quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

AS CASAS GAFANHOAS

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A Cale da Vila já competia com qualquer vila ou cidade,
na década de 40 do século passado
“A sucasa era destinada, como as poucas que ainda existem, para colocar a salgadeira e para arrecadação de algumas alfaias e ferramentas agrícolas, bem como para a instalação das camas das filhas do casal. Os filhos dormiam fora de casa: ou nas proas dos barcos presos ao moirão na borda, ou nas mesmas proas dos barcos cortados que para esse fim eram instalados nos pátios, ou ainda nos palheiros. Este costume vinha dar relevo ao rifão, ainda agora muito em voga: cama de rapaz solteiro - ninho de cão!”, lê-se na Monografia da Gafanha, do Padre João Vieira Rezende. “A altura destas casas, que tinham quanto muito duas pequenas janelas, não ultrapassava três metros. Ainda agora - prossegue o Padre Rezende - se nota o seu pouco pé direito, com as soleiras e soalhos quase empastados no solo. Concorrerá para isso a tradição e também o desabrigo da região”. Claro que este tipo de habitação foi-se modificando, graças ao poder de compra dos gafanhões. Os terrenos foram melhorando, mercê da utilização do moliço que começou a ser apanhado à beira-ria, que os primitivos gafanhões não tinham embarcações para se aventurarem na Ria. Só depois, com o decorrer dos tempos, isso aconteceu. Mas foi então o moliço e o esterco do gado, como já dissemos, que levaram os campos a produzir mais, dando aos agricultores a possibilidade de ter mais algum dinheiro no canto da arca. “Começaram desde logo a aparecer os soalhos, forros, guarda-louça, e também as casas de arrumação e as casas da eira, para onde foram passando todas as coisas que até ali ocupavam lugares indevidos. Apesar desse avanço, ainda hoje (1940) existem casas daquele antigo tipo, embora poucas, sem soalho nem forro, mas ainda há bastantes com a sucasa. Quem hoje, porém, visita a Gafanha verificará que nos últimos tempos, com todas as modernas manifestações da vida social, também se operou nela uma verdadeira revolução no que diz respeito ao tipo de casas. Têm sala e dois ou três quartos espaçosos, duas cozinhas, servindo uma delas de sala de mesa, e corredor que em muitos casos já ocupa o centro da habitação. Os compartimentos amplos, as salas e as janelas rasgadas, enchem a casa de comodidades, ar, sol e luz. Ao norte da região há muitíssimas casas com o seu gradeamento de ferro, átrio e pequeno jardim de entrada. A Cale da Vila, com o aspecto das suas construções, está a competir com qualquer vila ou cidade modernas. E lembrar-nos nós que os ascendentes da actual geração habitavam outrora casas de madeira e de barro! Hoje vivem em lindos chalets, ou casas bastante cómodas, os filhos daqueles que há pouco mais de um século foram batidos pela miséria e pela fome que os assediavam nas aldeias de origem. Hoje, porém, como então, este povo é caracteristicamente bom, generoso, simples, tratável e resignado, conformando-se admiravelmente com toda a situação, ainda as menos desejáveis.” Assim falava e escrevia o Padre Rezende na década de 40.
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domingo, 14 de dezembro de 2008

MOVIMENTO APOSTÓLICO DE SCHOENSTATT - 2

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Nicho
Alguns dados históricos
No dia 24 de Abril de 1977, os vários membros do Movimento reuniram-se pela primeira vez como Família de Schoenstatt, no terreno perto da casa de Sião. Após a apresentação dos diversos Ramos e de uma palestra do padre Marcial, fez-se uma reflexão por grupos, tentando-se descobrir os planos de Deus, quanto à caminhada futura desta pequena Família. Neste dia estiveram presentes cerca de 100 pessoas. No dia 22 de Maio de 1977 realizou-se a inauguração do nicho, semente do futuro Santuário. No dia 21 de Maio de 1978, um ano depois da inauguração do nicho, realizou-se a primeira grande peregrinação da capelinha da Igreja da Gafanha da Nazaré ao nicho. Participaram nesta peregrinação cerca de 400 pessoas. Nesta ocasião, toda a Família participou na Coroação da Mãe no nicho como Rainha e Vencedora no Reino da Juventude. No dia 25 de Março de 1979, juntamente com a inauguração da casa das Irmãs, foi dada a primeira pazada do futuro Santuário, pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade. Esteve também presente o Arcebispo de Mitilene, D. Maurílio de Gouveia, além de um grande número de pessoas do Movimento e peregrinos. No dia 1 de Maio foram iniciadas as obras de construção do Santuário. E no dia 20 de Maio foi benzida a pedra angular. Esta cerimónia foi presidida por D. Manuel e participada por um grande número de pessoas. No dia 21 de Outubro deu-se a solene inauguração do santuário Tabor Matris Ecclesiae. Esta celebração foi presidida por D. Manuel de Almeida Trindade. Esteve presente, também, o Arcebispo de Mitilene, D. Maurílio, um grande número de sacerdotes, de Schoenstatt e das paróquias vizinha, e mais de dois mil peregrinos. Fernando Martins
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

GATA – Grupo Activo de Teatro Amador - 1

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Elenco da peça "MAR", de Miguel Torga

Caía a tarde. Uma tarde calma, sem vento que agitasse os ramos das árvores, sedentas da água que o verão escaldante lhes negava. Sentados, diante das bebidas que os refrescam, três homens sonham criar um grupo de teatro amador. São eles: Humberto Rocha, Manuel Cruz Caçador e Sargento Padilha. Tinha havido, no tempo dos nossos pais, algumas experiências nesse campo, mas logo amorteceram com o começo das grandes dificuldades económicas chegadas com o rugir dos canhões da II Grande Guerra. Depois tudo estagnou. Mas nós, que ouvimos falar com tanto entusiasmo alguns desses artistas populares, logo imaginávamos um palco, a cena, o público e os aplausos! E a nossa cabeça deitava “fumo”, como diria a minha saudosa avó. E a rodada de cerveja que nos serviram nunca mais terminava, porque os pensamentos voavam e o entusiasmo que nos fazia vibrar absorvia-nos por completo. E sonhávamos… e sonhávamos. E desse sonho nasceu o Grupo de Teatro, no ano da graça de 1973, a 27 de Setembro. Após delinearmos o esquema geral de actuação, decidimos procurar alguém que já tivesse a experiência que nos faltava para ensaiar. E a escolha recaiu no Júlio de Aveiro. Sabíamos que já tinha actuado no seu tempo de menino e moço e, mesmo mais tarde, já homem feito. As referências que lhe faziam, apontavam-no, sem sombra de dúvida, como uma boa aquisição. Pena foi que, algum tempo mais tarde, por motivos de saúde, tivesse de abandonar o Grupo. Entretanto já estava connosco o Sr. Augusto Fernandes, que comungava do nosso entusiasmo e, além disso, tinha conhecimentos da matéria. Foi-lhe atribuído o lugar de ensaiador. Tinham continuado as adesões com nomes que, mais tarde, se revelariam verdadeiros artistas. Humberto Rocha In Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré (Continua)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Corpo Nacional de Escutas na Gafanha da Nazaré - 1

:AGRUPAMENTO N.º 588
DA GAFANHA DA NAZARÉ

Em 29 de Julho de 1979 dá-se a oficialização do Agrupamento do CNE (Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português), ao qual foi atribuído o n.º 588. Na véspera, na noite de 28, fizeram a sua promessa os três primeiros dirigentes: Carlos Alberto Borges Ferreira (Chefe do Agrupamento), Orlando Leitão de Figueiredo (Secretário), e Fernando Alberto Borges Ferreira (Chefe de Grupo). Era assistente o Padre Miguel Lencastre.
Logo de seguida, iniciaram a preparação com vista à chefia da Alcateia (Lobitos) as futuras chefes Madalena Matias, Maria Ana Cunha Pereira, Maria do Céu Gandarinho Lopes e Custódia Lopes Caçoilo.
A primeira promessa de Lobitos ocorre a 2 de Maio de 1982, depois da necessária preparação. Em 1981, o chefe Carlos Alberto Ferreira deixa o Agrupamento e em 10 de Julho do mesmo ano assume a chefia Fernando Alberto Ferreira.
Em 25 de Setembro de 1982, os responsáveis do Agrupamento n.º 588 são já os seguintes:
Orlando Leitão de Figueiredo - Chefe do Agrupamento
Padre Rubens António Severino – Assistente
Fernando Martins - Adjunto do Assistente
Carlos António da Silva Loureiro – Secretário
Madalena Matias - Chefe da Alcateia
Eunice Rodrigues da Silva - Chefe do Grupo Júnior

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Coisas dos nossos “intigos”

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O Regueirão, com o moinho do ti João Conde à vista
Falar de qualquer terra, é uma coisa vulgar, pouco nos dirá. Falar da nossa Terra, é diferente. E, sem esforço, estamos a puxar a água para o nosso moinho. Lembro-me que, em criança, andando a vaguear pela Ria, ali pelo Regueirão, na Marinha Velha, havia um sítio a que nós chamávamos o Moinho – e lá estavam ainda os restos da construção: pedaços de adobos, telhas quebradas… Teria sido mesmo um moinho? – Assim no-lo atestava a nossa imaginação e uns restos de tradição oral. Mas seguindo por um rego que derivava para terra, lá bem na estrada, surgiu mesmo um “moinho” a sério, mas movido a electricidade, creio que era do ti João Conde. (De uma vez fui lá trocar milho e resolvi ir de bicicleta. À volta, no Zé da Branca, dei o maior trambolhão da minha vida. Ainda não dominava bem a “burra”, pois aprendera a andar nessas férias, para ir para o liceu… Amigos, senti-me voar, até me faltou o ar na descida tão brusca… e dei comigo no fundo da valeta!) Falava eu de moinhos… Recordo que aí, como aliás noutros sítios, as mulheres usavam lenços na cabeça. E pelos lenços (e também pela roupa) sabia-se o estado da mulher – viúva, casada, marido ausente, marido a chegar, solteira comprometida, solteira,…, “filha de Maria”,… O lenço funcionava como as bandeiras da praia. E havia-os de vários tecidos… Rico tema para um estudo a sério… Para os da minha geração vou lembrar-lhes algo que me ficou registado e agora cá está. As mulheres andavam normalmente de lenço. Mas com a evolução, algumas começaram a cortar o cabelo, etc. e tal… Quantos comentários se ouviram!... Seria mais um sinal da “emancipação” da mulher… Apareceram, com mais profusão, os mantos, mantilhas e véus, para “ver o Senhor”. E alguns eram mesmo bonitos e bem trabalhados. Mas o pior era quando se esqueciam dele em casa. Era obrigatório a cabeça da mulher estar coberta na igreja. Como resolver? - Ó João tens aí o teu lenço? - Para quê? - Dá cá, home, esqueci-me do véu em casa. E com aquele sem-cerimónia característico, ei-la que entra na igreja com o lenço “tabaqueiro” pousado na cabeça!... Onde havia lenços bonitos – onde estais! – era nos ranchos que se formavam quando havia Cortejos de Reis ou pelo Carnaval. Não há dúvida que as raparigas tinham brios nos seus lenços. E era vê-las de prendas à cabeça ou à volta do ti Armando Ferraz para ensaiar a dança do encadeado. Imagens e figuras de um passado recente que muito caracterizam a vida da Gafanha… O ti Armando ensaiava os seus ranchos e, no “defeso“, entretinha-nos com os robertos… Páginas ainda vivas da história popular… Onde também se notava o lenço era quando se levava o jantar aos que trabalhavam – nas terras, nas obras, nas secas ou nos estaleiros (do Mónica ou do Mestre Silvério. Neste era engraçado: os homens tinham de atravessar a Ria, para vir comer à sombra das tramagueiras que ladeavam a estrada que ia para Aveiro!) Perto da hora do meio-dia era uma azáfama para não fazer esperar os “moiros do trabalho”. Agora não será assim, mas era um costume que tinha raízes profundas e talvez não fosse mau para a saúde… Comida fresquinha, a fumegar! E aos Domingos? Em certa altura, ali no caminho que ladeia a igreja e conduz ao cemitério, surgiu um mercado domingueiro. Terão sido os irmãos Matias, de Vilar, (e peço-vos licença para os saudar, pois somos amigos de longa data!), os primeiros a trazer as suas batatas para vender à saída da Missa. E pegou… De tal forma que depois se teve de arranjar local mais apropriado e agora aí tendes o “mercado”… Também, nas vendedeiras, se podiam apreciar lenços bonitos!... E não é que, de lenço em lenço, me lembrei do jogo que ainda se usa mas que nesses tempos estava muito em voga – o jogo do lencinho-lenção!... Outros lenços, como é lógico, que nada tinham a ver com os da cabeça. Mas quantas histórias belas nos poderiam contar estes lencinhos, mais ou menos bordados, que eram o esmero das raparigas e o “ai-Jesus” dos rapazes! É que, na época própria, quando a idade isso pedia, a rapariga deixava cair o lencinho que o rapaz, de olho vivo e mão ligeira, apanhava e… Começava o romance! Não sei o que as raparigas hoje “oferecem” aos “romeus” – ou o que recebem… - mas então a primeira oferta era o… nome, depois o lenço, depois a fotografia e, só mais tarde, a mão! E quantas vezes tudo terá começado pelo lenço caído! Se um dia fizermos um museu – tardará muito? – reservemos um espaço para uma colecção de lenços, o que até nem será inédito… Será um património a guardar o que muito nos poderá ensinar dos nossos “intigos”, ou melhor das nossas “intigas”… E por hoje, deixem que vos saúde com o meu chapéu – que tenho de pedir emprestado. - Até mais ver! Manuel Olívio da Rocha NOTA: Este texto, do gafanhão de quatro costados e meu particular amigo Manuel Olívio da Rocha, encontrei-o há dias num boletim que preparei, em 1985, para as celebrações das Bodas de Diamante da criação da Gafanha da Nazaré, promovidas pela Junta de Freguesia, presidida, na altura, por Manuel Gandarinho Lopes. Porque se trata de um naco saboroso da história do nosso povo, aqui o ofereço aos meus leitores. Já lá vão, pois, 23 anos desde que o Manuel o escreveu. E tenho cá um palpite que ele nem se recordará deste seu escrito, que reputo de delicioso. Para ele, também, um abraço, com saudades desses tempos.
FM ;

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Foto com desafio - 3

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A propósito da minha segunda “Foto com desafio”, recebi do meu amigo Helder Ramos o seguinte esclarecimento, que muito agradeço…
“ … é a propósito da foto publicada. Esta foto foi feita no final de uma prova organizada pela Comissão da Festa de N. Sra. da Nazaré, no último Sábado (salvo erro) de Agosto de 1982. Na foto não surge quem deu o apoio técnico à rapaziada. Foi o Prof. Júlio Cirino, que, durante muitos anos treinou muito boa gente no antigo Campo de Jogos do Forte da Barra. (Se o meu gosto pelo desporto existe, deve-se muito ao meu irmão Dinis Casqueira e ao Prof. Júlio Cirino, que nos iam chamando para , as coisas boas da vida). Essa prova realizou-se no Campo de Jogos do G.D. Gafanha e eu não faltei, depois de me ter inscrito no Cartório Paroquial. O vencedor foi o João Eduardo Jubilado Rodrigues, colega de escola primária e excelente homem, também desportivamente, que deu muito suor às equipas de futebol do GDG. A prova consistiu numas 6 voltas, se não me falha a memória, e deu direito a medalha para todos, ou quase. Tenho-a em casa como grata recordação, e lembro-me muito bem do calor que fazia e daquele saibro alvoroçado pelos sapatos de bico que o Augusto Amarante me emprestou. No fim, não aguentava os gémeos, porque nunca tinha treinado com tal... Nessa imagem reconheço algumas pessoas presentes - os dois filhos do Sr. Leitão (Paula e Nelo, que ficou atrás de mim nessa corrida); o Sr. Albino (ao fundo), membro da mordomia mobilizada pelo Pe. Miguel Lencastre, uma vez reiniciar-se as celebrações em honra da Padroeira. Creio que a foto publicada no Timoneiro de então tem outro enquadramento e nela se conseguem ver melhor as pessoas. A taça foi oferecida pelo BPA, que ainda funcionava na Av. dos Bacalhoeiros.”
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NOTA: Ora aqui está uma maneira bonita de colaborar. Agradeço ao Helder, enqunto peço aos meus leitores que me enviem fotos com legenda, se possível. A história também pode ser escrita deste modo.
FM
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domingo, 2 de novembro de 2008

Foto com desafio - 2

:Quem segura a taça? Quem está no grupo?
A propósito da Foto com desafio que publiquei há dias, recebi do Padre Miguel Lencastre, que se encontra, presentemente, em Fortaleza, no Brasil, uma achega, que fica à espera de outras. As achegas, quando me chegam, directa ou indirectamente, são partilha de conhecimentos de valor precioso. Diz o Padre Miguel (Prior da Gafanha da Nazaré entre 1973 e 1982) que a fotografia mostra o “desenrolar da toalha paroquial, representando todos lugares da antiga Gafanha”, o que representa “um verdadeiro ritual de como colocar em comunhão toda a paróquia”. Depois de perguntar quantos metros teria a toalha de comprimento, o antigo prior da Gafanha da Nazaré lembra que “cada emenda foi confeccionada no seu respectivo lugar”. A seguir, como facilmente se calcula, veio o almoço partilhado por muitos paroquianos. Hoje aqui fica outra fotografia de um encontro com jovens da época, da nossa paróquia. Deve ter havido uma competição qualquer, porque a taça está bem visível. A organização, certamente, foi do Padre Miguel. Ele ali está à vista de todos. Quem sabe mais sobre esta fotografia? FM :

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Acta da Instalação da primeira Junta da Paróquia da Gafanha da Nazaré

“Aos dois de Janeiro de mil novecentos e catorze, achando-se reunidos na casa das sessões da comissão paroquial Administrativa desta freguesia da Gafanha do Concelho de Ílhavo os cidadãos José Ferreira de Oliveira, João Sardo Novo, Jacinto Teixeira Novo, José Maria Fidalgo, Manuel Ribau Novo, membros efectivos da referida comissão durante a gerência de vinte e sete de Outubro de mil novecentos e dez a trinta e um de Dezembro de mil novecentos e treze, e os cidadãos José da Silva Mariano, Manuel José Francisco da Rocha, Manuel Conde, Alberto Ferreira Martins, João Sardo Novo, ultimamente eleitos membros efectivos da nova junta da Paróquia desta freguesia da Gafanha, como consta das respectivas actas arquivadas na secretaria da Câmara Municipal deste concelho e na secretaria do Governo Civil deste distrito, os membros daquela comissão administrativa e o senhor regedor desta freguesia, Silvério Vieira, que também estava presente, à vista da nota comprovativa da referida eleição emanada do Governo Civil, transmitiram aos membros da nova Junta todos os poderes que em virtude da mencionada eleição lhes foram conferidos. Todos juraram cumprir fielmente as leis do país, como cidadãos da República Portuguesa, e com zelo e patriotismo desenvolver o progresso, moral e material (social) desta freguesia. E constituindo-se em sessão, elegeram seus presidente e tesoureiro, recaindo essa eleição nos cidadãos (por unanimidade) José da Silva Mariano, como presidente, e João Sardo Novo como tesoureiro, nomeando seu secretário o vogal Alberto Ferreira Martins. E não havendo mais nada a tratar, o presidente mandou encerrar a sessão de que se lavrou a presente acta que depois de lida vai ser assinada por todos e por mim, Alberto Ferreira Martins secretário que a escrevi”. “Em tempo: A nova junta também elegeu para vice-presidente Manuel José Francisco da Rocha e deliberou que as suas sessões se efectuassem na sacristia do lado oeste da Igreja Paroquial desta freguesia pelas onze horas do primeiro e terceiro domingo de cada mês. Declara-se que a eleição de tesoureiro e nomeação do secretário supra mencionadas são de carácter provisório, cessando para esses indivíduos as respectivas funções logo que esses cargos sejam providos nos termos da lei. E não havendo mais nada a tratar, o presidente mandou encerrar a sessão de que se lavrou a presente acta que depois de lida vai ser assinada por todos e por mim, Alberto Ferreira Martins, secretário que a escrevi.” José Ferreira de Oliveira João Sardo Novo José Maria Fidalgo Manuel Ribau Novo José da Silva Mariano Manuel José Francisco da Rocha Manuel Conde O Secretário – Alberto Ferreira Martins
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dia das Bruxas

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Cabeças-fantasma com vela dentro
Comemora-se, no dia 31 de Outubro, o Halloween, festividade que remonta ao povo Celta e tem a ver com rituais pagãos, entre nós, chamado Dia das Bruxas. Amada pelas crianças que vêem, neste dia, um escape para a sua irreverência e desculpa para pregar partidas, o Sweet or treat, confirma este fenómeno, é simultaneamente contestada e repudiada por muitos outros.Alegando que não tem nada a ver com a nossa cultura, contestam uns tantos que estamos a sofrer uma aculturação, em relação aos povos de origem anglo-saxónica, nomeadamente dos EUA, donde foi importada esta celebração. Materializando-se numa série de objectos comercializados profusamente pelo comércio, tem a sua expressão e simbologia máximas na utilização das abóboras. Estas são descarnadas, abre-se-lhes uma tampa em cima e desenha-se uma cara, pela excisão de pequenos pedacinhos que correspondem aos olhos, nariz, boca. Dentro das mesmas é colocada uma vela e aí temos o que nos países de Língua Inglesa chamam, o Jack-o’-Lantern! Esta figura bizarra e fantasmagórica era colocada em locais frequentados, mas pouco visíveis. Este ritual acontecia no Outono, em plena época das colheitas. Reportando-me aos meus tempos de juventude, e porque nasci no século passado, na época áurea dos Beatles, evoco algo que, pela sua similitude, merece a minha referência. Terminada a colheita do milho, que por estas terras das Gafanhas tinha um cultivo muito abundante, procedia-se ao seu acondicionamento: primeiro, fazia-se a desfolhada, aqui para nós designada por desmantadela, seguida da debulha, por debulhadoras mecânicas. Finalmente, depois de permanecer na eira por vários dias, sob os raios do sol escaldante, para ficar completamente seco, era armazenado em celeiros próprios, de grandes proporções, aqui chamados caixas do milho. Quando se viam os campos despidos, o milho recolhido e as abóboras colhidas e arrumadinhas em linha, por cima dos telhados, acontecia esta cena tão habitual, quanto insólita. Os membros mais jovens das famílias dos agricultores, ou semiagricultores, dedicavam-se a esta tarefa invulgar: desventravam as abóboras e construíam cabeças-fantasma, com uma vela dentro. Acabada a operação, punham a tampa na abóbora e iam colocá-la nas encruzilhadas dos caminhos e em sítios esconsos. Remontando às origens primitivas da utilização destas “lanternas”, ressalta aqui um paralelismo entre a tradição anglo-saxónica e estes costumes de terras gafanhenses. Isto foi vivenciado por mim, mas é possível que haja relatos orais mais aprofundados, desta mesma tradição, aqui na nossa terra. Madona

domingo, 26 de outubro de 2008

FOTO COM DESAFIO

:Preparação da mesa comum. Foto do meu arquivo


Esta foto é um desafio à memória de todos os gafanhões, sobretudo dos mais velhos. Sei que se trata de uma mesa para um convívio paroquial, do tempo do Padre Miguel Lencastre, numa altura em que ele procurava implementar a aproximação de toda a gente. Como acreditava que à volta de uma mesa comum tudo seria mais fácil, resolveu avançar com a ideia de uma enorme, não direi gigante nem com pretensões a alcançar qualquer recorde, mas tão-só capaz de juntar, à volta dela, muita gente. Penso que foi no Jardim Oudinot, porque são visíveis as palmeiras, símbolo do jardim, tal como hoje. Cada família levava o farnel, que era partilhado por toda a gente. Ainda não tive tempo de investigar a data e mais pormenores, mas prometo fazê-lo, logo que tenha tempo e acesso aos antigos Timoneiros. Acho que o relato deste convívio, como de outros eventos, deve estar registado em letra de forma. Até lá, convido os meus amigos a ajudarem-me neste trabalho. Fico a aguardar.
Fenando Martins
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O trabalho não azeda

: O trabalho não azeda. (o trabalho pode esperar sem consequências de maior) Claro que isto se referia ao trabalho agrícola, num ambiente marcadamente rural. A escolha do dia para “semear” as batatas, plantar as couves ou regar o milho, era aleatória. Os agricultores de então trabalhavam muito, de sol a sol! Despendiam muito esforço físico, na labuta da sua jorna, o que se resolvia, facilmente, com uma boa noite de sono. Não tinham stress, estes trabalhadores rurais, nada que se comparasse aos nossos dias. Eles próprios tinham autonomia para fazer os seus horários! Nesta situação, estavam equiparados aos executivos das grandes empresas, que gozam de isenção de horário de trabalho! Madona
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O assador de castanhas

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Aparecia, quase em simultâneo, com o início das aulas, nos meus tempos de menina e moça! As primeiras aragens frias do Outono traziam, à nossa cidade, aquela figura típica e tão apreciada por todos. Era o assador de castanhas! O seu carrinho improvisado com a panela tosca, esburacada, para assentar nas brasas quentes, era uma presença obrigatória nas ruas da cidade. No regresso das aulas, quase ao entardecer, o ar rescendia ao aroma quente e adocicado das castanhas. Tão apetecidas, tão apreciadas, com a casca estaladiça e prateada, faziam as delícias de miúdos e graúdos! Era um acorrer aos locais onde se encontravam os vendedores, nas esquinas das ruas, em locais muito frequentados. Quentes e boas! Quentes e boas! – O pregão soltava-se da boca dos assadores, que procuravam atrair uma clientela ávida de saborear tão apetitoso petisco! E ali, por cima do carrito, estavam as castanhas arrumadinhas ao lado do papel de jornal, onde iriam ser embrulhadas para entregar aos clientes. Belos tempos, em que se comiam as castanhas embrulhadas em papel de jornal e ninguém tinha problemas com isso! Belos tempos!
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Madona
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Para rir... Ruralidades...

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Um dia, à autora destas linhas, no cumprimento das suas tarefas de “Jovem Agricultora”, aconteceu um episódio insólito. Na sua actividade agro-pecuária, deparou com esta cena bizarra: ocupava-se a dar o alimento aos coelhinhos, tão fofinhos, quanto roedores. Uma galinha que dividia o espaço com os coelhos, numa promiscuidade inofensiva, começa a “espenicar“ o botão, nas bermudas da sua dona. Com efeito, essas calças que a dona trazia, pelo meio da perna, como todas as jovens (?) usam, hoje em dia, são rematadas em baixo por uma tira, com um botão. Este, semi-esférico e grande, criou no cérebro minúsculo da galinha, a imagem de um bago de milho Large size. A dona que não come milho, nem gosta de botões… consegue distingui-los muito bem!!! A galinha que come milho e, pelos vistos, parece cobiçar os botões, não vê a diferença entre ambas as coisas. Isto só confirma o aforismo popular que diz: “as galinhas são mesmo estúpidas!” ...
Era um termo muito usado nestas terras das Gafanhas: fazer as camas às vacas; cobrir o chão do estábulo, com estrume. (Dava-se esta designação, ao junco colhido nas praias, junto à ria) . A seguir ao seu transporte para casa do lavrador, directamente do moliceiro que o apanhara na praia, era colocado num monte grande, habitualmente no exterior da casa, chamado relheiro ou rolheiro. (É Maneli, vai ao relheiro, buscar uma gabela de estrume para fazer as camas às vacas, homi!). O que sempre me fez espécie foi a expressão no plural – as camas. Será que cada vaca ou boi dormia em camas separadas? Mas, no caso duma vaca solteira, eu ouvia, precisamente a mesma expressão: as camas da vaca! Seria tão corpulenta que abarcaria mais que uma cama? Também pensei num estábulo grande, tipo camarata ou vacaria, usando o termo específico, em que as vacas estivessem todas alinhadinhas em camas individuais. Os bovinos estavam num lugar superior, na hierarquia dos animais domésticos. Eram os únicos que tinham direito a cama, mesa (manjedoura) e “lençóis” lavados! Seria a retribuição pelo precioso néctar que elas repartem entre os filhotes, os bezerros, e o homem que nem sempre lhes retribui essa generosidade? Deixo a pergunta no ar!
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Madona
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Saúde nas Gafanhas

: Primeiros médicos e primeira farmácia
O ano de 1940 foi marcante, a nível de saúde, para a Gafanha da Nazaré, com os primeiros médicos a fixarem-se entre nós e com a primeira farmácia. Segundo a "Monografia da Gafanha", do Padre João Vieira Rezende, em 1940 estabeleceu consultório médico com residência na Gafanha da Nazaré o Dr. Joaquim António Vilão, natural de Mata-dos-Lobos, concelho de Figueira-de-Castelo-Rodrigo. Também nesse ano e na mesma Gafanha, de onde era natural, o Dr. Maximiano Ribau, felizmente ainda vivo, montou o seu consultório. No mesmo ano, abriu a primeira farmácia – Farmácia Morais – a Dra. Maria Ester Ramos da Silva Morais, também com saúde e como sempre na direcção da mesma farmácia, natural do Porto. Presumo que a Farmácia Morais é o mais antigo estabelecimento comercial das Gafanhas.
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sábado, 11 de outubro de 2008

TIMONEIRO — Jornal paroquial

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TIMONEIRO

O TIMONEIRO nasceu por iniciativa dos párocos das freguesias das Gafanha da Nazaré, Encarnação e Carmo, respectivamente, Padres Domingos José Rebelo dos Santos, António Augusto da Silva Diogo e José Soares Lourenço, em Dezembro de 1956. Publicava-se mensalmente e a sua tiragem inicial era de 1500 exemplares. Aliás, sempre se publicou com essa periodicidade, embora por vezes houvesse alguma irregularidade.
Por dificuldades de vária ordem, em 1958 a Gafanha da Encarnação desligou-se e em 1964 era já propriedade exclusiva da paróquia da Gafanha da Nazaré. Durante alguns anos integrou um grupo de Boletins Paroquiais, o que lhe proporcionava a utilização de alguns artigo, principalmente na primeira e última página.
Desde a sua fundação até à entrada na paróquia do Padre Miguel Lencastre, como coadjutor, o TIMONEIRO era escrito, quase na íntegra, pelo seu fundador e director, Padre Domingos. Nessa altura, um grupo de leigos, com algumas responsabilidades na freguesia, aceita colaborar com a finalidade de tornar o jornal mais representativo da comunidade. Desde então, têm sido inúmeros os seus colaboradores, mantendo-se o pároco como primeiro responsável e director, regra que tem acontecido até aos dias de hoje.
Dificuldades económicas puseram em questão a sua continuidade na década de setenta do século passado, dizendo-se, na altura, que a paróquia não podia “suportar tal luxo”. No entanto, durante uma viagem ao Brasil, o Padre Miguel pôde testemunhar o carinho com que o TIMONEIRO era recebido. E a partir daí nunca mais se falou “em luxo”, porque se reconheceu que o jornal era uma necessidade, também para os muitos emigrantes gafanhões espalhados pelo mundo.
Durante os anos da sua existência adoptou diversos formatos e outros tantos cabeçalhos, bem como foi variando o número de páginas. Em 1985 optou pelas 12 páginas com capas a duas cores, mantendo-se mensal, mas reduzindo a tiragem para mil exemplares, nunca tendo sido estudada a causa da falta de interesse de alguns paroquianos.
Inicialmente o jornal era distribuído pelos “Zeladores do Sagrado Coração de Jesus”, conforme aviso lido às missas do dia 23 de Dezembro de 1956, que reza assim: “… bater a todas as portas, apontando o nome, visivelmente, e investigando se querem que o jornal seja entregue pessoalmente ou pelo correio.” Todos, então, optaram pelo seu recebimento por mão própria, e só muito mais tarde, quando se verificou o cansaço de alguns “zeladores”, é que passou a ser distribuído pelos CTT.
Em 1986, o seu preço avulso era de 30$00, sendo a assinatura anual de 350$00 (Portugal) e de 500$00 (estrangeiro). Um ano antes conseguiu o Porte Pago, o que levou a que, com alguma publicidade, se tornasse economicamente independente.
Foram seus directores , até 1986, os Padres Domingos, Miguel e Rúbens, sendo Fernando Martins o responsável pela Redacção. Desde a primeira hora, o TIMONEIRO procurou ser um órgão oficial da comunidade católica, mas aberto à comunidade humana, com a inserção nas suas páginas de temas de âmbito geral.

Fonte: “GAFANHA – N.ª S.ª da Nazaré",  de Manuel Olívio da Rocha e Manuel Fernando da Rocha Martins
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O Galafanha fica para a história

Este meu blogue vai continuar no ciberespaço para memória futura. Poderá sempre ser consultado. A partir de hoje, passarei a estar apen...