ESTÓRIA DE BONS MALANDROS

O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA! ​
Pois é, já que estamos em tempo de confissões, passo a responder ao meu querido amigo Prof. Manuel Olívio: a história repete-se! Na passagem de Ano de 1967, salvo o erro, alguém disse: “E se fôssemos ao mercado deitar abaixo as letras que dizem Ílhavo?”
“Não foi precisa discussão prévia: todos de acordo; sim que já era tempo de esses tipos aprenderem que o mercado é da GAFANHA! Pois claro, etc. e tal”. Previmos que o barulho das milhentas badaladas que o relógio da igreja dava à meia noite, acrescido do ribombar dos foguetes, mai-las sirenes dos barcos ecoando festivamente, abafariam o barulho que tínhamos que fazer para deitar as letras abaixo. Mas enganámo-nos. O problema não surgiu do barulho que fizemos! Mas é melhor contar o que então se passou.
Escondidos no quintal do Nimané, fazendo os preparativos para o nosso “trabalho”, estavam sete ou oito rapazes filhos de boas famílias.
Um pouco antes da meia-noite, saímos do nosso esconderijo para o “local do crime”, ali ao lado. Mal suou o primeiro “quarto” na torre da igreja, anunciando o dealbar do novo ano, o João Manuel, com os outros à espreita, trepando ao parapeito de uma das janelas do mercado, começou a escaqueirar as letras de “lusalite” que, ao fim de algum tempo, começaram a cair umas atrás das outras. Ainda não tínhamos acabado de pintar os sulcos que as letras tinham deixado na parede e disse um:
- “Vem aí o Regedor!”...
Alguém, que tinha passado pela cabine que ladeava a Cooperativa Eléctrica, tinha-se apercebido de movimentações estranhas na frente do mercado. Pouco depois ouvia-se o roncar da mota do Ti João Bola.
Toca a fugir para o quintal do Nimané, para ver o que dali saía. O Regedor, dizia para o Cabo de Ordens:
- “É pá, é sempre a mesma chatice! Isto são coisas de gente grande”. Não quisemos ouvir mais nada e pisgámo-nos pelo quintal do Nimané para a “estrada real”.
No dia seguinte veio o Cabo Santos investigar o “crime”. Mas, até hoje, ninguém nos incomodou.
E assim acabou por cumprir-se a “profecia”. É certo que já por duas vezes tínhamos tentado, em vão, deitar abaixo as letras do mercado. Mas, desta vez, tínhamos levado a ferramenta apropriada: um martelo de orelhas...
Júlio Cirino
Ver aqui o escrito do professor Olívio

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