quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Festas na Gafanha da Nazaré



S. Tomé, imagem que veio da primeira igreja matriz

Diz a tradição que sempre houve festas na Gafanha da Nazaré. Mesmo antes da criação da paróquia e freguesia o povo organizava e participava nas festas, muitas delas, senão mesmo todas, feitas à sombra dos padroeiros e outros santos da comunidade católica. 
Além da festa da padroeira, Nossa Senhora da Nazaré, há registos e memórias de outras: Nossa Senhora da Conceição (Muito participada por todos, em especial pelos marítimos ligados à pesca do bacalhau), São Tomé (com promessas dos lavradores referentes ao gado), Mártir São Sebastião, Nossa Senhora dos Navegantes (no Forte) e São João (na Barra). 
Posteriormente, vieram as festas de Nossa Senhora dos Aflitos (Chave) e São Pedro (na Cale da Vila) eram festas que se estendiam no Verão, depois ou durante as colheitas, como necessidade de descompressão para quem trabalhava duramente nos campos. 
Havia ainda datas festivas, que entusiasmavam o nosso povo, celebradas com alegria, nomeadamente, o Natal e a Páscoa, cada uma com características próprias. Destas, destacamos o Natal, a que se associava os Reis. 
Contudo, não faltava a alegria, sempre que motivo surgisse. A “botadela” na marinha, o erguer da casa, a “matadela” do porco, as novenas, as romarias da região, como o São Paio da Torreira, a Senhora da Saúde, a Senhora das Areias e a Santa Maria de Vagos, entre outras. Mas também os casamentos e baptizados, as primeiras comunhões, as visitas de Nossa Senhora de Fátima e os encerramentos da catequese, entre outras. 
Romarias mais distantes estiveram, desde sempre, nas agendas dos gafanhões. A pé ou de camioneta, em especial ao santuário de Fátima, como ainda hoje acontece.

Do livro "Gafanha da Nazaré - 100 anos de vida"

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um gafanhão com ideias sobre o melhoramento da Barra de Aveiro


José Maria da Silva nasceu na Gafanha da Nazaré e foi ordenado padre, em Coimbra (pertencíamos à Diocese de Coimbra), em 1911. Naquela cidade continuou a estudar, na universidade coimbrã, sendo simultaneamente pároco de Santo António dos Olivais. Licenciou-se em Letras e diplomou-se pela Escola Normal Superior de Lisboa. Foi professor nos liceus de Angra, Beja, Braga e Porto, tendo sido aposentado   no Liceu Alexandre Herculano desta última cidade. Antes, tinha abandonado o sacerdócio e casou. Um filho faleceu ainda jovem. Os seus herdeiros, sobrinhos, viviam maioritariamente, tanto quanto sei, na Gafanha da Nazaré. 
Dedicou-se a negócios ligados ao volfrâmio e outros, mas nunca se esqueceu da sua e nossa terra. Ajudou na construção do Seminário de Santa Joana Princesa e até se envolveu nos problemas relacionados com os melhoramentos da Barra de Aveiro, com esta proposta de obras, que foi naturalmente contestada pelos engenheiros do setor. 
José Maria da Silva faleceu em 23 de Abril de 1955.

sábado, 8 de outubro de 2011

Acessos ao Porto Bacalhoeiro

(Clicar na imagem para ampliar)


Acessos ao Porto Bacalhoeiro, de há décadas. Hoje, estas imagens pouco ou nada dizem às gerações mais novas. Eu, quando por lá passo, nem sempre me entendo com os novos arruamentos. Há quem concorde, há quem discorde, mas a verdade é que o mundo não pode deixar de rodar, com o progresso ou com a falta dele. Quem terá por aí fotos com mais qualidade sobre a nossa terra?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ponte da Cambeia e Portas d'Água




Para memória futura, aqui ficam, numa só imagem, duas fotos de épocas diferentes. Se é verdade que não podemos viver só passado, precisamos dele para não esquecermos as nossas raízes, 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Gafanhões na Primeira Grande Guerra — 1914-1918



Há tempos, dei comigo a pensar nos gafanhões da Gafanha da Nazaré que participaram na Primeira Grande Guerra de 1914-1918. Tinha ouvido rumores de que não foram poucos os que tiveram de partir, forçados,  para a guerra. Tentei algumas diligências, através de serviços que eu supunha terem registos de quem foi e de quem regressou, mas dei com o nariz na porta. Em Lisboa, por exemplo, para confirmar o que quer que fosse, tinha que levar elementos identificativos dos eventuais combatentes naturais da nossa terra. Não os tinha. Ainda tentei, mas pouco encontrei.
Em contato com alguns amigos, ao sabor do vento, nomeadamente, com o antigo presidente da Junta de Freguesia Mário Cardoso, lá se conseguiu registar um ou outro nome, alguns ainda sujeitos a confirmação.
Aqui ficam os seus nomes, na esperança de se conseguirem outros com a ajuda dos meus amigos:


João Maria Garrelhas, n. 19-8-1891; f. 23-10-1977;
João Ramos Luzio;
João Maria Ferreira (o Bicho);
Manuel Maria Nunes;
Bernardino Soares;
José Francisco da Rocha Júnior;
Manuel da Cruz Ramos;
Manuel Palhais Cravo (o ti Catarréu). Nasceu em 1893 e faleceu a 7/11/1960. Fez as campanhas de África durante a 1.ª Guerra Mundial e foi dado com inapto para continuar, devido à perfuração dos tímpanos provocada pelo troar dos canhões, regressando então a casa, tendo casado entretanto! Só depois de terminada a guerra, imigrou para França para participar na sua reconstrução. (Dados fornecidos por Armando Fidalgo Cravo, seu filho)
José Filipe, conhecido por Guincho. Faleceu pouco depois do regresso de França, com perturbações provocados pelos gases que o atingiram. 

ETC

A lista poderá ser alterada a todo o momento…

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O linguajar dos gafanhões


A maneira de falar...

«A maneira de falar, um tanto ou quanto cantada, com alguma malícia pelo meio, entre risadas contagiantes, é que me encantava.
Levemos a nossa memória até lá atrás e ouçamos a Ti Maria e o Ti Atóino. Vinha ela desaustinada porque a canalha lhe estragara as batatas ali ao pé da escola da Tia Zefa. Estava arrenegada.
O ti Atóino vinha da borda, onde andara ao moliço para o aido. Antes da maré, porém, deitara-se a descansar, com o corpo moído, na proa da bateira que ia à rola. Sem saber como, e com uma nassa, apanhou uns peixitos para a ceia (o jantar de hoje). Já não era mau. Naquele dia não comeriam caldo de feijão com toucinho, com um bocado de boroa. Sempre seria melhor.
— Atão queras ver, Atóino, o que a canalha da scola fez? Andou por riba das batatas a achar a bola e ‘stragaram-me tudo. Tamém andaram à carreira atrás uns dos oitros a amandar pedras e ao acaça. Se andassem com relego, ainda vá que não vá. Mas nã. Andavam a toda a brida, como que a atiçar comigo. E se calhar a professora estava abuzacada na sala. Isto está mal, no achas?
— Pois é verdade, Ti Maria. Nã são coisa que se faça. Anda um home a gastar dinheiro em batatas e buano, muitas vezes sem se astrever e estes mariolas, num’stante deixam tudo ‘struído. Era só a gente atirar-lhe com um balde d’ auga, para eles aprenderem. São a mode tolinhos e alonsas. Mariolas!. Vossemecê já falou com a professora? Se ainda nã, vá lá e diga-lhe que ó despois não se arresponsabiliza. São uns desalservados, uns desintoados.
— Tens razão, Atóino. Vou lá num‘stante, antes que seja tarde. Amanhê tamém falo cos pais. Sempre são homes e melheres pra darem uns estrincões aos miúdos, pra eles aprenderem. Opois num se quexem.»

Fernando Martins,
de uma palestra proferida num colóquio
do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Senhora dos Navegantes



Procissão da Senhora dos Navegantes, Setembro de 1926 (Arquivo do Porto de Aveiro)

Como estas, haverá outras fotografias dos princípios do século XX nos arquivos pessoais dos meus amigos. Vamos lá à procura delas. As fotos que hoje apresento fazem parte dos arquivos do Porto de Aveiro.

Ver mais aqui

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Descontentamento de gafanhões em relação a Ílhavo



Mestre Mónica


Os tempos mudaram, mas é bom recordar

Tenho-me interrogado inúmeras vezes sobre o porquê de um certo espírito de descontentamento de gafanhões em relação a Ílhavo, que não em relação aos ilhavenses. Na minha meninice e juventude era notória até uma atitude de revolta.
Com o tempo, e sobretudo depois de na primeira cadeira autárquica se sentar um gafanhão, gestos de descontentamento e revolta começaram a atenuar-se. Hoje, em plena democracia, as relações tornaram-se cordiais, pese embora os naturais pontos de vista divergentes dos vários partidos políticos existentes.
Sabe-se que a Câmara de Ílhavo, desde a criação da freguesia da Gafanha da Nazaré e mesmo antes disso, mostrou um desprezo incompreensível pelas Gafanhas e pelos gafanhões. Nas sessões camarárias, pouco ou nada se falava deles. Apenas entravam nas agendas Ílhavo e Costa Nova. Tudo o mais era relegado para as calendas gregas.
Em 1936, o ponto de ruptura atingiu nível elevado. A energia eléctrica passou por cima da Gafanha da Nazaré para a Costa Nova e Barra, porque o Farol necessitava dela, e os gafanhões foram ignorados. Não havia dinheiro para eles nem para as indústrias e comércio locais.
A revolta deu origem à Cooperativa Eléctrica, para nos dar luz e energia. E só em 1939 foi possível aos gafanhões olharem-se cara a cara à noite.
Por essa e outras razões, o “Diário de Lisboa” foi alertado para as injustiças de que se queixavam os nossos avós. E em 14 de Agosto de 1947 inicia a publicação de uma reportagem, desdobrada em quatro publicações, com início na primeira página e continuação nas centrais, intitulada “A Ria de Aveiro e a sua Gente”, da responsabilidade de um «enviado especial». Começa assim:

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Festa do Trabalho na Seca Nova - 1957


No Timoneiro de março de 1957, encontrei esta pequena notícia alusiva à Festa do Trabalho que se realizou na EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), também conhecida por Seca Nova ou Seca do Egas,  promovida pela JOCF (Juventude Operária Católica Feminina), no dia 10 de fevereiro do mesmo ano. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crianças austríacas refugiadas de guerra na Gafanha da Nazaré


Uma estória

Só me dão sopa

Meninos e meninas das minhas idades, deles guardo a sensação de que a maioria conseguiu adaptar-se ao nosso estilo de vida. Outros, nem por isso.
Quando as famílias que os receberam se situavam a um nível social médio, com filhos ou familiares das mesmas idades, era notória a alegria das crianças: brincavam, riam e folgavam com naturalidade; outras, em famílias sem filhos e sem crianças por perto, mostravam-se naturalmente mais reservadas. Procuravam, quando podiam, as suas compatriotas para conversarem e conviverem. Nenhuma, que me lembre, falava português, mas iam-se adaptando e descobrindo as nossas palavras e expressões.
Algumas começaram a encontrar-se em casas de famílias com melhores condições de acolhimento e então era agradável ver a satisfação com que passavam o dia. Ali comiam e se divertiam.
Depois começaram a querer ficar mais tempo até que um dia assisti a uma cena triste. A criança recusava-se a regressar à família de acolhimento. Entre choros e lágrimas, agarrada à senhora que havia acolhido uma sua amiga, justificava a sua recusa dizendo, repetidamente: «só me dão sopa... só me dão sopa!»

Do livro "Gafanha da Nazaré: 100 anos de vida"




Uns dias de férias, fora dos ambientes habituais, fazem sempre bem à mente e ao corpo. Longe dos meus livros e arquivos, mas também à volta com o iPad2, uma nova forma de lidar com o mundo virtual, não pude conviver com os meus leitores e amigos, como era meu gosto. Retomo hoje, na certeza de que continuarei atento ao mundo que me cerca, de raio sem limite.

Fernando Martins

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...