Prior Sardo não quis ser juiz em causa própria?

Gafanha separada da sede do concelho
por uma grande extensão de areia solta

Solicitada a dar o seu parecer sobre a criação da Freguesia da Gafanha da Nazaré, a Câmara Municipal de Ílhavo discutiu o assunto na sessão de 28 de Março de 1910, presidida por Alberto Ferreira Pinto Basto. A vereação era constituída por Benjamim Ferreira Jorge, Manuel Nunes da Graça, Júlio Nunes Rafeiro e Padre João Ferreira Sardo, que faltou à referida sessão, “por motivo justificado” e compreensível. Podemos presumir que a sua falta de ficou a dever a uma questão de princípio, já que, decerto, não gostaria de ser juiz em causa próprio.
A Câmara de Ílhavo assentou o seu parecer, favorável, em teses bastante válidas, nomeadamente, que o lugar da Gafanha, da freguesia de São Salvador, “tem os elementos necessários para se poder constituir numa freguesia, (…) que os povos do mesmo lugar se acham separados da sede da actual freguesia por uma grande extensão de areia solta, cuja travessia se torna bastante incómoda, (…) e que, sendo este concelho constituído por uma única freguesia, que hoje conta cerca de 15 mil almas, o seu pároco e regedor não conhecem grande número dos seus habitantes, o que sobremaneira embaraça o serviço publico”.
Sublinhe-se, então, que os nossos antepassados estavam separados de São Salvador por uma grande extensão de areia solta e que o pároco e o regedor, talvez por isso, não conhecem grande número dos habitantes da Gafanha.

Fernando Martins

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