quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Gafanha da Nazaré: Rua Sacadura Cabral





Sacadura Cabral, um herói 
da Aviação Naval Portuguesa

A Rua Sacadura Cabral estende-se desde o Cruzeiro até à Av. José Estêvão, serpenteando em todo o seu traçado. Recebe, ao longo do seu percurso, diversas ruas e outros acessos, apresentando-se alcatroada. Antes desse melhoramento, foi ensaibrada, sucedendo a caminhos de terra batida, antigos, que justificam o seu atual piso, pouco alinhado.
Esta rua é uma homenagem ao piloto aviador do mesmo nome, colega de Gago Coutinho na histórica travessia aérea de Lisboa ao Rio de Janeiro, em 1922. Sacadura Cabral como piloto e Gago Coutinho como navegador constituíram, assim, uma dupla de renome mundial, na época, sendo certo que ainda nos nossos dias tal feito ocupa um lugar de mérito.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Seminário de Santa Joana Princesa - 2


Cortejo a favor do Seminário de Aveiro 

Seminário de Santa Joana Princesa

Das minhas memórias, recordo que participei num cortejo 
de oferendas a favor do Seminário, com o envolvimento 
de dezenas de paróquias da diocese. 
Foi isto em 30 de Junho de 1946

«Após o meio-dia toda a cidade [Aveiro] se animou com um grandioso cortejo de oferendas a favor da construção do Seminário de Santa Joana. As dezenas de paróquias da Diocese vieram com suas representações características, com seus ranchos folclóricos e com os seus donativos generosos. As ruas encheram-se dos mais variados cantos alegres e populares, dos sonoros acordes de diversas filarmónicas e da beleza dos carros alegóricos e garridos. Além do valor material que significou esta magnífica jornada de caridade, o cortejo constituiu mais um elemento a unir as terras do Bispado à volta do mesmo centro espiritual, fixado em Aveiro.» LVST 
Integrei o cortejo, a que se associaram empresas e católicos da nossa terra, com carros enfeitados e carregados de presentes, os mais diversos, desde géneros alimentícios, incluindo bacalhau, até materiais de construção e madeiras dos estaleiros. 
As pessoas partiam em grupo dos seus lugares rumo à concentração, junto à ponte de madeira que nos ligava a Aveiro. E assim seguimos a pé até ao destino. 
A minha memória diz-me ainda que as nossas ofertas mais miúdas foram depositadas nas barracas da Feira de Março, ainda não desmontadas. 
O que levava numa saca, que depois passou para um carro de vacas, já se me varreu da memória. Milho? Feijão? Não sei. Só sei que voltei a pegar nela, no Rossio, para a entregar numa barraca. Aí, o seu conteúdo passou para uma caixa e voltei satisfeito com a saca na mão para casa.

Fernando Martins,
no livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"

NOTA: LVST - "Lima Vidal e o seu Tempo", de João Gonçalves Gaspar

Seminário de Santa Joana Princesa - 1



«Muitas coisas, quando se fizer a história do seminário, 
se as quiserem saber, têm que ir à minha campa 
e perguntar por elas às minhas cinzas 
que ainda por lá estiverem.» 

Lima Vidal, 
CV de 14-02 de 1950, (DA) 

Com a restauração da Diocese de Aveiro, concretizada em 11 de Dezembro de 1938, pela aplicação da Bula Omnium Ecclesiarum, D. João Evangelista de Lima Vidal tinha em mente já o sonho da abertura de um Seminário Diocesano. Porque «Uma Diocese sem seminário é como se fora um corpo sem alma. Nem teria mesmo a aparência duma máquina que se move com a pouca corda que se lhe dá» (DA), disse o primeiro Bispo da Diocese reconstituída, numa altura em que desejava, quanto antes, passar do sonho à realidade.
E se era importante e até fundamental o seminário para a formação dos futuros padres, não deixaria de o ser menos um edifício próprio, com espírito novo.
Trabalhos complexos foram necessários, até poder abrir as suas portas aos candidatos ao sacerdócio.
Depois de passar por alguns edifícios, provisoriamente, porque a vontade de D. João era levantar um seminário de raiz, a construção do actual edifício do Seminário de Santa Joana Princesa avançou poucas semanas depois do concurso das fundações, que ocorreu em 23 de Março de 1945, sob a direcção da Comissão Comercial, da qual fazia parte um gafanhão, Benjamim Fidalgo, que aqui registo para memória futura. DA
Antes, porém, da construção do Seminário de Santa Joana Princesa, iniciaram-se obras noutra zona de Aveiro, que foram interrompidas, a favor do aproveitamento do barro ali existente, necessário à indústria cerâmica. E aqui surge um gafanhão, muito rico, o Dr. José Maria da Silva, ex-padre e depois professor de Liceus. Dispunha-se ele a construir, sozinho, o seminário. DA

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dia de S. Martinho — 11 de novembro




Bom Dia de S. Martinho para todos 

Como manda a tradição, celebra-se hoje o Dia de S. Martinho. Se a nossa região fosse terra de vinhos, teríamos de provar o vinho novo com as castanhas. Assim, limitar-nos-emos a beber um vinho qualquer, ao gosto de cada um, ou a também tradicional jeropiga. Vou pelo que estiver à mão.
Que me lembre, as castanhas numa foram a base da alimentação das nossas gentes, o que acontece mais nas terras de muitas e boas castanhas. Neste caso, é sabido que as castanhas serviam para confecionar boas e substanciais sopas, alguns doces e até para acompanhar carne assada. Garanto que as castanhas são um excelente complemento.
Por cá, pelas nossas terras, opta-se pelas castanhas assadas. Antigamente em caçarolas de barro, com buracos, e temperadas com sal grosso. Eram saborosas, sim senhor. Mas nada que se compare às que comprávamos nas pontes, o olho da cidade, em Aveiro. Vinham embrulhadas em papel de jornal e em folhas das listas telefónicas já retiradas de uso. Sabiam muito bem. Uma dúzia de apetitosas castanhas, de casca esbranquiçada, pelo fogo e talvez pelo sal, descontando umas tantas pobres que vinham sempre na rede das mãos dos vendedores, eram delícias que nos enriqueciam o paladar, para além de nos aquecerem um pouco o corpo e a alma.
Agora, são, normalmente, assadas num qualquer fogão a gás ou elétrico, mas que não é a mesma coisa, lá isso não é. Garanto-vos. Nem as cozidas me sabem tão bem como as assadas. Gostos temperados noutros tempos, por certo.
Bom dia de S. Martinho para todos.

FM

Ver mais aqui

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O GATA SEMPRE VAI RENASCER?




O GATA (Grupo Activo de Teatro Amador) foi fundado em 27 de Setembro de 1973 e os ensaios decorriam no edifício da Casa do Povo, na Chave, cujo presidente era o Dr. Humberto Rocha. A primeira peça a subir ao palco, no salão paroquial da Gafanha da Nazaré, foi “O Mar”, de Miguel Torga, no dia 13 de Julho de 1974, «perante 800 espectadores, num espaço calculado para 400 pessoas sentadas», como se lê no jornal Timoneiro desse mês e ano. 
É justo lembrar alguns nomes desse memorável espectáculo:
Artistas: Eva Gonçalves, Fátima Ramos, Irene Ribau, Eduarda Fernandes, Fátima Gonçalves, Dinis Ramos, José Alberto, Carlos Margaça, Horácio Bola, Carlos Bola, Herlander Loureiro, Alberto Margaça e Silvério Marçal.
Ensaiador, Augusto Fernandes; Encenador e Sonoplasta, Humberto Rocha; Luminotécnico, Eduardo Teixeira; e Contra-regra, Luís Miguel.
Outras peças se sucederam e novos espectáculos surgiram, quer na Gafanha da Nazaré, quer noutras terras do país, numa permuta saudável com vários grupos de teatro.

NOTAS: 

1. Ao abordar este assunto, não posso deixar de manifestar a minha tristeza ao verificar que o Teatro, para além do GATA, nunca conseguiu impor-se entre o nosso povo. As diversas manifestações teatrais, esporadicamente levadas a palco, não passaram disso mesmo.
Há décadas, muitos jovens mostraram à saciedade que tinham jeito e talento, mas nunca conseguiram dar o salto para voos mais altos.
Presentemente, com as condições de que dispõe a Gafanha da Nazaré, seria óptimo que os mais entusiastas pela arte de Talma se congregassem para ressuscitar o GATA ou para avançar com outro projecto, quiçá diferente, alimentado para outros sonhos.


2. Evoco hoje com estas simples linhas a necessidade de acordar a nossa juventude, de todas as idades, para esta vertente da arte. Consta-me que a ADIG já pensou nisso e que até já trocou impressões com Humberto Rocha, um gafanhão muito dado a iniciativas que mexam com as pessoas. Gostaria de o ver a recomeçar o teatro entre nós, fazendo ressuscitar o GATA que ele próprio ergue há anos. Se ele quiser, a aposta terá garantias de sucesso.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Agosto, mês de inverno para as marinhas


Ponte da Cambeia, Portas d'Água e Jardim ao fundo

Recordações da minha juventude

Estávamos em Agosto. Era o primeiro mês de “Inverno” para as marinhas (palavra de marnoto), dado que começavam os primeiros nevoeiros e a produção de sal diminuía a olhos vistos!
— Hoje trouxe uns sacos para levar sal para casa, diz o marnoto. Quando chegar o Inverno tenho de ter sal para salgar o porco, quando for a matadela. Logo não vamos para o Egas. Vamos para a Cambeia, que tenho lá a minha mulher à espera com o carro dos bois.
E assim foi. Terminados os trabalhos do dia, foram enchidos os sacos e transportados em padiola para a bateira.
Depois de arrumadas as alfaias no palheiro, fechado este e arrumadas as chaves num buraco de ratas, demos início ao regresso a casa. O vento era fraco, mas mesmo assim içámos a vela, e lá viemos, desta vez em direcção ao Esteiro Oudinot, por onde chegaríamos à Cambeia. Mais adiante, no Jardim do Oudinot, as árvores, que eram altas, impediam o vento de chegar à vela, pelo que a solução era os moços saltarem para terra e com uma corda (a cirga), puxarem eles a bateira pelo Esteiro fora, que tinha cerca de dois quilómetros de comprimento, enquanto iam conversando.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Escola de outros tempos


Subsídios para a história da Gafanha



(Clicar nas imagens para ampliar)


Quando se recorda a escola de antigamente, não faltam críticas à actual. Naquele tempo é que era, dizem alguns. E começam a desfiar conhecimentos outrora decorados, nem se sabe para quê. Rios e afluentes de Portugal e das colónias, serras e caminhos-de-ferro, vidas de reis contadas ao pormenor, citando batalhas e guerras, mulheres e filhos que os fizeram felizes e infelizes. É, ainda hoje, para os da minha idade, um nunca mais acabar. Haveria, dizem os estudiosos, algumas razões.
Os tempos e os métodos são outros. A escola não pode parar na descoberta das melhores pedagogias que preparem para a vida. E tem-no conseguido. Sem dúvida.

A “Monografia da Gafanha” traz até nós a informação referente aos que, depois da Escola Primária, seguiram mais além. Reportando-nos aos que habitavam a nossa terra, aqui fica a nossa singela homenagem, citando apenas os que não estão, por qualquer motivo, referidos no texto:
Francisco Fernandes Caleiro, diplomado em 1905 pela antiga Escola de Ensino Normal de Aveiro. Foi professor na escola masculina da Glória, Aveiro. Nos meus tempos de jovem, falava-se muito deste professor, como grande conhecedor da Língua Portuguesa.
Carolina Augusta de Almeida Martins, diplomada pela Escola Distrital de Aveiro em 1908, foi professora na escola feminina da Cale da Vila.
Manuel dos Santos da Silva Vergas Júnior, diplomado em 1911 pela escola do Ensino Normal de Aveiro, foi professor em Ílhavo.
A partir desta data, começa a crescer o número de diplomados e licenciados oriundos da Gafanha da Nazaré ou aqui radicados. 

Fernando Martins

No livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"

Nota: Nas imagens, provas do exame da 3.º classe de Manuel Cirino da Rocha, em 1915, rubricadas pelo professor Domingos Cerqueira, que era ou veio a ser Inspector Escolar e autor do livro Cartilha Escolar, para a 1.ª classe. Permitam que chame a atenção para a caligrafia do então aluno, para a ausência de erros ortográficos e para o tipo de exercícios matemáticos usados.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Outubro de 1969 — Gafanha da Nazaré é elevada a vila



Porto de Pesca Longínqua

Elevação a Vila da Gafanha da Nazaré

Sendo presidente da Junta da Freguesia o comerciante da nossa terra Albino Miranda, a autarquia iniciou o processo do pedido ao Governo da elevação a vila da Gafanha da Nazaré. Os documentos a apresentar incluíam a indicação das infra-estruturas sociais, culturais, desportivas, religiosas e recreativas, bem como tudo o que dissesse respeito ao desenvolvimento e ao progresso demográfico, económico, social, comercial e industrial. 
Paralelamente a essa vertente oficial, em que colaboraram alguns amigos, nomeadamente o Prior Domingos e eu próprio, fiquei responsável pela divulgação do projecto através da comunicação social. Era também uma forma de difundir o sonho dos habitantes da Gafanha da Nazaré. 
O vespertino “Diário Popular” foi o primeiro jornal, que se saiba, a fazer uma reportagem sobre a pretensão das nossas gentes, feita pelo jornalista Ângelo Granja e publicada em 21-12-1966. No antetítulo sublinhava «Do deserto nasceu um oásis…» e no título «A Gafanha da Nazaré luta pela sua elevação à categoria de vila». Numa caixa, destacava «Aspirações de uma aldeia conquistada às dunas e transformada numa das mais importantes do País». Acompanhei a equipa de reportagens e recebi-a em minha casa. 
Seguiu-se o Comércio do Porto, graças à excelente colaboração do jornalista Daniel Rodrigues, correspondente, em Aveiro, daquele matutino portuense, que aproveitou as suas reportagens, inclusivamente, para se lançar na Gafanha da Nazaré aquele diário, onde apenas tinha um leitor, que a loja de jornais e revistas do ilhavense José Quinteles Pereira, antecessora do actual Quiosque Terramar, lhe vendia diariamente, perto da igreja, em espaço arrendado, que foi dos pais de Dona Maria da Luz Rocha. 
O decreto da elevação a Vila, assinado pelo Presidente da República, Américo Thomaz, em 29 de Outubro de 1969 e publicado no Diário do Governo n.º 254 (1.ª série), na mesma data, especificava, precisamente, as razões que justificavam a categoria de Vila, a saber:

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mónicas na Figueira da Foz — 1


Foto da Rede Global


Continuando a debruçar-me sobre a “Monografia da Freguesia de S. Julião da Figueira da Foz” da autoria de Rui Ascensão Ferreira Cascão, registo a presença dos Mónicas no capítulo dedicado à Construção Naval naquelas paragens. Na página 212 e seguintes lá está: «Além dos anteriores, em 1919, existia mais um estaleiro, pertencente à Fomentadora Marítima Figueirense, L.da , situado na Carneira e dirigido pelo “velho mestre Mónica”. Esta empresa industrial fora constituída em 13 de Julho de 1918, sendo o seu capital (110.000$00) subscrito por 45 sócios, na sua esmagadora maioria da Figueira. O seu objectivo social era a construção, reparação e negociação de navios, bem como a sua exploração industrial e comercial.» 

domingo, 16 de outubro de 2011

Ensino Primário obrigatório em Portugal

«O ensino primário, obrigatório, foi promulgado, no século XIX, mais precisamente, no dia 7 de Setembro de 1835. Por curiosidade, dei-me ao trabalho de analisar o Decreto do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino: determina as matérias a serem ensinadas na Instrução Primária; estabelece que a instrução primária é gratuita para todos os cidadãos em escolas públicas; incumbe às Câmaras Municipais e aos párocos empregar todos os meios prudentes de modo a persuadir ao cumprimento desta obrigação, junto dos pais. 
A partir daí, foram-se sucedendo os decretos e Cartas de Lei, que regulamentavam a institucionalização e obrigatoriedade do Ensino Primário. Dessa legislação emitida pelo governo, saltou-me à vista pelo insólito do texto, o Decreto do Governo de 28 de Setembro de 1884, que passo a transcrever: Os que faltarem a este dever, (Ensino Primário Obrigatório) serão avisados, intimidados, repreendidos e por último multados em 500 até 1000 reis; serão preferidos para o recrutamento do exército e da armada os indivíduos que não souberem ler nem escrever; serão criadas escolas especiais para meninas e definidos os objectos de ensino. Se por um lado se fazia o apelo ao cumprimento da escolaridade obrigatória, surge como algo paradoxal, a preferência para a defesa do estado, de indivíduos analfabetos! O poder legislativo, desde, há séculos, que se baseia na incongruência e omissão.»
(...)
Ler mais aqui

Maria Donzília Almeida


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Festas na Gafanha da Nazaré



S. Tomé, imagem que veio da primeira igreja matriz

Diz a tradição que sempre houve festas na Gafanha da Nazaré. Mesmo antes da criação da paróquia e freguesia o povo organizava e participava nas festas, muitas delas, senão mesmo todas, feitas à sombra dos padroeiros e outros santos da comunidade católica. 
Além da festa da padroeira, Nossa Senhora da Nazaré, há registos e memórias de outras: Nossa Senhora da Conceição (Muito participada por todos, em especial pelos marítimos ligados à pesca do bacalhau), São Tomé (com promessas dos lavradores referentes ao gado), Mártir São Sebastião, Nossa Senhora dos Navegantes (no Forte) e São João (na Barra). 
Posteriormente, vieram as festas de Nossa Senhora dos Aflitos (Chave) e São Pedro (na Cale da Vila) eram festas que se estendiam no Verão, depois ou durante as colheitas, como necessidade de descompressão para quem trabalhava duramente nos campos. 
Havia ainda datas festivas, que entusiasmavam o nosso povo, celebradas com alegria, nomeadamente, o Natal e a Páscoa, cada uma com características próprias. Destas, destacamos o Natal, a que se associava os Reis. 
Contudo, não faltava a alegria, sempre que motivo surgisse. A “botadela” na marinha, o erguer da casa, a “matadela” do porco, as novenas, as romarias da região, como o São Paio da Torreira, a Senhora da Saúde, a Senhora das Areias e a Santa Maria de Vagos, entre outras. Mas também os casamentos e baptizados, as primeiras comunhões, as visitas de Nossa Senhora de Fátima e os encerramentos da catequese, entre outras. 
Romarias mais distantes estiveram, desde sempre, nas agendas dos gafanhões. A pé ou de camioneta, em especial ao santuário de Fátima, como ainda hoje acontece.

Do livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um gafanhão com ideias sobre o melhoramento da Barra de Aveiro


José Maria da Silva nasceu na Gafanha da Nazaré e foi ordenado padre, em Coimbra (pertencíamos à Diocese de Coimbra), em 1911. Naquela cidade continuou a estudar, na universidade coimbrã, sendo simultaneamente pároco de Santo António dos Olivais. Licenciou-se em Letras e diplomou-se pela Escola Normal Superior de Lisboa. Foi professor nos liceus de Angra, Beja, Braga e Porto, tendo sido aposentado   no Liceu Alexandre Herculano desta última cidade. Antes, tinha abandonado o sacerdócio e casou. Um filho faleceu ainda jovem. Os seus herdeiros, sobrinhos, viviam maioritariamente, tanto quanto sei, na Gafanha da Nazaré. 
Dedicou-se a negócios ligados ao volfrâmio e outros, mas nunca se esqueceu da sua e nossa terra. Ajudou na construção do Seminário de Santa Joana Princesa e até se envolveu nos problemas relacionados com os melhoramentos da Barra de Aveiro, com esta proposta de obras, que foi naturalmente contestada pelos engenheiros do setor. 
José Maria da Silva faleceu em 23 de Abril de 1955.

sábado, 8 de outubro de 2011

Acessos ao Porto Bacalhoeiro

(Clicar na imagem para ampliar)


Acessos ao Porto Bacalhoeiro, de há décadas. Hoje, estas imagens pouco ou nada dizem às gerações mais novas. Eu, quando por lá passo, nem sempre me entendo com os novos arruamentos. Há quem concorde, há quem discorde, mas a verdade é que o mundo não pode deixar de rodar, com o progresso ou com a falta dele. Quem terá por aí fotos com mais qualidade sobre a nossa terra?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ponte da Cambeia e Portas d'Água




Para memória futura, aqui ficam, numa só imagem, duas fotos de épocas diferentes. Se é verdade que não podemos viver só passado, precisamos dele para não esquecermos as nossas raízes, 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Gafanhões na Primeira Grande Guerra — 1914-1918



Há tempos, dei comigo a pensar nos gafanhões da Gafanha da Nazaré que participaram na Primeira Grande Guerra de 1914-1918. Tinha ouvido rumores de que não foram poucos os que tiveram de partir, forçados,  para a guerra. Tentei algumas diligências, através de serviços que eu supunha terem registos de quem foi e de quem regressou, mas dei com o nariz na porta. Em Lisboa, por exemplo, para confirmar o que quer que fosse, tinha que levar elementos identificativos dos eventuais combatentes naturais da nossa terra. Não os tinha. Ainda tentei, mas pouco encontrei.
Em contato com alguns amigos, ao sabor do vento, nomeadamente, com o antigo presidente da Junta de Freguesia Mário Cardoso, lá se conseguiu registar um ou outro nome, alguns ainda sujeitos a confirmação.
Aqui ficam os seus nomes, na esperança de se conseguirem outros com a ajuda dos meus amigos:


João Maria Garrelhas, n. 19-8-1891; f. 23-10-1977;
João Ramos Luzio;
João Maria Ferreira (o Bicho);
Manuel Maria Nunes;
Bernardino Soares;
José Francisco da Rocha Júnior;
Manuel da Cruz Ramos;
Manuel Palhais Cravo (o ti Catarréu). Nasceu em 1893 e faleceu a 7/11/1960. Fez as campanhas de África durante a 1.ª Guerra Mundial e foi dado com inapto para continuar, devido à perfuração dos tímpanos provocada pelo troar dos canhões, regressando então a casa, tendo casado entretanto! Só depois de terminada a guerra, imigrou para França para participar na sua reconstrução. (Dados fornecidos por Armando Fidalgo Cravo, seu filho)
José Filipe, conhecido por Guincho. Faleceu pouco depois do regresso de França, com perturbações provocados pelos gases que o atingiram. 

ETC

A lista poderá ser alterada a todo o momento…

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...