quarta-feira, 13 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 5

Costa Nova antiga


«Com a manhã, que se adianta, as gotas de chuva embebem-se de outra luz esbranquiçada. Ganham os tons baços transparência e uma claridade difusa bóia no céu. Baba-se. A amplidão da água reflecte já outras tintas. A neblina a todo o momento desmaia e a casta planície vaporizada ilumina-se de uma luz cor de pérola que hesita em pousar: os verdes são mais claros, as árvores suspensas no ar e as casas construídas na água. Além, à esquerda, mostram-se os palheiros da Costa Nova — mas tudo ainda adormecido na terra, no silêncio e na água. Uma tainha salta…»


Raul Brandão
In »Os Pescadores»

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 9

Eng. Von Hafe


1924 — António Carlos de Aguiar Craveiro Lopes foi nomeado a 12 de Janeiro de 1924 pela Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro, criada em Dezembro de 1921, como primeiro director de obras.

1925-1932 — João Henrique Von Hafe tomou posse a 27 de Junho de 1925 e foi o segundo engenheiro da JARBA.

1926 — Decreto n.º 12 757, de 2 de Dezembro, designado por “Lei dos Portos”, e ainda a criação da I Repartição de Portos, na Administração Geral dos Serviços Hidráulicos, com responsabilidade de execução de obras portuárias.

1926 — Com o decreto n.º12 757, de 2 de Dezembro, designado por “Lei dos Portos”, o porto de Aveiro foi classificado como porto de 3.ª classe.

1929 — Decreto 16 728, de 13 de Abril de 1929, que determina a realização de grandes obras portuárias.

1929 — Pela publicação do Decreto n.º 16728, de 13 de Abril, o Porto de Aveiro é reclassificado como porto de 2.ª classe.

1930-1936 — Início da 1.ª fase do plano portuário de Aveiro, em 1930, projecto do engenheiro Von Hafe, com as alterações introduzidos pela Missão Inglesa. A adjudicação das obras fez-se em 1931. Os trabalhos do molhe norte e do dique regulador das correntes iniciaram-se em Março de 1932 e prolongaram-se até 1936.

Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 4

(Clicar na imagem para ampliar)

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 8



1897 — Prospecto acerca da “legitimidade da propriedade particular em terrenos alagados pela ria de Aveiro — representação dirigida a Sua Majestade, em Fevereiro de 1897, pelos proprietários ribeirinhos”, assinalada pelos 462 proprietários.

1898-1921/23 — Criação da Junta Administrativa das Obras da Barra e Ria de Aveiro (JAOBRA). Serve-se do Regulamento da Junta Administrativa das Oras e Melhoramentos da Barra do Douro, de 26 de Abril de 1891 (aprovado por portaria de 26 de Abril 1892).

1898 — O engenheiro Dinis Theodoro de Oliveira foi nomeado o primeiro Director das obras sob a administração da Junta Administrativa das Obras da Barra e Ria de Aveiro (JAOBRA).

1904 — Publicação da obra do engenheiro Adolfo Loureiro, que promoveu os estudos hidro-topográficos, instalando, para isso, 26 hidrometros ao longo do Vouga e rias de Aveiro, Ovar, Mira e Ílhavo — Os portos marítimos de Portugal: Porto de Aveiro, v. II, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904.

1921/23-1950 — Por decreto de 7 de Dezembro de 1921, foi criada a Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro (JARBA). O Regulamento foi aprovado apenas em 18 de Dezembro de 1923.

1923 — O Comandante Silvério Ribeiro da Rocha e Cunha, capitão do porto de Aveiro, reconhecido como construtor da opinião pública de Aveiro, proferiu uma importante conferência na Ordem dos Engenheiros, em 1923. Texto publicado: O porto de Aveiro, conferência em 5 de Maio de 1923, 2.ª edição, 1959.

Fonte: A Barra e os Portos da Ria de Aveiro1808 - 1932

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Recordações: Lima Vidal e a Gafanha

(Clicar na imagem para ampliar)

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro — 3



«De um lado o mar bate e levanta constantemente a duna, impedindo a água de escoar; do outro é o homem que junta a terra movediça e a regulariza. Vem depois a raiz e ajuda-o a fixar o movimento incessante das areias, transformando o charco numa magnífica estrada, que lhe dá o estrume e o pão, o peixe e a água de rega.»

«O homem nestes sítios é quase anfíbio: a água é-lhe essencial à vida e a população filha da ria é condenada a desaparecer com ela. Se a ria adoece, a população adoece.»

In “Os Pescadores”, de Raul Brandão

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré

Alguns subsídios para a sua história


Em 1888,  inicia-se a sementeira do penisco no pinhal velho, terminando, na área da atual Gafanha da Nazaré, em 1910. Somente em 1939 ultrapassou o sítio da capela de Nossa Senhora da Boa Hora, ficando a Mata da Gafanha posteriormente ligada à Mata de Mira. (MG)
A Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré foi inaugurada numa segunda-feira, 8 de dezembro de 1958, Dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. Contudo, o processo desenvolvido até àquela data foi demorado e complexo. Aliás, a sua existência legal data de 16 de novembro de 1936, decreto-lei 27 207.
Os estudos do terreno foram iniciados pela Junta de Colonização Interna em 1937, onde se salientaram as «condições especiais de localização, vias de comunicação e características agrológicas», como se lê em “O Ilhavense”, que relata o dia festivo da inauguração.
O projeto foi elaborado em 1942 e, após derrube da mata em 1947, começaram as obras no ano seguinte. Terraplanagens, rebaixamento para adaptação a regado, remoção de areias, construção de 16 quilómetros de estradas e rede de rega com a extensão de 30 quilómetros de caleiras foram operações morosas que empregaram inúmeras pessoas das Gafanhas e região, sempre com o apoio e direção de técnicos à altura do projeto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro - 1

Luís de Magalhães, in "A Arte e a Natureza em Portugal"

(Clicar na imagem para ampliar)

In "Origens da Ria de Aveiro", de Orlando de Oliveira

N OTA: É bom, muito bom mesmo, recordar a forma como alguns artistas cantaram a nossa Ria. Vou tentar mostrar isso.

domingo, 27 de março de 2011

Gago Coutinho em S. Jacinto

Gago Coutinho, o segundo da direita para a esquerda

«Em 1946, o Almirante Gago Coutinho visitou a Escola com o seu nome [Escola de Aviação Naval Gago Coutinho, em S. Jacinto]. Foi a última vez que o ilustre marinheiro esteve em S. Jacinto, aonde foi recebido pelo Comandante Cardoso de Oliveira e por toda a guarnição que o acarinhou de modo especial.
Depois de uma cerimónia no hangar, com o outro herói da Travessia a tecer elogios a Sacadura Cabral, seu companheiro de viagem, o pessoal ligado ao voo transportou pelo ar, sentado numa cadeira, o patrono da Escola que agradeceu, comovido, a manifestação de carinho e simpatia.»

In "Hidro-Aviões nos Céus de Aveiro", de Joaquim Nunes Duarte

quarta-feira, 23 de março de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 7


1875 — Publicação da Memória de Silvério Augusto Pereira da Silva, engenheiro director das obras da barra — Barra de Aveiro. “Revista das Obras Públicas e Minas”, t. VI, n.º 64 e 66.

1884, 6 de Março — Criação da Circunscrições hidráulicas, sob a égide do Ministério das Obras Públicas, regulamentada pela Lei de 2/10/1886.

1887 — Extinção da Junta Administrativa e Fiscal das Obras de Aveiro (JAFOA) e criação das circunscrições hidráulicas. O Porto de Aveiro passou a pertencer à 2.ª Circunscrição Hidráulica.

1887-1898 — Nomeação de Melo de Mattos, engenheiro hidrográfico, como director das obras da barra.

1891 — Regulamento da Junta de Administração das Obras do Melhoramento da Barra do Douro, de 26 de Abril de 1891, (aprovado por portaria de 26 de Abril de 1892) que se revelará como modelo de administração dos portos.

1893, 3 de Abril — Uma comissão local endereçou ao Governo o pedido de um serviço de dragagens para a Ria, a 3 de Abril, , significativamente, o dia comemorativo da abertura da barra, em 1808.

1897—Carta da Associação Comercial do Distrito de Aveiro, enviada ao Ministério das Obras Públicas, sobre a necessidade de uma Junta especial para superintender as obras.

Notas:

1. Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932”;
2. Continua.

terça-feira, 22 de março de 2011

Um poema de Élio Tavares


O HOMEM DO LEME

Em qualquer navio, que nos mares navega,
vai sempre, firme no seu posto, o HOMEM DO LEME!
Suas hábeis mãos giram sem cessar a roda,
ora a bombordo, ora a estibordo,
enquanto o seu olhar na bússola se fixa,
para o rumo manter sempre certo.
Lá vai, sempre atento, o TIMONEIRO,
quer navegue em mar chão e sereno,
quer afronte as alterosas vagas.
Leva na alma a mais certa bússola.
— Nossa Senhora dos Navegantes,
e no coração os seus maiores amores,
invisíveis mas sólidas âncoras,
que o prendem à terra distante e querida:
a mulher, os filhos, os pais saudosos!
E murmura, como em prece, o homem do leme:
— Roda que dos meus me apartaste,
leva-me de novo, segura e certa,
para junto daqueles que tanto amo!

Élio Tavares

segunda-feira, 21 de março de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 6

1852, 30 de Agosto — Criação do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria (MOPCI).

1856, Junho — Esteve, interinamente, o engenheiro Augusto Maria Fidié como director das obras da barra.

1857 — Movimento de opinião, encabeçado pelo deputado José Estêvão, em sessão dos Paços do Concelho, na defesa da atenção do Governo sobre a barra e porto de Aveiro.

1858 — Criação da Associação Comercial de Aveiro.

1858 — Criação da Junta Administrativa e Fiscal das Obras de Aveiro (JAFOA), de acordo com o Decreto de 9 de Setembro. Esta instituição manter-se-á até 1887.

1858-1886 — Permanência do engenheiro Silvério Augusto Pereira da Silva, como director das Obras da barra de Aveiro e ainda responsável pelas obras do distrito.

1864 — Lei de 25 de Junho de 1864, que institui o Domínio Público Marítimo.

1874 — Exposição suscitada pela Câmara Municipal de Aveiro aos “proprietários das marinhas, comerciantes e muitos outros cidadãos” (reunião a 28 de Dezembro e exposição de 9 de Janeiro de 1874) e outra da Associação Comercial de Aveiro (sem data, mas da mesma ocasião).

Notas:

1. Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932”;
2. Continua.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Lento e penoso calvário da vara



EPOPEIA DA RIA


Élio Tavares

Aos quatro ventos as alvas velas enfunadas,
Pela Ria singravam esbeltos moliceiros.
— Trabalho e poesia de mãos dadas!
É quando do parado vento, as velas
Inertes pendiam nos mastros verticais,
Começava o lento, penoso calvário da vara,
Essa cruz que o bronzeado barqueiro
Toda a vida carregava no ombro dorido,
Enquanto o longo ancinho recolhia
A verde, fecunda manta do “moliço”…
— Valeu a pena?
Ainda que o Poeta não houvesse dito
Que «tudo vale a pena, se a alma não é pequena»,
Afirmo eu que foi a alma humilde,
Mas grande e generosa do homem da Ria
Que sonhou e realizou essa epopeia
Feita de trabalho, dor e amor,
Que transformou a sáfara duna,
Salgada e dos ventos batida,
Em verdejante campina de pão
E o charco imundo em vergel florido!

terça-feira, 15 de março de 2011

Cronologia relacionada com o Porto de Aveiro — 5



1834 — Foi nomeado Celestino Soares, como director das obras da barra, substituindo Luís Gomes de Carvalho.

1834 — Triunfo pleno da causa liberal.

1835 — Criação dos distritos administrativos representados na Junta Geral do Distrito e no Governo Civil.

1835 — Nomeação do primeiro governador civil de Aveiro.

1837 — Nomeado o engenheiro Francisco da Paula Sousa Pegado e, no ano seguinte, Francisco L. Moreira Freixo para directores das obras da barra.

1838 — Francisco Lopes Moreira Freixo, era indicado como engenheiro director das obras.

1843 — Foi nomeado director das obras da barra, o engenheiro José Luís Lopes, substituído, interinamente, pelo presidente da Câmara de Aveiro, que pouco depois entregava o seu governo ao engenheiro Gomes Palma.

1846 — Maria da Fonte, ou Revolução do Minho.

1846 — Patuleia, ou Guerra da Patuleia.

1847-1856 — É indicado como director das obras da barra o engenheiro Agostinho Lopes Pereira Nunes.

1851 — Inauguração do período da Regeneração, que se seguiu à insurreição militar de 1 de Maio de  1851, que levou à queda de Costa Cabral e dos governos de inspiração setembrista.

Notas:
1. Fonte: “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro — 1808-1932”;
2. Continua.

O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...