quarta-feira, 20 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro — 9




«Paisagem deliciosa e original, indecisa entre o mar e a terra, e que nos enche de vivo prazer quando dominamos desde os altos de Angeja à raiz das montanhas.»

Oliveira Martins

terça-feira, 19 de abril de 2011

Gafanha da Nazaré: cidade há dez anos

Praia da Barra: Painel de Zé Augusto


Criada freguesia em 23 de junho de 1910 e paróquia em 31 de agosto do mesmo ano, a Gafanha da Nazaré é elevada a vila em 1969. A cidade veio em 2001, por mérito próprio. O seu desenvolvimento demográfico, económico, cultural e social bem justifica as promoções que recebeu do poder constituído no século XX, a seu tempo reclamadas pelo povo. 
A Gafanha da Nazaré é obra assinalável de todos os gafanhões, sejam eles filhos da terra ou adotados. De todos os pontos do País, das grandes cidades e dos mais pequenos recantos, muitos chegaram e se fixaram, porque não lhes faltaram boas condições de vida. 
A Gafanha da Nazaré é, hoje, uma mescla de muitas e variadas gentes, que, com os seus usos e costumes e muito trabalho, enriqueceram, sobremaneira, este rincão que a ria e o mar abraçam e beijam com ternura. 
O Decreto-lei n.º 32/2001, publicado no Diário da República de 12 de julho do mesmo ano, foi aprovado pela Assembleia da República em 19 de abril de 2001, registando em 7 de junho desse ano a assinatura do Presidente da República, Jorge Sampaio. 
O povo comemorou a elevação a cidade com muita alegria, precisamente no dia da aprovação, pelo Parlamento, do desejo das autoridades e de quantos sentem esta terra como sua. A legitimidade popular consagrou essa data, 19 de abril, como data de festa, sobrepondo-se à assinatura do Presidente da República. 
Este título de cidade colocou a nossa terra com mais propriedade nos mapas e roteiros. Mas se é verdade que o hábito não faz o monge, temos de reconhecer que pode dar uma ajuda. Como cidade, passou a reivindicar infraestruturas mais consentâneas com esse título, podendo os gafanhões assumir este acontecimento como marco histórico da sua identidade, como cidadãos de pleno direito. 

Fernando Martins
Do livro "Gafanha da Nazaré: 100 anos de vida"

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro — 8


Canal-Palheiros

«A região de Aveiro é uma pequena Holanda em clima e luz ocidentais. Provavelmente pela extensa superfície de evaporação de centos de hectares de água salgada, toda esta região se distingue no norte do país pela luz irisada que a banha e de momento a momento muda de tom. Por vezes julgamo-nos aí transportados a uma região ideal.»

António Arroio,
In "Origens da Ria de Aveiro, de Orlando de Oliveira

domingo, 17 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro — 7

Torreira


Eu nunca tinha visto a ria de Aveiro. Daí — dirão — este meu entusiasmo. Ora a laguna, com os seus múltiplos canais, seus campos encharcados, seus horizontes abertos, sua exuberância de luz e seu sonho de distância — é bela sempre e cada vez mais, afirmam os que todos os dias se banham no mistério da sua extensão panorâmica.
A ria de Aveiro — é uma maravilha. Fujo a descrevê-la, porque isso não está agora no meu programa.
Faltam aos meus olhos os palácios de mármore, as colunas de oiro, as igrejas erguidas em renda, as margens coalhadas de sonho e arte: S. Maria degli Scalzi, S. Marcuola, a casa de Contarini, e a distância de oiro sobre gaze de azul de S. Giorgio Maggiore. Mas — lembro-me de Veneza… Uma Veneza despida, no seu estado imaculado, em plena exuberância primitiva, onde se adivinha a vontade de Deus, de tudo ficar como ele a criou. Maravilha contemplativa!
O canal segue até o mar, lá pr’a baixo, nem eu sei pr’a onde. E as margens respiram humildade e humildade; evolam-se dos pisos encharcados emanações salinas, vêem-se fumos de casas que há um quarto de século abrigam heróis que refazem as areias em seiva, até darem rosas e pão, frutos e sombra — e, ao longe, com riscos de asas brancas de patos ou de gaivotas, esplendem as cidades: cidades agachadas que se fizeram a esforços que nenhum homem da Cidade é capaz de entender: cidades a que se chamam vilas, aldeias, lugares, praias de doce título e dulcíssima vida laboriosa: a Gafanha, mais Gafanha, S. Jacinto, a Murtosa, o Bunheiro, a Torreira. Os fundos cenográficos são recortados em bruma que não cabe nas paletas dos pintores: a Gralheira, o Caramulo, e adivinha-se o Buçaco na má vontade da manhã, que acordou sombria.
É uma maravilha a ria de Aveiro!

Norberto de Araújo
 In “Aveiro e o seu Distrito”, n.º 12, 1971

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 10

Eng. Coutinho de Lima (1903-1978)


1944 — Decreto-Lei n.º 33 922, de 5 de Setembro de 1944, que aprovou a segunda fase do plano portuário nacional.

1947-1958 — 2.ª fase do anteprojecto de Prolongamento dos Molhes para Melhoramento da Barra de Aveiro, da autoria do engenheiro Coutinho de Lima, e Plano de Arranjo e Expansão do Porto Bacalhoeiro de Aveiro, da autoria do mesmo engenheiro (1947-53).

1949 — Lei n.º 2035, de 30 de Julho de 1949, (Lei da exploração portuária).

1950-1998 — Novo estatuto orgânico das juntas autónomas dos portos, que, no caso de Aveiro, se passou a denominar Junta Autónoma do Porto de Aveiro (JAPA).

1953-1959  —  I Plano de Fomento, aprovado pela Lei n.º 2058, de 29 de Dezembro de 1952.

1956 — Aprovada, por parecer n.º 2709, a “Ampliação do esquema geral do porto interior e plano geral das obras do porto de pesca costeira”.

1959-1964 — II Plano de Fomento, aprovado pela lei n.º 2094, de 25 de Novembro de 1958.

1973 — Plano Director de desenvolvimento e valorização do Porto da Ria de Aveiro.

1998 — Decreto-Lei n.º 339/98, de 3 de Novembro de 1998, que extingue as Juntas Autónomas.

1998 — Criação da APA — Administração do Porto de Aveiro, SA.

Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932”

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 5

Costa Nova antiga


«Com a manhã, que se adianta, as gotas de chuva embebem-se de outra luz esbranquiçada. Ganham os tons baços transparência e uma claridade difusa bóia no céu. Baba-se. A amplidão da água reflecte já outras tintas. A neblina a todo o momento desmaia e a casta planície vaporizada ilumina-se de uma luz cor de pérola que hesita em pousar: os verdes são mais claros, as árvores suspensas no ar e as casas construídas na água. Além, à esquerda, mostram-se os palheiros da Costa Nova — mas tudo ainda adormecido na terra, no silêncio e na água. Uma tainha salta…»


Raul Brandão
In »Os Pescadores»

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 9

Eng. Von Hafe


1924 — António Carlos de Aguiar Craveiro Lopes foi nomeado a 12 de Janeiro de 1924 pela Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro, criada em Dezembro de 1921, como primeiro director de obras.

1925-1932 — João Henrique Von Hafe tomou posse a 27 de Junho de 1925 e foi o segundo engenheiro da JARBA.

1926 — Decreto n.º 12 757, de 2 de Dezembro, designado por “Lei dos Portos”, e ainda a criação da I Repartição de Portos, na Administração Geral dos Serviços Hidráulicos, com responsabilidade de execução de obras portuárias.

1926 — Com o decreto n.º12 757, de 2 de Dezembro, designado por “Lei dos Portos”, o porto de Aveiro foi classificado como porto de 3.ª classe.

1929 — Decreto 16 728, de 13 de Abril de 1929, que determina a realização de grandes obras portuárias.

1929 — Pela publicação do Decreto n.º 16728, de 13 de Abril, o Porto de Aveiro é reclassificado como porto de 2.ª classe.

1930-1936 — Início da 1.ª fase do plano portuário de Aveiro, em 1930, projecto do engenheiro Von Hafe, com as alterações introduzidos pela Missão Inglesa. A adjudicação das obras fez-se em 1931. Os trabalhos do molhe norte e do dique regulador das correntes iniciaram-se em Março de 1932 e prolongaram-se até 1936.

Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 4

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Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 8



1897 — Prospecto acerca da “legitimidade da propriedade particular em terrenos alagados pela ria de Aveiro — representação dirigida a Sua Majestade, em Fevereiro de 1897, pelos proprietários ribeirinhos”, assinalada pelos 462 proprietários.

1898-1921/23 — Criação da Junta Administrativa das Obras da Barra e Ria de Aveiro (JAOBRA). Serve-se do Regulamento da Junta Administrativa das Oras e Melhoramentos da Barra do Douro, de 26 de Abril de 1891 (aprovado por portaria de 26 de Abril 1892).

1898 — O engenheiro Dinis Theodoro de Oliveira foi nomeado o primeiro Director das obras sob a administração da Junta Administrativa das Obras da Barra e Ria de Aveiro (JAOBRA).

1904 — Publicação da obra do engenheiro Adolfo Loureiro, que promoveu os estudos hidro-topográficos, instalando, para isso, 26 hidrometros ao longo do Vouga e rias de Aveiro, Ovar, Mira e Ílhavo — Os portos marítimos de Portugal: Porto de Aveiro, v. II, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904.

1921/23-1950 — Por decreto de 7 de Dezembro de 1921, foi criada a Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro (JARBA). O Regulamento foi aprovado apenas em 18 de Dezembro de 1923.

1923 — O Comandante Silvério Ribeiro da Rocha e Cunha, capitão do porto de Aveiro, reconhecido como construtor da opinião pública de Aveiro, proferiu uma importante conferência na Ordem dos Engenheiros, em 1923. Texto publicado: O porto de Aveiro, conferência em 5 de Maio de 1923, 2.ª edição, 1959.

Fonte: A Barra e os Portos da Ria de Aveiro1808 - 1932

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Recordações: Lima Vidal e a Gafanha

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Escritores fascinados pela Ria de Aveiro — 3



«De um lado o mar bate e levanta constantemente a duna, impedindo a água de escoar; do outro é o homem que junta a terra movediça e a regulariza. Vem depois a raiz e ajuda-o a fixar o movimento incessante das areias, transformando o charco numa magnífica estrada, que lhe dá o estrume e o pão, o peixe e a água de rega.»

«O homem nestes sítios é quase anfíbio: a água é-lhe essencial à vida e a população filha da ria é condenada a desaparecer com ela. Se a ria adoece, a população adoece.»

In “Os Pescadores”, de Raul Brandão

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré

Alguns subsídios para a sua história


Em 1888,  inicia-se a sementeira do penisco no pinhal velho, terminando, na área da atual Gafanha da Nazaré, em 1910. Somente em 1939 ultrapassou o sítio da capela de Nossa Senhora da Boa Hora, ficando a Mata da Gafanha posteriormente ligada à Mata de Mira. (MG)
A Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré foi inaugurada numa segunda-feira, 8 de dezembro de 1958, Dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. Contudo, o processo desenvolvido até àquela data foi demorado e complexo. Aliás, a sua existência legal data de 16 de novembro de 1936, decreto-lei 27 207.
Os estudos do terreno foram iniciados pela Junta de Colonização Interna em 1937, onde se salientaram as «condições especiais de localização, vias de comunicação e características agrológicas», como se lê em “O Ilhavense”, que relata o dia festivo da inauguração.
O projeto foi elaborado em 1942 e, após derrube da mata em 1947, começaram as obras no ano seguinte. Terraplanagens, rebaixamento para adaptação a regado, remoção de areias, construção de 16 quilómetros de estradas e rede de rega com a extensão de 30 quilómetros de caleiras foram operações morosas que empregaram inúmeras pessoas das Gafanhas e região, sempre com o apoio e direção de técnicos à altura do projeto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 1

Luís de Magalhães, in "A Arte e a Natureza em Portugal"

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In "Origens da Ria de Aveiro", de Orlando de Oliveira

N OTA: É bom, muito bom mesmo, recordar a forma como alguns artistas cantaram a nossa Ria. Vou tentar mostrar isso.

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...