Ponte da Cambeia, Portas d'Água e Jardim ao fundo
Recordações da minha juventude
Estávamos em Agosto. Era o primeiro mês de “Inverno” para as
marinhas (palavra de marnoto), dado que começavam os primeiros nevoeiros e a
produção de sal diminuía a olhos vistos!
— Hoje trouxe uns sacos para levar sal para casa, diz o
marnoto. Quando chegar o Inverno tenho de ter sal para salgar o porco, quando
for a matadela. Logo não vamos para o Egas. Vamos para a Cambeia, que tenho lá
a minha mulher à espera com o carro dos bois.
E assim foi. Terminados os trabalhos do dia, foram enchidos
os sacos e transportados em padiola para a bateira.
Depois de arrumadas as alfaias no palheiro, fechado este e
arrumadas as chaves num buraco de ratas, demos início ao regresso a casa. O
vento era fraco, mas mesmo assim içámos a vela, e lá viemos, desta vez em
direcção ao Esteiro Oudinot, por onde chegaríamos à Cambeia. Mais adiante, no
Jardim do Oudinot, as árvores, que eram altas, impediam o vento de chegar à
vela, pelo que a solução era os moços saltarem para terra e com uma corda (a
cirga), puxarem eles a bateira pelo Esteiro fora, que tinha cerca de dois
quilómetros de comprimento, enquanto iam conversando.














