré, foi “O Mar”, de Miguel
Torga, no dia 13 de Julho de 1974, «perante 800 espectadores, num espaço
calculado para 400 pessoas sentadas», como se lê no jornal Timoneiro desse mês
e ano.
É justo
lembrar alguns nomes desse memorável espectáculo:
Artistas: Eva
Gonçalves, Fátima Ramos, Irene Ribau, Eduarda Fernandes, Fátima Gonçalves,
Dinis Ramos, José Alberto, Carlos Margaça, Horácio Bola, Carlos Bola, Herlander
Loureiro, Alberto Margaça e Silvério Marçal.
Ensaiador,
Augusto Fernandes; Encenador e Sonoplasta, Humberto Rocha; Luminotécnico,
Eduardo Teixeira; e Contra-regra, Luís Miguel.
Outras peças
se sucederam e novos espectáculos surgiram, quer na Gafanha da Nazaré, quer
noutras terras do país, numa permuta saudável com vários grupos de teatro.
NOTAS:
1. Ao
abordar este assunto, não posso deixar de manifestar a minha tristeza ao
verificar que o Teatro, para além do GATA, nunca conseguiu impor-se entre o
nosso povo. As diversas manifestações teatrais, esporadicamente levadas a
palco, não passaram disso mesmo.
Há décadas, muitos
jovens mostraram à saciedade que tinham jeito e talento, mas nunca conseguiram
dar o salto para voos mais altos.
Presentemente,
com as condições de que dispõe a Gafanha da Nazaré, seria óptimo que os mais
entusiastas pela arte de Talma se congregassem para ressuscitar o GATA ou para
avançar com outro projecto, quiçá diferente, alimentado para outros sonhos.
2. Evoco hoje com estas simples linhas a
necessidade de acordar a nossa juventude, de todas as idades, para esta
vertente da arte. Consta-me que a ADIG já pensou nisso e que até já trocou
impressões com Humberto Rocha, um gafanhão muito dado a iniciativas que mexam
com as pessoas. Gostaria de o ver a recomeçar o teatro entre nós, fazendo
ressuscitar o GATA que ele próprio ergue há anos. Se ele quiser, a aposta terá
garantias de sucesso.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Agosto, mês de inverno para as marinhas
Ponte da Cambeia, Portas d'Água e Jardim ao fundo
Recordações da minha juventude
Estávamos em Agosto. Era o primeiro mês de “Inverno” para as
marinhas (palavra de marnoto), dado que começavam os primeiros nevoeiros e a
produção de sal diminuía a olhos vistos!
— Hoje trouxe uns sacos para levar sal para casa, diz o
marnoto. Quando chegar o Inverno tenho de ter sal para salgar o porco, quando
for a matadela. Logo não vamos para o Egas. Vamos para a Cambeia, que tenho lá
a minha mulher à espera com o carro dos bois.
E assim foi. Terminados os trabalhos do dia, foram enchidos
os sacos e transportados em padiola para a bateira.
Depois de arrumadas as alfaias no palheiro, fechado este e
arrumadas as chaves num buraco de ratas, demos início ao regresso a casa. O
vento era fraco, mas mesmo assim içámos a vela, e lá viemos, desta vez em
direcção ao Esteiro Oudinot, por onde chegaríamos à Cambeia. Mais adiante, no
Jardim do Oudinot, as árvores, que eram altas, impediam o vento de chegar à
vela, pelo que a solução era os moços saltarem para terra e com uma corda (a
cirga), puxarem eles a bateira pelo Esteiro fora, que tinha cerca de dois
quilómetros de comprimento, enquanto iam conversando.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Escola de outros tempos
Subsídios para a história da Gafanha
(Clicar nas imagens para ampliar)
Quando se recorda a escola de
antigamente, não faltam críticas à actual. Naquele tempo é que era, dizem
alguns. E começam a desfiar conhecimentos outrora decorados, nem se sabe para
quê. Rios e afluentes de Portugal e das colónias, serras e caminhos-de-ferro,
vidas de reis contadas ao pormenor, citando batalhas e guerras, mulheres e
filhos que os fizeram felizes e infelizes. É, ainda hoje, para os da minha
idade, um nunca mais acabar. Haveria, dizem os estudiosos, algumas razões.
Os tempos e os métodos são outros.
A escola não pode parar na descoberta das melhores pedagogias que preparem para
a vida. E tem-no conseguido. Sem dúvida.
A “Monografia da Gafanha” traz até
nós a informação referente aos que, depois da Escola Primária, seguiram mais
além. Reportando-nos aos que habitavam a nossa terra, aqui fica a nossa singela
homenagem, citando apenas os que não estão, por qualquer motivo, referidos no
texto:
Francisco Fernandes Caleiro,
diplomado em 1905 pela antiga Escola de Ensino Normal de Aveiro. Foi professor
na escola masculina da Glória, Aveiro. Nos meus tempos de jovem, falava-se
muito deste professor, como grande conhecedor da Língua Portuguesa.
Carolina Augusta de Almeida
Martins, diplomada pela Escola Distrital de Aveiro em 1908, foi professora na
escola feminina da Cale da Vila.
Manuel dos Santos da Silva Vergas Júnior, diplomado em
1911 pela escola do Ensino Normal de Aveiro, foi professor em Ílhavo.
A partir desta data, começa a
crescer o número de diplomados e licenciados oriundos da Gafanha da Nazaré ou
aqui radicados.
Fernando Martins
No livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"
Nota: Nas imagens, provas do exame da 3.º classe de Manuel Cirino da Rocha, em 1915, rubricadas pelo professor Domingos Cerqueira, que era ou veio a ser Inspector Escolar e autor do livro Cartilha Escolar, para a 1.ª classe. Permitam que chame a atenção para a caligrafia do então aluno, para a ausência de erros ortográficos e para o tipo de exercícios matemáticos usados.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Outubro de 1969 — Gafanha da Nazaré é elevada a vila
Porto de Pesca Longínqua
Sendo presidente da Junta da Freguesia o comerciante da nossa terra Albino Miranda, a autarquia iniciou o processo do pedido ao Governo da elevação a vila da Gafanha da Nazaré. Os documentos a apresentar incluíam a indicação das infra-estruturas sociais, culturais, desportivas, religiosas e recreativas, bem como tudo o que dissesse respeito ao desenvolvimento e ao progresso demográfico, económico, social, comercial e industrial.
Paralelamente a essa vertente oficial, em que colaboraram alguns amigos, nomeadamente o Prior Domingos e eu próprio, fiquei responsável pela divulgação do projecto através da comunicação social. Era também uma forma de difundir o sonho dos habitantes da Gafanha da Nazaré.
O vespertino “Diário Popular” foi o primeiro jornal, que se saiba, a fazer uma reportagem sobre a pretensão das nossas gentes, feita pelo jornalista Ângelo Granja e publicada em 21-12-1966. No antetítulo sublinhava «Do deserto nasceu um oásis…» e no título «A Gafanha da Nazaré luta pela sua elevação à categoria de vila». Numa caixa, destacava «Aspirações de uma aldeia conquistada às dunas e transformada numa das mais importantes do País». Acompanhei a equipa de reportagens e recebi-a em minha casa.
Seguiu-se o Comércio do Porto, graças à excelente colaboração do jornalista Daniel Rodrigues, correspondente, em Aveiro, daquele matutino portuense, que aproveitou as suas reportagens, inclusivamente, para se lançar na Gafanha da Nazaré aquele diário, onde apenas tinha um leitor, que a loja de jornais e revistas do ilhavense José Quinteles Pereira, antecessora do actual Quiosque Terramar, lhe vendia diariamente, perto da igreja, em espaço arrendado, que foi dos pais de Dona Maria da Luz Rocha.
O decreto da elevação a Vila, assinado pelo Presidente da República, Américo Thomaz, em 29 de Outubro de 1969 e publicado no Diário do Governo n.º 254 (1.ª série), na mesma data, especificava, precisamente, as razões que justificavam a categoria de Vila, a saber:
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O Galafanha fica para a história
Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...







