Mónicas na Figueira da Foz — 1


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Continuando a debruçar-me sobre a “Monografia da Freguesia de S. Julião da Figueira da Foz” da autoria de Rui Ascensão Ferreira Cascão, registo a presença dos Mónicas no capítulo dedicado à Construção Naval naquelas paragens. Na página 212 e seguintes lá está: «Além dos anteriores, em 1919, existia mais um estaleiro, pertencente à Fomentadora Marítima Figueirense, L.da , situado na Carneira e dirigido pelo “velho mestre Mónica”. Esta empresa industrial fora constituída em 13 de Julho de 1918, sendo o seu capital (110.000$00) subscrito por 45 sócios, na sua esmagadora maioria da Figueira. O seu objectivo social era a construção, reparação e negociação de navios, bem como a sua exploração industrial e comercial.» 
Mais adiante, diz-se que em 5 de Novembro de 1919, «foi legalmente formada a Empresa Lusitana de Construções Navais, L.da, cujo capital atingia 81.000$00. Esta empresa teve vida curta, vendendo (em 1920) a um dos sócios, António Bolais Mónica, o estaleiro localizado na Morraceira, com barracões, armazéns, escritório, telheiro, madeiras e materiais de construção de navios, ferramentas, etc. Acabou por ser dissolvida em 1922.» 
Mas a saga dos Mónicas por aquelas bandas não parou e em 7 de Novembro de 1920, «organizou-se a firma Mónica & C.a, L.da, com a finalidade de construi e reparar navios. Reunia inicialmente um capital de 180.000$00, pouco depois reduzido para metade, partilhado por 46 sócios. Estes viviam na Figueira, Buarcos, Costa de Lavos, Quiaios, Ílhavo, Pardilhó, Outeiro (Paião) e Afurada (Vila Nova de Gaia), exercendo, na maior parte dos casos, profissões manuais (construtores e carpinteiros navais, carpinteiros civis, ferreiros e calafates. Seis deles eram da família Mónica: António, João, Alberto, José Maria, Benjamim e Manuel». 
«Durante os anos de 1915 a 1925, foram construídos na Figueira 24 navios, mais de metade dos quais eram lugres. Dois deles tinham cinco mastros e dispunham de uma tonelagem bruta de 1.277, 440 (Vasco da Gama) e de 1.181,700 (Cabo da Roca). Os construtores vieram de Ílhavo, destacando-se entre eles diversos membros da família Bolais Mónica, que dirigiram a montagem de 16 unidades.»

Fernando Martins 

(Continua) 

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