Para memória futura, aqui ficam, numa só imagem, duas fotos de épocas diferentes. Se é verdade que não podemos viver só passado, precisamos dele para não esquecermos as nossas raízes,
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Gafanhões na Primeira Grande Guerra — 1914-1918
Há tempos, dei comigo a pensar nos gafanhões da Gafanha da
Nazaré que participaram na Primeira Grande Guerra de 1914-1918. Tinha ouvido
rumores de que não foram poucos os que tiveram de partir, forçados, para a guerra. Tentei
algumas diligências, através de serviços que eu supunha terem registos
de quem foi e de quem regressou, mas dei com o nariz na porta. Em Lisboa, por
exemplo, para confirmar o que quer que fosse, tinha que levar elementos
identificativos dos eventuais combatentes naturais da nossa terra. Não os
tinha. Ainda tentei, mas pouco encontrei.
Em contato com alguns amigos, ao sabor do vento,
nomeadamente, com o antigo presidente da Junta de Freguesia Mário Cardoso, lá
se conseguiu registar um ou outro nome, alguns ainda sujeitos a confirmação.
Aqui ficam os seus nomes, na esperança de se conseguirem outros com a ajuda dos meus amigos:
João Maria Garrelhas, n. 19-8-1891; f. 23-10-1977;
João Ramos Luzio;
João Maria Ferreira (o Bicho);
Manuel Maria Nunes;
Bernardino Soares;
José Francisco da Rocha Júnior;
Manuel da Cruz Ramos;
Manuel Palhais Cravo (o ti Catarréu). Nasceu em 1893 e faleceu a 7/11/1960. Fez as campanhas de África durante a 1.ª Guerra Mundial e foi dado com inapto para continuar, devido à perfuração dos tímpanos provocada pelo troar dos canhões, regressando então a casa, tendo casado entretanto! Só depois de terminada a guerra, imigrou para França para participar na sua reconstrução. (Dados fornecidos por Armando Fidalgo Cravo, seu filho)
José Filipe, conhecido por Guincho. Faleceu pouco depois do regresso de França, com perturbações provocados pelos gases que o atingiram.
Manuel Palhais Cravo (o ti Catarréu). Nasceu em 1893 e faleceu a 7/11/1960. Fez as campanhas de África durante a 1.ª Guerra Mundial e foi dado com inapto para continuar, devido à perfuração dos tímpanos provocada pelo troar dos canhões, regressando então a casa, tendo casado entretanto! Só depois de terminada a guerra, imigrou para França para participar na sua reconstrução. (Dados fornecidos por Armando Fidalgo Cravo, seu filho)
José Filipe, conhecido por Guincho. Faleceu pouco depois do regresso de França, com perturbações provocados pelos gases que o atingiram.
ETC
A lista poderá ser alterada a todo o momento…
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
O linguajar dos gafanhões
A maneira de falar...
«A maneira de falar, um
tanto ou quanto cantada, com alguma malícia pelo meio, entre risadas
contagiantes, é que me encantava.
Levemos a nossa memória até
lá atrás e ouçamos a Ti Maria e o Ti Atóino. Vinha ela desaustinada porque a
canalha lhe estragara as batatas ali ao pé da escola da Tia Zefa. Estava
arrenegada.
O ti Atóino vinha da borda,
onde andara ao moliço para o aido. Antes da maré, porém, deitara-se a
descansar, com o corpo moído, na proa da bateira que ia à rola. Sem saber como,
e com uma nassa, apanhou uns peixitos para a ceia (o jantar de hoje). Já não
era mau. Naquele dia não comeriam caldo de feijão com toucinho, com um bocado
de boroa. Sempre seria melhor.
— Atão queras ver, Atóino, o
que a canalha da scola fez? Andou por riba das batatas a achar a bola e
‘stragaram-me tudo. Tamém andaram à carreira atrás uns dos oitros a amandar
pedras e ao acaça. Se andassem com relego, ainda vá que não vá. Mas nã. Andavam
a toda a brida, como que a atiçar comigo. E se calhar a professora estava
abuzacada na sala. Isto está mal, no achas?
— Pois é verdade, Ti Maria.
Nã são coisa que se faça. Anda um home a gastar dinheiro em batatas e buano, muitas
vezes sem se astrever e estes mariolas, num’stante deixam tudo ‘struído. Era só
a gente atirar-lhe com um balde d’ auga, para eles aprenderem. São a mode
tolinhos e alonsas. Mariolas!. Vossemecê já falou com a professora? Se ainda
nã, vá lá e diga-lhe que ó despois não se arresponsabiliza. São uns
desalservados, uns desintoados.
— Tens razão, Atóino. Vou lá
num‘stante, antes que seja tarde. Amanhê tamém falo cos pais. Sempre são homes
e melheres pra darem uns estrincões aos miúdos, pra eles aprenderem. Opois num
se quexem.»
Fernando Martins,
de uma palestra proferida num colóquio
do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Senhora dos Navegantes
Procissão da Senhora dos Navegantes, Setembro de 1926 (Arquivo do Porto de Aveiro)
Como estas, haverá outras fotografias dos princípios do século XX nos arquivos pessoais dos meus amigos. Vamos lá à procura delas. As fotos que hoje apresento fazem parte dos arquivos do Porto de Aveiro.
Ver mais aqui
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Descontentamento de gafanhões em relação a Ílhavo
Mestre Mónica
Os tempos mudaram, mas é bom recordar
Tenho-me interrogado inúmeras vezes
sobre o porquê de um certo espírito de descontentamento de gafanhões em relação
a Ílhavo, que não em relação aos ilhavenses. Na minha meninice e juventude era
notória até uma atitude de revolta.
Com o tempo, e sobretudo depois de
na primeira cadeira autárquica se sentar um gafanhão, gestos de
descontentamento e revolta começaram a atenuar-se. Hoje, em plena democracia,
as relações tornaram-se cordiais, pese embora os naturais pontos de vista
divergentes dos vários partidos políticos existentes.
Sabe-se que a Câmara de Ílhavo,
desde a criação da freguesia da Gafanha da Nazaré e mesmo antes disso, mostrou
um desprezo incompreensível pelas Gafanhas e pelos gafanhões. Nas sessões
camarárias, pouco ou nada se falava deles. Apenas entravam nas agendas Ílhavo e
Costa Nova. Tudo o mais era relegado para as calendas gregas.
Em 1936, o ponto de ruptura atingiu
nível elevado. A energia eléctrica passou por cima da Gafanha da Nazaré para a Costa
Nova e Barra, porque o Farol necessitava dela, e os gafanhões foram ignorados.
Não havia dinheiro para eles nem para as indústrias e comércio locais.
A revolta deu origem à Cooperativa
Eléctrica, para nos dar luz e energia. E só em 1939 foi possível aos gafanhões
olharem-se cara a cara à noite.
Por essa e outras razões, o “Diário
de Lisboa” foi alertado para as injustiças de que se queixavam os nossos avós.
E em 14 de Agosto de 1947 inicia a publicação de uma reportagem, desdobrada em
quatro publicações, com início na primeira página e continuação nas centrais,
intitulada “A Ria de Aveiro e a sua Gente”, da responsabilidade de um «enviado
especial». Começa assim:
sábado, 10 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Festa do Trabalho na Seca Nova - 1957
No Timoneiro de março de 1957, encontrei esta pequena notícia alusiva à Festa do Trabalho que se realizou na EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), também conhecida por Seca Nova ou Seca do Egas, promovida pela JOCF (Juventude Operária Católica Feminina), no dia 10 de fevereiro do mesmo ano.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Crianças austríacas refugiadas de guerra na Gafanha da Nazaré
Uma estória
Só me dão sopa
Meninos e meninas das minhas idades, deles guardo a sensação
de que a maioria conseguiu adaptar-se ao nosso estilo de vida. Outros, nem por
isso.
Quando as famílias que os receberam se situavam a um nível
social médio, com filhos ou familiares das mesmas idades, era notória a alegria
das crianças: brincavam, riam e folgavam com naturalidade; outras, em famílias
sem filhos e sem crianças por perto, mostravam-se naturalmente mais reservadas.
Procuravam, quando podiam, as suas compatriotas para conversarem e conviverem.
Nenhuma, que me lembre, falava português, mas iam-se adaptando e descobrindo as
nossas palavras e expressões.
Algumas começaram a encontrar-se em casas de famílias com
melhores condições de acolhimento e então era agradável ver a satisfação com
que passavam o dia. Ali comiam e se divertiam.
Depois começaram a querer ficar mais tempo até que um dia
assisti a uma cena triste. A criança recusava-se a regressar à família de
acolhimento. Entre choros e lágrimas, agarrada à senhora que havia acolhido uma
sua amiga, justificava a sua recusa dizendo, repetidamente: «só me dão sopa...
só me dão sopa!»
Do livro "Gafanha da Nazaré: 100 anos de vida"
Uns dias de férias, fora dos ambientes habituais, fazem sempre bem à mente e ao corpo. Longe dos meus livros e arquivos, mas também à volta com o iPad2, uma nova forma de lidar com o mundo virtual, não pude conviver com os meus leitores e amigos, como era meu gosto. Retomo hoje, na certeza de que continuarei atento ao mundo que me cerca, de raio sem limite.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Agosto da minha meninice
Quando hoje contemplo a azáfama do mês de agosto, não posso deixar de retroceder até aos tempos da minha meninice, com muito menos praia, sobretudo para as classes mais humildes. Havia na maioria das famílias trabalhos agrícolas e os pais tinham que se envolver em diversas tarefas para sustentar as suas gentes.
As férias eram mais voltadas para a ria, onde os filhos chapinhavam nas águas serenas da laguna, ao mesmo tempo que apanhavam cricos, mexilhão, burriés, navalhas, caranguejos e tudo o mais que viesse à rede. Para consumo próprio e, eventualmente, para vizinhos e familiares.
Nessa altura, ainda se viam por aqui pessoas dos lados de Mira e Vagos, que apanhavam sobretudo cricos, que depois transportavam em burros, provavelmente para vender.
Aos domingos, muito raramente, lá se ia até à Praia da Barra, para molhar os pés e pouco mais. Contudo, recordo famílias que tinham o hábito de ir à beira-mar, principalmente as mais ilustradas e com mais posses, ligadas às indústrias e ao comércio. Os de Ílhavo frequentavam a Costa Nova, como é sabido, mantendo-se, presentemente, essa tradição e gosto.
A malta miúda costumava dar os primeiros passos na natação no esteiro pequeno; o esteiro grande, que ladeava o Jardim Oudinot com fruta apetecível, era só para quem sabia nadar e com força para o atravessar.
Recordo que os miúdos nadavam nus e sem preconceitos, quais naturistas puros e sem mácula; as miúdas, essas atiravam-se ao esteiro de vestido fino, porque era verão. E quando saíam da água, davam um certo espetáculo, como se pode facilmente imaginar.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A Rua da Saudade convoca-nos para a lembrança dos nossos entes queridos
A Rua da Saudade ladeia o cemitério da Gafanha da Nazaré. Como o próprio nome indica, convoca-nos para a lembrança dos nossos entes queridos, amigos e conhecidos, com quem nos cruzámos nos caminhos da vida. Agora só nos vêm à memória com recordações que nos fazem reviver tempos agradáveis e às vezes menos agradáveis.
Quando entramos no cemitério, é certo e sabido que, de uma ponta à outra, recordamos tantos rostos, tantas histórias, tantas vivências, mas também algumas ausências junto de familiares e amigos a quem nem sempre demos a devida atenção. A Rua da Saudade serve ainda para nos sugerir, a nós, crentes, uma oração dirigida ao Senhor de todos os dons, para que cuide dos que ali repousam, acolhendo-os no seu seio misericordioso.
O Cemitério Paroquial, como foi designado na altura da sua construção, foi benzido no dia 25 de julho de 1921. E com a sua inauguração, os falecidos na Gafanha da Nazaré deixaram de ser sepultados no cemitério de Ílhavo, acabando o sacrifício que isso representava, tanto na altura dos óbitos como nos dias de Todos os Santos e Fiéis Defuntos.
Sem acessos fáceis, os funerais tornavam-se um trabalho penoso e demorado. A pé até Ílhavo, as populações reclamavam um cemitério na freguesia, o que só veio a acontecer naquele ano.
Avançando com um pouco de história, lembramos que o nosso cemitério foi sucessivamente acrescentado em 28 de dezembro de 1933 e em abril de 1939. Em 16 de julho de 1938 a Câmara pagou 1150 escudos pela planta do cemitério da Gafanha da Nazaré, certamente para legalizar as diversas alterações entretanto feitas.
Sublinha o livro “Gafanha – Nossa Senhora da Nazaré” que em 21 de novembro de 1926 a Junta de Freguesia “deliberou oferecer o terreno para a sepultura do Prior Sardo» e que em 19 de dezembro do mesmo ano foi reconhecido «que o Cemitério está todo tomado e que era urgente tomar as devidas providências para adquirir uma parcela de terreno para a sua ampliação», o que veio a acontecer em março de 1927».
Em 27 de Janeiro daquele ano foi decidido abrir a estrada do cemitério.
A Capela das Almas começou a ser construída em outubro do mesmo ano. Foi dada por concluída em 30 de dezembro de 1933.
As obras de ampliação e de melhoramentos continuaram através dos tempos até aos nossos dias, sendo de sublinhar que, por força do desenvolvimento demográfico da freguesia, essas obras se tornaram frequentes, desde a inauguração do cemitério até hoje.
Nos últimos tempos, registaram-se significativos melhoramentos: novos talhões bem alinhados, Jazigo dos Priores da Gafanha da Nazaré, e Capela Mortuária (junto à igreja matriz), construída pela Câmara Municipal de Ílhavo, presentemente sob administração da Junta de Freguesia.
Fernando Martins
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Portas de Água
Portas d'Água
Para memória futura, aqui fica uma expressiva foto das famosas Portas d'Água, Cambeia, Gafanha da Nazaré, que nos ligavam ao Forte da Barra e depois à Barra e Costa Nova. Hoje está lá um bocadinho, que nos remete para tempos da nossa meninice e juventude.
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O Galafanha fica para a história
Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...










